Brasil

Peru 1 x 1 Kaká e Juán

A visita à árida Lima não é uma tarefa fácil. Não é necessário lidar com a altitude de La Paz ou Bogotá, nem com a rivalidade de Buenos Aires ou Montevidéu, mas ainda assim, não é bolinho. Talvez não seja uma potência, mas o Peru não é uma baba, joga direitinho e não raro, complica.

Isso fica ainda pior com a falta de motivação que os jogadores visivelmente têm em enfrentar um adversário de ‘segunda faixa’. Por mais que Dunga faça cara de mau, não dava para reconhecer nos jogadores do Brasil uma extrema vontade de levar os três pontos do time peruano.

Feita a colocação (para mostrar que não existe uma má-vontade total com o técnico da Seleção), não dá pára isentar Dunga de responsabilidade. Quando não tem os craques fazendo o serviço, o time desmonta, porque ninguém sabe bem o que tem de fazer. Contra o Peru, novamente Kaká resolveu, mas cabe perguntar até quando o expediente funcionará.

O problema mais claro do Brasil é nas bolas paradas e no acerto da marcação – coincidentemente ou não, exatamente aqueles nos quais o time mais depende do treinador. Contra adversários que têm alguma técnica e tentam agredir, o Brasil se desmancha fácil. A sorte é que o Peru respeitou mais do que devia.

O gol do peruano Vargas saiu numa falha de marcação aliada a um toque infeliz de Lúcio. O problema não é tomar um gol assim, que pode ocorrer eventualmente, mas a freqüência com a qual a Seleção falha dessa maneira.

Outra razão para o empate foi a qualidade das atuações individuais. Exceção de Kaká – que só não fez chover porque era Lima – e Juán, perfeito na defesa, as outras estrelas pareciam sonolentas, especialmente Ronaldinho e Robinho. O barcelonista ainda tem a desculpa de estar se recuperando de contusão, mas o madrileno parece não aprender que seu brilho no futebol não virá de malabarismos. No Monumental, tudo o que Robinho fez foi tentar refazer – sem sucesso – o drible que o consagrou contra o Equador.

Mas não foram só eles: Gilberto Silva foi uma sombra do jogador da temporada passada do Arsenal; Vágner Love esteve escondido como fez na maioria dos jogos da Seleção e Gilberto na lateral-esquerda segue como um enigma. Com todo mundo jogando com má vontade, era difícil Dunga fazer alguma coisa – mesmo se tivesse como. Para a sua carreira na Seleção, no entanto, ele ainda terá de lidar com os posicionamentos problemáticos e com o excesso de nomes burocráticos (como o próprio Vágner).
 

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Equipe Trivela

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