Brasil

Para voltar às cabeças

No Brasileiro-07, Vasco e Internacional, em São Januário, foi um jogo sintomático. Os gaúchos venceram e Nilmar, recuperado de mais uma operação no joelho, desfilou seu futebol rápido, lépido e indiscutivelmente mortal. Em outros jogos da reta final da última Série A, como contra Palmeiras e São Paulo no Beira Rio, o Inter deixava clara a sensação de que havia reconstruído seu elenco, já tinha uma forma definida de atuar e oferecia, então, a idéia de que virá mesmo muito forte nesse ano que se inicia.

Ao contrário do início do ano passado, quando teimava em reforçar o elenco campeão mundial, agora o Internacional faz o correto. O plantel para 2008, em grande parte, foi formado há quatro meses, aproximadamente. Jogadores como Guiñazu, Nilmar, Sorondo, Magrão, Gil e Orozco já estão ambientados ao Beira Rio e se juntaram bem à espinha dorsal existente, com Fernandão, Iarley, Índio, Alex e Edinho.

É claro que foi justamente isso que fez com que o Internacional, no segundo turno, não conseguisse manter o foco e brigar por vaga na Libertadores. Abel Braga, após um tempo fora do clube, já não detinha a situação sob controle e, por muitas vezes, hesitou em encontrar um time ideal. Todas essas nuances, entretanto, resultaram em um horizonte consistente para 2008, em que Abel já pode ter controle sob os jogadores de que dispõe.

Ao se olhar esses nomes que o técnico tem em mãos, não há como não confirmar a tese. Enfim, Renan parece receber o aval – inclusive de Clemer – para vestir a camisa um. Quem acompanha o goleiro sabe de seu enorme potencial e de sua maturidade. Zagueiros como Sorondo, Índio e até mesmo o jovem Sidnei, certamente oferecerão tranqüilidade para o jovem arqueiro, que tem tudo para dominar a posição por muitos anos e ser, em Pequim, o titular de Dunga.

Nas laterais, qualidade de sobra e que poucas equipes hoje no Brasil possuem. Pela direita, Bustos chega como destaque das Eliminatórias, da Libertadores e com uma rápida, porém muito boa, passagem pelo Grêmio. À esquerda, Marcão é um atleta viril, versátil e de um perfil pouco comum nos jogadores da posição no país. Defende com enorme eficácia, atua como zagueiro caso preciso e sabe o momento ideal para ir à frente.

No meio-campo, uma série de grandes opções. Guiñazu e Magrão podem formar uma dupla de volantes bastante técnica e a tendência pode deixar o bem cotado Edinho sem lugar entre os titulares. Alex, caso se mantenha fisicamente bem, é um nome indispensável. Wellington Monteiro e Roger também podem evoluir, enquanto Abel parece disposto a se utilizar de Maycon e Ji-Paraná, dois jovens de muito nome e pouco potencial. Algo que sobra para Tales, principal figura das equipes de base coloradas e chegando aos profissionais.

A quantidade de bons nomes para Abel, no ataque, é muito grande. Fernandão e Nilmar dispensam apresentações e Iarley, dono de muita moral no Beira Rio, ainda tem muita lenha pra queimar. Adriano parece um nome importante para compor elenco, assim como se espera de Gil um bom futebol. Guto, elogiado como Tales, certamente ganhará oportunidades.

Trabalhando forte desde o início do ano, com a disputa do Torneio de Dubai, resta saber como estará, fisicamente, o Internacional. Mas, acima de tudo, o clube parece disposto e capaz de, em 2008, repetir o que vinha fazendo em 2004, 2005 e sobretudo 2006. Imediatamente, a Copa do Brasil pinta como um alvo provável. É bom olhar o Colorado.

De olho em quem vem aí

A Copa São Paulo é, antes de tudo, chance para os clubes aproveitarem jovens jogadores em seus plantéis. Nesta e nas próximas duas semanas, a coluna aponta as perspectivas de aproveitamento de jogadores da competição nas onze principais equipes do país – o Botafogo abdicou da Copinha.

São Paulo

A equipe são-paulina é, sem dúvidas, uma das mais talentosas do país. Por sua vez, Muricy Ramalho é bastante relutante ao uso de jovens jogadores no time de cima, optando quase sempre por aguardar o momento correto para lançar os garotos. Nessa linha de raciocínio, é difícil acreditar que alguém além de Sérgio Mota, já usado ao longo de 2007, possa receber oportunidades do treinador. Eric, Juninho e Bruno Formigoni, porém, também têm bola pra isso.

Flamengo

A base flamenguista é hoje, ao lado de Cruzeiro e Grêmio, provavelmente, a mais forte do Brasil. Atletas como o goleiro Marcelo, os atacantes Paulo Sérgio e Pedro Beda e principalmente o meia Erick Flores, devem receber atenção especial na Gávea. Contudo, nem sempre ter o time profissional em boa fase significa oferecer espaço para os meninos, algo com que Joel Santana deverá lidar. Kayke, já com idade superior aos 18 anos permitidos na Copinha, é outro nome interessante, mesma situação do lateral Davidson.

Atlético-MG

Outro clube que vem muito bem no trabalho de base, o Galo também tem valorizado suas pratas da casa, também porque pretende faturar com vendas para o exterior. Em 2007, o clube vendeu Paulo Henrique, Diego e Lima, além de ganhar cifras com outros nomes obscuros, como Zé Antônio e Quirino. Renan Vieira, atacante tido como um nome diferenciado no Atlético Mineiro, já está confirmado por Geninho para 2008, assim que encerrar sua participação na Copinha. O zagueiro Lázaro, o atacante Yuri e o lateral-esquerdo Léo Veloso, este já com idade acima do permitido na competição, também estão bem cotados.

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