Brasil

Quando os protestos se tornam uma guerra de torcidas

Dois episódios relacionados a futebol me chamaram muito a atenção nesta sexta-feira nas manifestações pelo Brasil. Duas torcidas se organizaram como exércitos para defender o “seu” território. Uma torcida organizada do Atlético Paranaense se mobilizou e ficou à frente da Arena da Baixada, em obras, onde supostamente manifestantes protestariam contra a Copa do Mundo. A confusão foi grande e houve um confronto entre manifestantes e torcedores. Em São Paulo, organizadas do Corinthians fizeram o mesmo em relação à Arena Corinthians, o estádio que será usado na abertura da Copa, também temendo depredações ao patrimônio do clube. Por sorte, não houve confronto na capital paulista.

Em Curitiba, torcedores organizados do Atlético Paranaense se armaram com paus, pedras e fogos de artifício. Não se sabe como começou o confronto com os manifestantes, mas o que aconteceu foi um cenário de guerra que só foi amenizado quando a polícia militar interveio. No total, 31 pessoas foram presas com os problemas de depredação nas manifestações na capital paranaense. Não há um número de feridos.

Em São Paulo, cerca de três mil torcedores de torcidas organizadas do Corinthians estavam perto do estádio em Itaquera, prontos para o confronto, caso os manifestantes chegassem ao local para depredar o patrimônio do clube. Ao contrário dos relatos em Curitiba, havia policiamento no local, preparado para alguma eventualidade. Felizmente, não houve qualquer tumulto. A manifestação que começou na Praça Silvio Romero, no Tatuapé, zona leste de São Paulo, seguiu rumo ao centro, não em direção à Itaquera.

As manifestações estão difusas pelo país e não há muitas causas uniformemente defendidas, mas parece que chegamos ao ponto que aproveitadores querem descontar o seu ódio onde lhe convém. Afinal, é uma grande chance de xingar o estádio construído pelo time rival e, para alguns, quem sabe causar algum prejuízo. É a manifestação de um individualismo clubista, preocupado em prejudicar o rival. O ato de montar uma “brigada” para defender não é melhor: é também uma forma de manifestar que o clube é mais importante do que a insatisfação popular.

Vou deixar claro novamente para não ter dúvidas: não é razoável querer destruir o estádio privado, de um clube, só porque ele receberá a Copa. Assim como não parece razoável que torcedores se organizem para atacar quem se aproximar do estádio – afinal, as manifestações podem ter apenas gritos contra a Copa, não depredações. De qualquer forma, o clima de agressividade e violência que se criou em torno de defender ou atacar patrimônio de clubes é um dos sintomas que as manifestações em São Paulo não só estão difusas, mas também que há pessoas pensando apenas no seu clube, não nos problemas do país.

Saiba mais sobre esses dois episódios em Curitiba (na Gazeta do Povo) e em São Paulo (no Estadão).

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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