Brasil

Paysandu espera ansioso pelo Palmeiras. Sem medo

Belém parou no domingo. Estimados 40 mil torcedores foram até o aeroporto receber a delegação do Paysandu, que, mesmo com a derrota por 3 a 2 para o Macaé, havia conquistado o acesso à Série B do Brasileiro, de onde estava ausente desde 2006. No ano anterior, havia caído da A para a B.

O acesso não foi fácil. O time demorou a engrenar. Chegou a ficar oito jogos sem vencer. A torcida, revoltada, chegou a atirar garrafas no campo, no empate por 1 a 1 com o Icasa, o que ocasionou perda de mando em jogos seguintes. Depois, sob o comando de Lecheva, ex-craque do time nos tempos de Série A, o time cresceu e chegou ao acesso. Para nunca mais cair, como garante o presidente Ljuiz Omar Pinheiro, que não vê a hora de encarar o Palmeiras.

O Paysandu subiu. E agora?

Agora, fica um ano na B e vai para a A. Não tenho medo de dizer isso, não. A Série B de 2013 vai ser parecida com a de 2012, quando todo mundo apostava no Vitória, Goiás e Atlético-PR. No ano que vem, vai ser Palmeiras, Sport, Atlético-GO e nós. São Caetano, e mais um ou outro pode sonhar, mas nós é que vamos lutar.

E como é voltar a enfrentar o Palmeiras?

Ah, vai ser bom, mas vai ser melhor em 2014. Não podemos ter medo de ninguém. Olha, o Paysandu voltar é ótimo para o futebol brasileiro. A gente teve média de 13 mil pessoas em campo. Paysandu não pode ficar atrás de quem leva 100 pessoas para o campo.

Foi fácil subir?

Foi nada. Ainda estamos pagando dívidas antigas, tivemos dinheiro de patrocínio bloqueado. Perdemos R$ 1 milhão por ter enfrentado o Macaé no interior do Pará em campo com 8 mil pessoas. Era jogo para o Mangueirão, mas a gente havia perdido mando de jogo. Mas agora, é trabalhar. Eu não sou candidato à reeleição, mas quem entrar vai dar conta.

O que o Paysandu pode mostrar de bom na série B?

Conhece o Yago Pichachu? É o melhor lateral do Brasil. Revelação nossa. Fez 12 gols no ano, sem combrar penalti e em falta. É lateral e não é ala. Imagina ele em um time com mais recursos, jogando de ala no 3-5-2. É muito bom.

É o astro do time?

É a revelação. Nós somos um grupo unido, com folha de pagamento total, entre jogadores e comissão técnica na ordem de R$ 340 mil.

O que o senhor acha de Manaus ser sede da Copa e Belém ficar de fora?

Eu acho um crime lesa-pátria. Aqui tem futebol, tem rivalidade com o Remo, que vai se arrumar e reagir, tem torcida fanática, tem conquista. E o Mangueirão só precisava de uma reforma, como o Castelão. Mas preferiram fazer um elefante branco no Amazonas e outro no Mato Grosso.

 

Foto de Anderson Santos

Anderson Santos

Membro do Na Bancada, professor da Unidade Educacional Santana do Ipanema da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), doutorando em Comunicação na Universidade de Brasília (UnB) e autor do livro “Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol” (Appris, 2019).

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