Brasil

Paraná Clube, agonia em três cores

O torcedor brasileiro já havia se acostumado em ver o Paraná Clube na primeira divisão nacional. Ainda que não seja um clube tradicional, com menos de duas décadas de vida, os paranistas faziam parte da zona média da classificação em boa parte dos últimos anos, quando estiveram na elite. Em 2007, ainda disputaram a Copa Libertadores em razão de uma sólida participação na Série A do ano anterior. 

No futebol, entretanto, como na vida, se manter entre os melhores é muito mais difícil do que alcançá-los. O segundo semestre de 2007, após a honrosa aventura continental, foi trágico na Vila Capanema. Ainda que não esteja em uma crise realmente profunda, surpreende ver o Paraná Clube agonizante.

Atualmente, os paranistas integram a zona de rebaixamento da segundona, com duas derrotas e dois empates em quatro jogos, inclusive uma lavada de 4 a 1 imposta pelo Fortaleza. Entre as justificativas, além da traumática eliminação na Copa do Brasil – perdendo de goleada para o Internacional -, está o baque de enfrentar a Série B. Após duelo com o Marília, jogadores admitiram que entraram de “salto alto” para enfrentar o MAC.

Além disso, Bonamigo vem enfrentando problemas para escalar alguns de seus titulares. A bruxa paira sobre o clube e o departamento médico vem sendo freqüentado constantemente. No momento, são seis jogadores importantes por lá. Além disso, chegar à Série B trouxe malefícios para a montagem de um bom elenco. Atualmente, falta qualidade ao grupo do Paraná Clube. 

Ao contrário dos últimos anos, o Paraná não consegue, na Série B, aplicar a receita que fez chegar sucesso ao clube. Foi lapidando bons valores no interior paulista e servindo de vitrine que o Tricolor montou equipes decentes, ainda que de curta durabilidade.

Hoje, fora da elite nacional, já não é mais visto com os mesmos olhos. Foi o rival Coritiba, por exemplo, que trouxe Michael, do Guaratinguetá, para disputar a primeira divisão. Carlinhos Paraíba e Guaru, hoje no Coxa, eram certos na Vila Capanema, mas preferiram jogar a Série A pelo rival. 

No momento, os principais jogadores do Paraná são formados no próprio clube. Giuliano, talentoso meia da Seleção Brasileira Sub-17 que disputou o Mundial Juvenil em 2007, destoa positivamente com a bola nos pés. Éverton, outro prata-da-casa, é ídolo da torcida paranista, carente de grandes jogadores. Daniel Marques e Angelo, após fracassadas passagens por Internacional e Cruzeiro, respectivamente, dão alguma identidade para a equipe de Bonamigo. É pouco em um cômputo geral. 

Internamente, o clube passa por mudanças no departamento de futebol, o que traduz mais instabilidade ainda, teoricamente. Paulo Welter assumiu o cargo, antes ocupado por Durval Lara Ribeiro, o Vavá, que assim se mantém apenas como vice-presidente de futebol. Ele, porém, é remanescente da direção de José Carlos Miranda, ex-presidente e afastado por irregularidade na transferência de jogadores como Thiago Neves. Nos bastidores, as mudanças têm como objetivo minar as forças de Vavá. 

Paulo Bonamigo, por ora, não tem sido tão pressionado pelos resultados ruins. Colhe, ainda, os frutos da melhora da equipe no Campeonato Paranaense, em que bateu o Coritiba e ainda foi à Arena da Baixada superar o Atlético. A julgar pela rotatividade de treinadores na Vila Capanema, isso não deve demorar a acontecer se a má fase persistir. 

Em tese, o Paraná tem um time à altura da Série B. Se não para atropelar, porém longe de brigar contra o rebaixamento. Organização e planejamento, entretanto, já mostraram distantes do Tricolor, que vê seus trunfos minados por estar longe da elite. Um 2008 nada feliz até aqui. 

E agora, Colorado?

O início do ano dava a convicção de que o Internacional chegaria forte para a disputa de grandes títulos novamente. Não que essa seja uma hipótese descartável, mas o próximo treinador – fala-se em Cuca e Muricy – tem uma herança abaixo do possível deixada por Abel Braga, que fez as malas para os Emirados Árabes Unidos.

No planejamento do Internacional, a Copa do Brasil era a grande prioridade da temporada. Assim, a eliminação na Ilha do Retiro, atingida em uma partida melancólica dos Colorados, colocou uma nuvem de pessimismo sobre o elenco, que vem atuando de maneira morna no Brasileiro. Em quatro rodadas, ficou nítida a falta de agressividade e determinação na equipe de Abel. 

Abel, aliás, paga pelas várias lesões dos últimos dias, além de uma onda de nervosismo: já são doze expulsões na temporada. Só no Brasileiro, foram quatro vermelhos em quatro jogos. A constante mutação tática do Inter também prejudica. Contra o Sport, no último sábado, Abel Braga improvisou o centroavante Adriano como ala-direito, por exemplo. Nilmar, que não vem rendendo, é prejudicado e atua isolado no comando do ataque. 

Só se passaram quatro rodadas e é possível que a chegada de um novo treinador, se bem selecionado, traga novo ânimo e oxigene o Internacional, precisando recobrar a consciência. Mas, hoje, no início de Série A, o Colorado é um dos que mais decepcionam. 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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