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Ponte Preta passou por cima do Palmeiras, na atitude e na bola

O próprio técnico do Palmeiras, Eduardo Baptista, admitiu a passividade da equipe na entrevista após a derrota por 3 a 0 para a Ponte Preta, pela semifinal do Campeonato Paulista. Entrar em campo um pouco desligado depois de um jogo tão exigente física e mentalmente quanto o do Peñarol, na última quarta-feira, não deveria ser encorajado, mas é compreensível. Mas, uma vez atrás do placar, não houve melhora notável de atitude. E na bola, mesmo com os principais jogadores em campo, o atual campeão brasileiro também não foi páreo para a Macaca.

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A Ponte Preta merece muito mérito pela vitória. Não é problema dela que o Palmeiras tenha entrado em campo com a cabeça na lua. Antes dos 50 segundos, Fernando Prass precisou fazer duas defesas difíceis. No segundo rebote, Jeferson bateu cruzado, e William Pottker desviou para o gol. Não apareceu palmeirense para pressionar nenhuma das três finalizações, muito menos para supervisionar o jogador mais perigoso do time adversário, que estava livre, dentro da pequena área.

Cenário perfeito para a equipe campineira, que conseguiu um gol rapidinho e poderia atuar da maneira que mais gosta, reagindo e contra-atacando. A oportunidade para ampliar não demorou quase nada para aparecer. A jogada surgiu de um lançamento lateral. Zé Roberto perdeu a dividida no meio-campo e a bola chegou a William Pottker, que lançou Lucca. Um toque na saída de Prass foi suficiente para fazer 2 a 0.

Zé Roberto estava na marcação do segundo chute do primeiro gol da Ponte Preta. Estava meio perdido, correndo para lá e para cá, no segundo gol da Ponte Preta. E no terceiro gol, simplesmente escorregou, permitindo que Jeferson marcasse. Tem menos ou mais culpa em cada um deles, mas não são lances isolados. Desde o ano passado, demonstra limitações tanto na marcação quanto no apoio ofensivo. Chega atrasado na cobertura, como alguns minutos depois, quando Pottker avançou pelo seu setor e ele acompanhou de longe, pelo meio, e não vai à linha de fundo. O Palmeiras precisa encontrar uma alternativa para a posição.

O terceiro gol saiu aos 33 minutos, quando o Palmeiras já tinha tido tempo de perceber que disputava uma semifinal de campeonato contra um ótimo time, mas o melhor que saiu dos seus pés foi uma cabeçada de Borja, para fora, em um passe de Guerra, pela direita. Felipe Melo falou no intervalo que o time não havia entrado em campo acordado, o que deveria acontecer no segundo tempo. Eduardo Baptista voltou com Michel Bastos no lugar de Guerra. Aos 12, Alecsandro no lugar de Borja.

E a Ponte Preta estava confortabilíssima. Fernando Bob destruía tudo no meio-campo, Lucca, Pottker e Clayson voavam nos contra-ataques, e o Palmeiras não conseguia jogar. O técnico mudou peças, mas manteve a mesma estrutura tática, no 4-1-4-1, e a mesma estratégia de rodar a bola em busca de espaços, quando a exigência era por um jogo mais acelerado, principalmente porque a primeira opção claramente não estava funcionando, sequer para assustar e acuar o adversário, muito menos para ameaçar o goleiro Aranha. A melhor chance saiu aos 38 minutos, em um chute de fora da área de Michel Bastos.

E poderia ter sido pior para o Palmeiras. Fernando Prass cometeu um pênalti em Pottker, pouco depois da finalização de Bastos, que não foi marcado pelo árbitro. Mas o placar de 3 a 0 já é mais do que suficiente para a Ponte Preta fazer o jogo dela no Allianz Parque, onde tem conseguido bons resultados. O Verdão, por sua vez, precisa de uma mudança drástica de postura e de bola para ter alguma chance. Porque, nesses dois quesitos, levou um baile da Ponte Preta neste domingo.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.
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