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Ponte Preta segura o Palmeiras e volta à decisão do torneio no qual tem tanta história

O lugar da Ponte Preta na história do Campeonato Paulista é inegável. Desde 1902, apenas outros cinco clubes terminaram mais vezes entre os dois primeiros colocados: os quatro “grandes” e o Paulistano, potência dos tempos amadores, enquanto a Portuguesa foi alcançada. Vice-campeã seis vezes, a Macaca disputará sua quinta decisão. E tentará escrever um final diferente, capaz de abrilhantar seus quase 117 anos e as décadas de espera pela maior glória estadual. A maneira como os pontepretanos passaram pelo Palmeiras credencia para enfrentar seja quem for, Corinthians ou São Paulo. Depois do baile por 3 a 0 no Moisés Lucarelli, os campineiros seguraram a pressão dos atuais campeões brasileiros, com a derrota por 1 a 0 sem atrapalhar a caminhada até a final.

A Ponte Preta encarou o Allianz Parque transbordando, com 39 mil torcedores nas arquibancadas. E o Palmeiras partiu com ímpeto com a sua missão difícil. Buscou o gol durante boa parte do primeiro tempo, mas ficou no quase. Acertou o travessão, teve gol bem anulado, errou o alvo diversas vezes e reclamou de um pênalti não marcado. Já na segunda etapa, os alviverdes perderam ritmo, com os pontepretanos buscando o contra-ataque. Aos 37, Felipe Melo até conseguiu balançar as redes aos anfitriões, em tento que não atendeu as suas necessidades. No final das contas, a atuação avassaladora dos time de Gilson Kleina em casa carimbou a classificação. Em Campinas, uma multidão tomou as ruas para celebrar o retorno à decisão após nove anos.

O passado da Ponte Preta serve de referência, sempre que o time consegue retornar à final do Paulistão. Na vidada dos anos 1980, sobretudo, a Macaca contou com um timaço tarimbado para conquistar o título tão almejado. Entre 1977 e 1982, foram três vices, além de um terceiro lugar e de um quarto. A geração de Dicá, Oscar, Carlos, Juninho e outros grandes nomes merecia mais sorte. No entanto, se a história exalta o peso dos pontepretanos, mesmo sem o troféu, o presente merece ser valorizado pelo bom trabalho.

Estabilizada na Série A, com duas boas campanhas de meio de tabela, a Ponte caminha a passos firmes. E o desempenho neste início de ano permite sonhar. Santos e Palmeiras, os dois representantes paulistas na Copa Libertadores, já ficaram pelo caminho. Por motivos extracampo, talvez Corinthians e São Paulo sejam colocados como favoritos por parte da imprensa na virtual decisão. Todavia, dentro das quatro linhas, a Macaca não fica devendo em nada por aquilo que vem apresentando – inclusive, sem sofrer tanto com as oscilações quanto tricolores ou alvinegros. A possibilidade de levar a taça que falta ao museu do clube centenário depende apenas da bola, e nisso os pontepretanos já provaram do que são capazes. A chance está nas mãos.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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