Brasil

‘A maior parte dos protagonistas da Seleção de 2002 se provou protagonista depois’

Andrey Raytchtock, colunista da Trivela, traçou um comparativo dos protagonistas de hoje da Canarinho com os do pentacampeonato mundial

Assim como na atual edição, a seleção brasileira acumulou atuações ruins e tropeços inesperados nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2002 antes de garantir sua vaga no torneio, como a equipe de Carlo Ancelotti fez na noite desta terça-feira (10), na Neo Química Arena.

À época, nomes como Rivaldo e Roberto Carlos, por exemplo, foram alvo de críticas de imprensa e torcida antes do título mundial. Dito isso, a pergunta que fica é: será que esse roteiro vem se repetindo na Canarinho?

Traçando um comparativo com o atual momento da Seleção e a moral em baixa de seus principais jogadores, o colunista da Trivela Andrey Raytchtock lembrou, durante o Trivela FC desta terça-feira (10), programa semanal do site no YouTube, como os protagonistas daquela época sofreram e demoraram a alcançar tal “status”.

— A gente tinha mais protagonistas em 2002. Se você pegar a lista do Felipão para o jogo contra o Uruguai [que foi decisivo para a classificação], tínhamos o Romário, por exemplo. Os atacantes, se não me engano, eram Jardel, Élber, Romário e Euller. Claro que olhamos hoje, a luz do tempo, e falamos que esses caras são muito bons, e que sobravam atacantes no Brasil. De fato, só que eu acho que a maior parte dos protagonistas daquela Seleção se provou protagonista depois — iniciou Andrey.

— O Rivaldo era muito criticado desde as Olimpíadas de Atlanta, e nunca parou. É um cara que virou protagonista, virou melhor do mundo em 1999, ainda criticado. Ele conseguir ser melhor do mundo criticado no próprio país. E hoje, o Rivaldo que a gente tem, é o Rivaldo da Copa de 2002, depois das Eliminatórias. É o Rivaldo que foi, segundo alguns, o melhor jogador da Copa do Mundo.

‘Se o Vinicius Jr. for campeão do mundo, iremos ressignificar tudo’

Vinicius Junior em ação pela seleção brasileira
Vinicius Junior em ação pela seleção brasileira (Foto: Imago)

Andrey reforça a ideia de que, na seleção brasileira “certos protagonismos e certas mitologias foram construídas pelo tempo”. O jornalista lembra a reviravolta de Roberto Carlos com a Amarelinha e cita Vinicius Junior como um potencial candidato a repetir tal “premissa”.

Referência técnica e jogador mais decisivo do Real Madrid nas últimas temporadas, o atacante brasileiro não consegue reproduzir as boas atuações e manter tal regularidade com a camisa da Seleção. Por isso, passou a ser bastante criticado por imprensa e torcida.

— O Roberto Carlos, por exemplo, que hoje é um grande protagonista e um dos maiores jogadores da história da seleção brasileira, apanhou igual cachorro na Copa de 1998. Então assim, nome a nome, eu tenho convicção de que a Seleção de 2002 é melhor que a atual, mas acho também que certos protagonismos e certas mitologias foram construídas pelo tempo. Coisa que nenhuma seleção contemporânea vai ter, só quando ganhar e 20 anos depois a gente olha para ver quem era protagonista e quem não era.

— Acho que o Vinicius Junior, por exemplo, caso o Brasil seja campeão do mundo, a gente vai ressignificar tudo o que aconteceu com ele. Porque ele não ganhou a Bola de Ouro da France Football, mas ganhou o Fifa The Best. Então, por linhas tortas, ele já tem o (título) de melhor do mundo. E aí se ganha uma Copa do Mundo, vai parecer que a história dele sempre foi uma trajetória coerente.

— Mas essa trajetória coerente se criará depois de uma vitória. Então, acho que são comparações que não cabem muito. Acho que a situação de cada um é mais honesto de comparar, porque aí você tá comparando como estava o time em relação aos seus adversários. E naquela época, o Brasil estava em quarto lugar das Eliminatórias, e hoje também — concluiu.

O programa Trivela FC vai ao ar todas as terças-feiras, às 15h (horário de Brasília), com transmissão pelo YouTube e pelo perfil oficial do site no X (antigo Twitter). Agora sob o comando de Eduardo Deconto, a atração conta com a presença fixa dos colunistas Tim Vickery e Andrey Raychtock, que trazem análises e histórias sobre os temas mais interessantes do mundo do futebol.

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Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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