Brasil

Promessa ou fenômeno?

Neymar só completará 17 anos em fevereiro, mas já é famoso há um bom tempo. Ainda era uma criança e já pedalava, ao lado de Robinho, em peladas de fim de ano. Essa superexposição do garoto, catapultada por Wagner Ribeiro e pelo próprio sucesso da geração de 2002, fez com que o atacante fosse tratado como craque desde o infantil santista. Com contrato profissional assinado há um ano, o jogador será, agora, promovido por Márcio Fernandes aos profissionais.

Na Copa São Paulo deste ano – a segunda de Neymar -, foi possível atestar as qualidades do atacante, que caiu diante do forte Cruzeiro nas oitavas-de-final. Inteligente, driblador e, ora objetivo, ora pouco prático, se destaca entre os bons companheiros do júnior santista. Com só 16 anos em um torneio majoritariamente ocupado por garotos de 18, se destacou e também foi cobrado como o dono do time. Seu estilo atrai opiniões distintas e faz com que as cobranças sejam duras. Teve comentarista de televisão perdendo a compostura…

O risco sobre Neymar é ser também muito cobrado assim que chegar ao time de cima. Em fevereiro de 2008, logo após completar 16 anos, o atacante pôde assinar seu primeiro contrato como profissional. Nos papéis, um salário estimado em R$ 25 mil mensais e, pasmem, uma cláusula de rescisão de 50 milhões de euros. O jogador é a cereja de um bolo santista: na Vila Belmiro, atualmente, se investem R$ 4 milhões por ano para encontrar novos Diegos e Robinhos.

Esses números e a expectativa criada já há alguns anos tornam a pressão sobre Neymar ainda mais consistente. Para encarar esses obstáculos, o jovem precisará, primeiro, de um respaldo psicológico muito forte. Em situação parecida, há dois anos, Lulinha chegou ao profissional do Corinthians cercado das mesmas situações e até hoje não se firmou.

A afirmação de Neymar reside também em suas condições físicas – até porque, técnica, não lhe falta. Segundo o site oficial do Santos, o atacante tem 54 kg distribuídos em 1,74 m, números diferentes de Diego – 73 kg e 1,73 m – e Robinho – 60 kg e 1,72 m no ano do título brasileiro. Contra defensores de quase o dobro de seu peso e pouca vontade de facilitar as coisas, a situação pode não ser muito favorável.

A verdade é que, para vencer já tão cedo entre os profissionais, Neymar precisará provar que é, de fato, o fenômeno que o Santos imagina que ele seja. Talento para ser um jogador decente, ele tem de sobra, mas só isso não basta para os dirigentes e a comissão técnica do clube.

Vasco e Corinthians: estreias esclarecedoras

Os amistosos de Vasco e Corinthians no último sábado abriram oficialmente as temporadas dos dois clubes. Enquanto o primeiro teve dificuldades para bater um adversário bastante frágil – Desportiva do Espírito Santo -, o segundo sobrou contra o Estudiantes, atual vice-campeão da Copa Sul-Americana. As partidas, embora não valham nada, serviram para mostrar os momentos de quem veio e de quem vai para a Série B.

Embora a chegada de Rodrigo Caetano e principalmente Dorival Júnior encham os vascaínos de otimismo, os nomes que têm desembarcado em São Januário não entusiasmam muito. Hoje, dá para dizer que o Vasco – que perdeu bons titulares como Wágner Diniz, Rafael, Madson, Edmundo e Leandro Amaral -, é tão fraco, no papel, quanto o time que caiu. As referências técnicas, Léo Lima e Carlos Alberto, não convencem ninguém, e no mais há apenas um ou outro jogador razoável ou promissor, como o lateral Ramon, o meia Jefferson e o atacante Alex Teixeira.

Além de tudo, o fato de ter que começar um trabalho do zero implica um período natural de adaptação para Dorival Júnior, que já mostrou virtudes em situações semelhantes em outros clubes. Entretanto, como o Corinthians de 2008, o Vasco já mostra que precisará se remontar em um segundo momento da temporada. Ou, além de dificuldades no Campeonato Estadual e também na Copa do Brasil, o Gigante da Colina também vai penar na Série B.

Quem faz o caminho inverso, no caso o Corinthians, mostra que está no rumo certo. Reforços pontuais deram um acréscimo sensível ao leque de opções de Mano Menezes, o que já pôde ser notado contra o Estudiantes. Sem Morais e Dentinho, Jorge Henrique e Túlio se mostraram substitutos à altura – este último, empurrando Elias para jogar mais avançado.

Mano Menezes também mostra competência, pois se vê uma equipe entrosada, com variações de jogada e capacidade de atacar e se defender com segurança – inclusive nas bolas paradas. Com a preparação física adiantada e um planejamento nos eixos, o Corinthians salta à frente dos rivais para iniciar o Campeonato Paulista com mais poder de fogo que os principais rivais. Independente de Ronaldo ter condições de jogo. 

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Equipe Trivela

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