Brasil

Que bolinha, hein?

Nos últimos anos, em especial desde que passaram a ter um curto espaço no calendário anual do futebol brasileiro, os torneios estaduais são encarados, pelos grandes, como se fosse o último estágio da pré-temporada. Afinal, contra vários times menores, basta ligar o piloto automático, deixar o elenco no ápice físico e fazer ajustes necessários até o início das competições que realmente importam – a Copa do Brasil e principalmente a Copa Libertadores.

Em 2008, porém, espanta a quantidade de jogos horrorosos que vêm fazendo São Paulo, Corinthians, Palmeiras e Santos. Não que as equipes interioranas estejam tão mais fortes, mas o quarteto paulista tem tido uma inspiração baixíssima dentro de campo e, assim, faz de seus jogos um verdadeiro teste de paciência ao torcedor.

A demora em embalar e mostrar um futebol convincente chega a surpreender. Esta vem justamente quando, nos quatro clubes, as presenças de Muricy Ramalho, Vanderlei Luxemburgo, Emerson Leão e Mano Menezes, há poucas semanas, reproduzia uma temporada em que todos – talvez nem tanto o Santos – tinham a expectativa de arrancar com facilidade aos primeiros lugares da tabela. Encerrada a sexta rodada e praticamente um terço da primeira fase, apenas o São Paulo, com alguma dificuldade, se posiciona na zona de classificação – mas só em terceiro lugar.

No caso são-paulino, Muricy Ramalho apresenta algumas justificativas razoavelmente aceitáveis. O treinador alega que é o conjunto que faz sua equipe se sobressair, fazendo com que esse estágio inicial da temporada – em que as “peças” ainda se encaixam – seja o mais conturbado para ser atingido o ápice técnico do São Paulo. De fato, há verdade nisso, mas o clube pode pagar, em 2008, o preço por ter um elenco reduzido.

Conhecido por mudar pouco a equipe, sobretudo ao longo das partidas, Muricy pode sentir falta da melhor forma de jogadores importantes quando a Libertadores começar e, principalmente, o calendário afunilar. As saídas de Souza e Leandro só aprofundaram as várias carências de um elenco que só sobrevive graças à versatilidade de boa parte de seus integrantes. Ainda assim, a direção tricolor precisará agir com urgência e dar mais opções para o time titular. Usar alguns bons nomes da base – como Aislan, Diogo, Sérgio Mota, Juninho, Bruno, Thiago e Eric, poderia ser repensado. Fora isso, o São Paulo de Muricy segue sendo, em 2008, um time engessado e com dificuldades de atuar de maneira mais vertical e incisiva.

Em razão das expectativas criadas, Vanderlei Luxemburgo e o Palmeiras vão fazendo um início de ano bastante discreto. Mesmo com bons reforços como Diego Souza, Alex Mineiro, Élder Granja e Henrique, o Verdão vai exibindo um futebol burocrático, sonolento e que, ainda que com a posse de bola, raramente oferece perigo aos adversários.

Indócil em razão das últimas exibições, Luxemburgo falou em “encontrar quem não tem espírito vencedor”. O treinador tem lá alguma razão na crítica. Valdívia, ainda que badalado e com muita qualidade técnica, raramente oferece participações importantes para as vitórias do time. Martinez tem muita habilidade, mas não tem feito nada além de tocar a bola para quem está ao lado. Leandro é outro que joga pouca bola e Dininho, no ocaso da carreira, já virou a quinta opção de Luxa para o miolo de zaga.

Pelos lados corintianos, Mano Menezes encontra problemas para conseguir fazer seu time oferecer perigo aos adversários. Tem sobrado combatividade e estabilidade defensiva ao time do treinador gaúcho, mas não tem passado lá muito disso. Mano tem o argumento de que apenas inicia um trabalho praticamente da estaca zero, mas já há tempo suficiente para duvidar do sucesso de reforços como Lima, Marcel, Bóvio e Herrera.

Ainda que se deva recordar que o principal objetivo corintiano, para 2008, é o acesso em nível nacional, já é tempo de exibir um futebol mais convincente ou que transmita, ao menos, que a equipe vai progredindo.

Habitante regular da zona de rebaixamento do Campeonato Paulista nestas primeiras rodadas, o Santos é quem vive a situação mais delicada. Como já foi dito na última coluna, Emerson Leão tem um trabalho enorme pela frente. E, antes disso, precisa encontrar uma sintonia com o ambiente que comanda, fazendo que o pouco talento de que dispõe o elenco santista, ainda assim, possa ir ao campo. Nos últimos jogos, o Peixe tem sido uma equipe sem alma.

Para atingir esse objetivo, Leão não deve hesitar em escalar os jogadores em que confia, ainda que isso contrarie a idéia de ter, no time, o máximo de qualidade possível. Nesse sentido, deve se intensificar a entrada de jovens como Alemão, Tiago Luís, Paulo Henrique, Carleto, Alex e alguns outros, assim como as permanências, mesmo que criticadas, de Marcinho Guerreiro e Betão.

E no Rio de Janeiro…
Sobram goleadas construídas pelos quatro grandes do Rio. Inicialmente, é obrigatório ponderar o nível semi-profissional de América, Duque de Caxias, Volta Redonda, Resende, Americano e Mesquita. Em cinco jogos, o Botafogo fez 18 gols, o Vasco fez 12, o Flamengo fez 16 e o Fluminense fez outros 13.

Há de se esperar o início de outras competições para delimitar o quão fortes estão os times grandes cariocas. Mas, por ora, eles fazem sua parte – especialmente Botafogo e Flamengo, não dando tanta margem para as críticas, ao contrário do que ocorre em São Paulo.

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