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Perdida, a Chape foi dominada pelo Nacional e vê o sonho na Libertadores se distanciar

Ninguém esperava que seria fácil. O próprio sorteio já deixava claro que a Chapecoense enfrentaria dificuldades na Copa Libertadores. Os adversários, de qualquer forma, representavam apenas um dos obstáculos entre tantos, para um clube que se reconstrói. Apesar da boa estreia, no entanto, o Verdão do Oeste vê sua continuidade na competição seriamente ameaçada. Depois de uma derrota e um empate na Arena Condá, a Chape foi presa fácil para o Nacional de Montevidéu. Dentro do Gran Parque Central, o Bolso mandou no jogo e se aproveitou de uma atuação desencontrada dos catarinenses, enfiando 3 a 0 no placar.

Pressionando desde os primeiros minutos, com uma marcação bastante adiantada, o Nacional abriu o placar aos 16. A defesa se desligou, após um chute travado, e Kevin Ramírez acreditou até o fim para concluir quase sem ângulo. Faltava calma à Chapecoense, que não conseguia construir suas jogadas e errava muitos passes. Além disso, a defesa quase sempre estava exposta às investidas tricolores. Os uruguaios mais perigo até o intervalo.

No segundo tempo, o Nacional precisou de poucos minutos para definir sua vitória. Aos quatro, após bola levantada na área, Artur Moraes demorou a sair e Rodrigo Aguirre se antecipou ao goleiro para tocar de cabeça. A partir de então, a Chape se perdeu de vez. Luiz Otávio foi expulso por deixar o pé no adversário e, embora buscassem mais o ataque, os brasileiros se expunham aos contragolpes com um a menos. Os uruguaios perderam várias oportunidades até que Tabaré Viúdez marcasse um golaço, cortando a marcação e botando no ângulo, sem qualquer chance a Artur. Para piorar, Rossi também recebeu o vermelho infantilmente, ao apalpar um adversário. Desfalque importante para a sequência do torneio.

Vágner Mancini saiu de campo reclamando da arbitragem, por uma expulsão que realmente teria sido justa, mas isso não justifica a péssima atuação de sua equipe e o vermelho aos oponentes já em meados do segundo tempo pouco ajudaria sua equipe. E, principalmente, as suas escolhas ruins, apostando em um sistema com três zagueiros que não funcionou. Pior foi a falta de reação dos catarinenses, criando pouquíssimo e se perdendo nos nervos. A concentração e o ímpeto vistos na estreia e no jogo de ida da Recopa não vêm se repetindo.

Agora, resta à Chapecoense uma reviravolta dificílima. A vitória na próxima rodada, quando visita o Lanús, se coloca como vital. O Verdão soma quatro pontos, três a menos que os argentinos e os uruguaios, com as vagas nas mãos. E mais complicada que a virada na tabela será a transformação na postura do time, por aquilo que apresentou nesta quinta. Se resta um consolo, ainda há pela frente a chance de conquistar a Recopa e o Campeonato Catarinense, além da defesa do título na Copa Sul-Americana, caso termine à frente do Zulia na terceira colocação.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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