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Paulo Baier interminável e destaques da 26ª rodada

A 26ª rodada do Campeonato Brasileiro não mudou tanto a tabela, mas teve momentos importantes. A vitória do Grêmio sobre o Botafogo, por exemplo, foi um duelo direto que vinha acontecendo já há algum tempo. O clássico paranaense teve o jogador mais veterano em campo decidindo o duelo. Um confronto em Belo Horizonte com dois alvinegros fazendo um jogo sem cor alguma mesmo. Teve ainda o clássico dos milhões (de pessoas perdendo tempo com um jogo tosco), a ex-quase rebaixada Portuguesa e mais. Confira:

 

Zerou

Atlético Mineiro 0x0 Corinthians

O que mais se ouviu antes: os dois últimos campeões da Libertadores. O que mais se ouviu depois: desculpas por um jogo fraco tecnicamente e com dois times que parecem alguém que saiu de um rodízio de pizza: até comeria uma sobremesa, mas já tá satisfeito. Nem Atlético, nem Corinthians fizeram um jogo digno dos seus melhores momentos recentes. O resultado foi mais ou menos o que se esperava: nada de mais.

Se o Atlético tem a desculpa de já estar classificado para a Libertadores do ano que vem (embora tenha o Mundial no fim do ano contra um dos melhores times do mundo), o Corinthians não tem, embora ainda tenha a Copa do Brasil a disputar. O Atlético ainda vinha de resultados positivos e de um futebol bom, que nesta rodada ficou esquecido. O Corinthians ainda oscila entre o péssimo e o razoável, o que é muito pouco para quem era candidato ao título

O sonho não acabou?

Botafogo 0x1 Grêmio

O Botafogo pareceu brigar pelo título, mas parece alguém acostumado a correr 10 quilômetros correndo uma maratona. Não aguenta mais e ainda tem muito jogo pela frente. O Botafogo caiu para quarto colocado, ultrapassado pelo Atlético Paranaense, e já corre um risco que parecia que não correria: o de ficar fora até da Libertadores. Ainda é só um risco, até porque os times que buscam entrar no grupo dos quatro primeiros também são instáveis.

O Grêmio tomou o posto de sonhador atrás do Cruzeiro. Será mais do que só um sonho? O golaço de Alex Telles no Maracanã é para empolgar, ainda que o futebol não empolgue. Os resultados estão vindo e o tricolor gaúcho parece o único capaz, tecnicamente e fisicamente, de ainda sonhar com o título.

Por que você não bate em alguém do seu tamanho?

Náutico 1×4 Cruzeiro

O que você espera quando um garoto da oitava série briga com um da quinta? Bom, foi mais ou menos o que aconteceu na Arena Pernambuco. O Cruzeiro entrou meio insolente, com aquele ar de moleque folgado que sabe que é mais forte que o cara que quer brigar. Até por isso, talvez tenha demorado a decidir – no intervalo, o jogo estava empatado.

No segundo tempo, bastaram 13 minutos para a vantagem já ser grande o bastante e o quarto gol, já aos 32, foi só a pá de cal. O Cruzeiro, neste momento, não dá nenhum indício que pode diminuir o ritmo. E é impossível não considerar o time como potencial campeão brasileiro, com 11 pontos de vantagem sobre o segundo colocado.

Rebaixamento? O que é isso?

Portuguesa 3×0 Santos

De candidata fácil ao rebaixamento no primeiro turno a uma situação relativamente tranquila no segundo. O passeio em cima do Santos mostra que a Portuguesa só tomou uma goleada do Cruzeiro porque o time mineiro é um ponto fora da curva no Brasileirão. Ponto para o trabalho de Guto Ferreira, demitido da Ponte, que continua lá embaixo, em penúltima, enquanto a Lusa já é 10ª colocada

A vitória também é mais um capítulo da boa fase do atacante Gilberto. E também um capítulo de uma outra série, a do Santos que bate em uma rodada e apanha em outra. Relativamente esperado, até porque não é um time nem para brigar por Libertadores, mas também não é para correr risco de rebaixamento.

O que importa é o golaço

Goiás 1×1 Criciúma

O jogo em si não tem muito o que ser destacado, mas o gol de Walter merece registro, replay e tudo mais que tem direito. Um golaço em uma cobrança de falta, em um chute com força do tamanho do seu desempenho no Brasileirão: enorme. Talvez Walter seja o melhor atacante do Campeonato Brasileiro, mesmo não sendo nem o artilheiro (tem nove gols e Ederson, do Atlético Paranaense, lidera com 15), nem em um time que faz uma campanha notável. O que, por si, mostra que Walter tem jogado muito bem mesmo.

Artilheiros alternativos

Bahia 1×1 Ponte Preta

William e Fernandão já foram de Santos e Palmeiras, entre os times mais notáveis pelos quais passaram. Saíram sem deixar saudades, mas estão aí, fazendo seus gols no Campeonato Brasileiro e ajudando seus times, na medida do possível. William, da Ponte, tem 13 gols e ainda briga pela artilharia, apesar da Macaca estar lá afundada na zona do rebaixamento, em 19º lugar. Fernandão deixou o Palmeiras e teve torcedor alviverde que até comemorou. Com 11 gols, o atacante do Bahia ajuda o tricolor a estar fora da zona do rebaixamento, em 14º. Daria até um filme: os renegados. Uma história que se repete, aliás.

Os dois perderam

Flamengo 1×1 Vasco

Um dos clássicos de mais rivalidade no Brasil, disputado em um campo neutro. O que não se esperava é que o jogo também fosse neutro. Um jogo que Wallace foi um dos melhores em campo dá a medida da sua qualidade. Sim, o jogo foi bem fraco e praticamente não há destaque algum a se fazer. O Flamengo é o 12º colocado, com 34 pontos. O Vasco é 17º, na zona do rebaixamento, com 29.

Cabeça fora da água

São Paulo 3×2 Vitória

A volta de Ney Franco ao Morumbi talvez tenha tirado o foco de Juan, lateral esquerdo, outro ex-São Paulo, que voltava ao estádio para enfrentar o clube que não o quis mais. Roteiro pronto para uma vingança, e ela quase aconteceu. O lateral marcou de pênalti e comemorou, sem bem saber como fazer isso – gol não é algo que Juan se acostumou a fazer nos últimos anos. O Vitória não soube lidar com os cruzamentos do São Paulo – dois gols saíram de bola parada -, ainda que tenha aproveitado o “azar de rebaixado” do São Paulo para capitalizar em cima de bolas que se oferecem aos atacantes adversários. O São Paulo ganhou com gol no final, na bacia das almas. Mas ainda está ali, em um flerte perigoso com o rebaixamento.

O bom velhinho

Atlético Paranaense 2×1 Coritiba

Paulo Baier, 38 anos. Um dos veteranos que se tornou destaque do Campeonato Brasileiro. O único deles que não parece sentir tão claramente o massacre de jogos sobre jogos. Dois gols no Atletiba, que não só dão a vitória ao seu time e o mantém no grupo dos classificados à Libertadores, como ainda afunda o rival, que já está perigosamente a dois pontos da zona do rebaixamento.

Um detalhe: Baier fez 25 jogos na temporada até aqui. Seedorf, por exemplo, fez 43, sendo 14 deles no estadual. Esse certamente não é o único fator para Paulo Baier estar tão bem na segunda metade do campeonato e com times fazendo oito ou nove jogos por mês, mas é um fator a se considerar, ainda mais para um veterano.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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