Brasil

Proposta gaudéria

Campeonatos Estaduais são a festa do interior e a chance dos times pequenos mostrarem que ainda vivem, certo? Errado. Os estaduais, no formato atual, tem feito com que times fortes e ricos encarem clubes zumbis,mortos-vivos que são desprezados pelas federações locais, preocupadas com a manutenção do poder, não com a qualidade dos campeonatos e muito menos em fortalecer os times pequenos. Mas como mudar isso? Mudar o calendário é um bom primeiro passo. E os amigos do Impedimento e do Toda Cancha mostraram que sim, há uma opção.

A alteração de calendário é necessária para manter os times ativos durante todo o ano. A possibilidade de ter jogos do início ao fim do ano mantém os torcedores atentos ao seu time, não apenas quando joga os mesmos campeonatos dos grandes times locais. Mais do que isso, fomenta a rivalidade dos times locais com jogos que valham, de fato. A proposta do Impedimento e do Toda Cancha é para o Campeonato Gaúcho, mas pode ser estudada e adaptada a qualquer estado, especialmente os que possuem situações semelhantes – a notar São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Bahia e Pernambuco, por exemplo.

A ideia é dividir o calendário em três competições: Gaúcho – Fase Preliminar, Gaúcho – Fase Final, e Copa RS. A primeira parte seria dividida em cinco zonais: Metropolitana, Fronteira, Campanha, Vales e Serra. Assim, não haveria divisões inferiores, todos os times jogariam nessas divisões regionais. Os times que jogam a Série D poderiam entrar na competição a partir do momento que forem eliminados da competição nacional – a cada fase, o time entra em um determinado momento do campeonato.

Nesse ponto, seria complicado aplicar essa fórmula em um estado como São Paulo, com muitos times pelo interior, o que tornaria inviável que todos jogassem zonais ou obrigaria uma divisão em um número muito grande de zonas. Seria preciso, talvez, juntar clubes da primeira e segunda divisão que não estão nas competições nacionais. Os demais teriam que continuar jogando divisões inferiores.

A segunda parte reuniria os campeões zonais disputam com os grandes clubes e demais times de Série A, B e C. Com no máximo 12 times, o torneio teria turno e returno para que todos enfrentassem a dupla Grenal. Os times teriam muitos jogos em casa e poderiam ter a chance de disputar partidas contra os dois maiores clubes do estado.

Embora a ideia seja boa, essa proposta tem 20 datas, o que ainda é muito pensando em um calendário anual para os times especialmente da Série A, mas também da B e C. Talvez fosse necessário um ajuste neste ponto, o que é mais fácil de fazer em São Paulo, neste caso. Como há quatro clubes grandes, estes seriam cabeças de chave em grupos – dois, por exemplo, com dez times em cada, jogando turno único –, o que permitiria aos clubes fazerem dois jogos contra grandes clubes e diminuir o número de datas.

A terceira parte da proposta é a Copa RS, que reuniria os times da fase zonal que não se classificaram para a fase final do Gauchão. Assim como a primeira fase, seria dividido por zonas e em duas etapas. Primeiro, só com os clubes que não disputam a fase final do Campeonato Gaúcho. Depois, na segunda fase, com os eliminados do torneio fase final do Gaúcho. Os primeiros colocados do torneio garantem vaga na Copa do Brasil e na Fase Final do Gaúchão. O campeão leva vaga na Série D.

Em alguns estados já há a Copa da Federação local, geralmente disputa no segundo semestre para dar atividade aos times. Assim, seria mais fácil manter essa competição, apenas com pequenas alterações, puxando para o primeiro semestre e dando mais prêmios aos times – as vagas na Copa do Brasil e o campeão disputando a Série D é algo que torna a competição atraente.

A proposta tem alguns pontos que eu não concordo – o número de datas, por exemplo, ainda me parece excessivo –, mas a ideia é muito boa como um todo. Propõe uma maneira de os times estarem o ano todo em atividade, diminuírem as distâncias de viagens, o que proporciona redução de custos. Propõe que o futebol se mantenha vivo, atuante e disputando um torneio que vale. Há embriões disso em alguns estados, mas precisa ser aprimorado.

Há formas de se chegar a um calendário um pouco mais racional.Com um pouco de criatividade e estudos sobre viabilidade, o futebol pode manter os times pequenos em atividade, permitindo que os torcedores de todo o país vejam seus clubes durante toda a temporada. Não é tão difícil. Só que precisa de vontade política. E eis a chave da questão. Um outro problema é o dinheiro, com os de cima ganhando de mais e não contribuindo nada para um futebol melhor – como as cotas de TV enormes para os clubes da Série A, criando abismos cada vez maiores. Mas esse é tema para uma outra coluna.

A proposta é muito mais detalhada e você pode ver detalhes no post “Um campeonato verdadeiramente Gaúcho” do Impedimento, onde há uma discussão sobre o tema. E convoco todos para que façam propostas similares para o futebol do seu estado. Desde já deixo aqui o espaço aberto para essa discussão e até para quem quiser fazer como o Impedimento e o Toda Cancha, com uma proposta pronta. Mandem suas sugestões e vamos mostrar que é possível que o futebol melhore e seja mais democrático do que hoje.

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Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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