Brasil

“Perigo real e imediato”

O dia 22 de julho, a cada rodada que passa, não sai da cabeça do torcedor cruzeirense. O adversário era o São Paulo, àquele momento quarto lugar na tabela, empatado com o Cruzeiro, mas bem distante do líder Botafogo. Embora tenha aberto o marcador, o clube celeste permitiu a virada são-paulina, em pleno Mineirão.

A partir disso, Muricy Ramalho empurrava seu grupo rumo ao topo. Ao passo que ainda seja natural desconfiar do Vasco brigando por título e se olhe o Botafogo cada dia mais embaixo, é o Cruzeiro que se coloca, com credenciais, à frente dos outros times para almejar a liderança são-paulina.

O trabalho de Dorival Júnior beira o incrível, dada a capacidade do clube se reerguer rapidamente sem aquisições relevantes, embora o plantel, há de se admitir, já fosse bom. Quando chegou na Toca da Raposa, o treinador via a terra arrasada após uma traumática derrota para o Atlético Mineiro no âmbito estadual e um início marcado pelo 0x3 contra o Corinthians. Fragilidade mental, pouco comprometimento dos jogadores e lesões recorrentes compunham um cenário inicial desanimador. Ricardinho, Geovanni, André Luís e Gabriel comandaram uma lista de nomes “liberados”.

Sem outro trabalho pujante em um clube de ponta, Dorival Júnior, sujeito que alterna a personalidade entre pacato e sisudo, não transparecia a segurança de um Felipão, ou mesmo Emerson Leão. Todavia, sabia-se da sede que qualquer profissional tem em triunfar em sua primeira chance em clubes grandes. E o treinador cruzeirense, em pouco tempo, mudou o rumo. Aliás, como já havia feito no São Caetano.

Inicialmente jogando com três volantes e focado nos contra-ataques, Dorival Júnior colheu bons resultados contra Palmeiras e Grêmio, embora tenha perdido para o Juventude, muito em parte por atuação pífia de sua defesa. A partir da vitória no clássico local, o clube ganhou cara e ganhou Wagner, mais um que está aí para desmitificar a “morte” dos camisas 10. A virada sobre o Vasco, nos instantes finais, chamou a torcida para colaborar e solidificou a união do grupo.

Após voltar de Santos e Florianópolis com duas derrotas na bagagem, Dorival Júnior e o Cruzeiro precisaram de outro renascimento. Triunfos sobre Goiás e Náutico construíram uma atmosfera positiva para o duelo contra o São Paulo. Mesmo com a vitória nas mãos, a Raposa permitiu o revés, em um resultado que hoje faria toda a diferença. Após um empate contra o Atlético-Pr, já são cinco vitórias seguidas, quatro contra adversários diretos: Botafogo, Internacional, Sport e Fluminense. A disputa bipolar pelo Campeonato Brasileiro parece mais nítida a cada rodada.

Passado o período inicial da filosofia de contra-ataque, o Cruzeiro tem se imposto com autoridade sobre os adversários e, pouco a pouco, reduz seus problemas defensivos, o que não é simples dada a vocação que tem para o ataque. Nomes resgatados como Alecsandro – com sete gols em quatro jogos, Émerson e Wagner, deram um acréscimo de qualidade ao grupo, que já possuía jovens interessantes como Ramires, Guilherme e Thiago Heleno. Anderson, mais cedo ou mais tarde, se juntará ao time.

Até mesmo a habitual venda de jogadores em meio ao campeonato, até aqui, não causou danos sensíveis. Gladstone, Luizão e Araújo se foram, mas o padrão de qualidade não caiu, muito pela profundidade e qualidade do elenco. Regularmente, Roni, Fernandinho e Leandro Domingues também têm participado de maneira ativa nas vitórias da equipe e precisam ser citados na coluna.

A coesão do São Paulo, ao se olhar o cenário atual e fazendo projeções – claro, hipotéticas – só pode ser ameaçada pelo Cruzeiro de Dorival Júnior. O duelo eventualmente decisivo, entre as duas equipes, será em 31 de outubro, a seis rodadas do fim. Os cruzeirenses, desde já, esfregam as mãos e aguardam à mineira.

– Abaixo, alguns dados interessantes do primeiro turno do Campeonato Brasileiro:

Média de gols do turno: 2,81 por jogo
Melhor e pior ataque: Cruzeiro (40 gols em 18 jogos); América (16 gols em 19 jogos)
Melhor e pior defesa: São Paulo (7 gols em 19 jogos); América (42 gols em 19 jogos)
Maior sequência de vitórias: São Paulo (7 partidas)
Maior sequência de derrotas: América (7 partidas, ainda em curso)
Clubes que trocaram de treinador: 9 (Juventude trocou três vezes e Paraná Clube duas)
Clubes que lideraram: Atlético-PR (1 e 2); Paraná (3), Vasco (5), Botafogo (4,6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15 e 16), São Paulo (17, 18 e 19)
Esquema tático mais usado: 3-4-1-2
Melhor e pior média de público (até 18ªrodada) : Sport (26.071 por jogo) e Juventude (4.298 por jogo)
Maior e menor público: Botafogo x São Paulo (47.925) e Juventude x Náutico (2.086)
Sequência sem vencer: Corinthians (10 jogos)
Sequência sem perder: Botafogo (10 jogos)
Último invicto a cair: Botafogo, na 11ªrodada

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