Brasil

Para o inferno em 110 dias

Uma larga invencibilidade, sob vitórias magras, passava a falsa impressão de que o Grêmio caminhava em mares seguros após as saídas de Mano Menezes e titulares importantes como Diego Souza, William, Tcheco e Tuta. As eliminações surpreendentes no Campeonato Gaúcho e na Copa do Brasil, em um intervalo inferior a uma semana, fizeram o Olímpico se transformar em um barril de pólvora. E o próprio clube tratou de transformar seu ambiente em algo infernal. 

Logo após as eliminações e a crise que naturalmente se forma, o Grêmio viu o homem forte de seu futebol, Paulo Pelaipe, deixar o Olímpico. Pelaipe, por mais controverso, impulsivo e polêmico que possa ser, tinha caminho livre nos bastidores e era o homem de confiança do presidente Paulo Odone. Era uma referência que qualquer clube precisa, ainda que sob métodos questionáveis. Os fatos seguintes, porém, têm sido ainda mais perigosos para uma temporada que está apenas em abril. 

Para ocupar o cargo de Pelaipe, o presidente gremista acertou o retorno de André Krieger, marcado pelo trabalho que teve com Celso Roth em sua passagem anterior, no fim da última década. Krieger, que era oposição à atual direção, trouxe consigo ainda mais problemas. A cúpula que tocará o futebol do tricolor gaúcho recebeu o acréscimo de Luiz Onofre Meira, crítico ferrenho de Odone nos últimos anos e que já disse publicamente que o cartola era o “Hugo Chavez” do Olímpico. Milton Kuelle foi outro que chegou, mas é considerado neutro nesse ambiente explosivo. 

Luiz Onofre Meira é o nome mais problemático na nova direção gremista. Eduardo Antonini, membro do influente Conselho de Administração, deu de ombros quando questionado sobre a manutenção de Celso Roth. “Foi opção do novo diretor de futebol”, teria dito. Manter o treinador, aliás, foi um passo desnecessariamente perigoso, além de possivelmente muito equivocado.  

A permanência de Celso Roth, automaticamente, revoltou boa parte da torcida gremista. Roth, por mais que não seja o único culpado pelas eliminações, não é um nome agradável. Com tempo hábil para uma preparação razoável para o início do Brasileirão, um acordo com o técnico e a vinda de um outro nome capacitado era o mais ideal. Com uma equipe limitada, mais do que nunca, o Grêmio precisará de paz e muito incentivo para realizar uma campanha digna na Série A.  

Nesse sentido, a ausência de Mano Menezes já começa a ser sentida. Nos anos recentes, o Grêmio se acostumou a colher grandes resultados com equipes limitadas, mas com o espírito vitorioso tão tradicional da camisa tricolor. Não é todo dia, porém, que se consegue uma química dessas. Com Celso Roth, indiscutivelmente, fica mais difícil. Não que seja um péssimo treinador, mas Roth tem uma reputação pública tão ruim que sua presença em qualquer clube grande brasileiro vem se tornando inviável.  

Quando as coisas em campo não vão bem, é pior ainda se ter um ambiente interno problemático. Odone, ao se aproximar de membros da oposição, perdeu o significativo apoio do Grêmio Independente, grupo influente que ajudou em sua reeleição. “Não se pisa nos teus parceiros para buscar aliados”, reclamou Marcelo Aiquel, membro do grupo.  

Há quem pense que Odone fez uma troca positiva. Diz-se que as atitudes tomadas nas últimas semanas podem aumentar seu número de aliados, já que a oposição também tinha números significativos. De qualquer forma, trata-se de um cenário nada agradável no Olímpico.  

Celso Roth já começará o Campeonato Brasileiro pressionado e isso é indiscutível. Assim, se torna ainda mais preocupante uma olhada na tabela gremista nas primeiras rodadas da Série A. São Paulo (fora), Flamengo (casa), Náutico (casa), Vasco (fora) e Fluminense (casa) – no mínimo, três jogos complicadíssimos contra favoritos ao título.  

Para piorar, a saída do capitão Eduardo Costa é algo praticamente consolidado. Seu empréstimo termina no meio do ano e o Espanyol quer, por ele, um valor que o Grêmio não pode pagar. Solução em outros momentos, a base já teve alguns de seus principais valores queimados em razão da difícil situação do time. Felipe, Adílson Warken, Maylson e Wagner, quatro dos nomes mais promissores da atualidade, estão totalmente em baixa.  

Nunca é conveniente apontar um clube da grandeza gremista como candidato ao rebaixamento na primeira divisão. Trata-se de uma camisa das mais pesadas do Brasil e de uma mística indiscutível e já colocada em prova por outros momentos. Ainda assim, é bem preocupante a continuidade da temporada do Grêmio. Contra fatos, descritos acima, não há argumentos.  

Do outro lado do Rio Grande do Sul… 

Em um estado bipolar como o Rio Grande do Sul, o sucesso alheio é tão preponderante quanto a própria desgraça. Assim, o bom prenúncio que surge no horizonte do Internacional é ainda mais desolador para o panorama tricolor. Mesmo que não possa superar o Paraná na Copa do Brasil, o que parece o mais provável, o Inter tem boas perspectivas.

Classificado para a final do Campeonato Gaúcho, o time de Abel Braga tem muitas atenuantes para ser considerado um dos favoritos para a Série A. Um desses é a presença de jogadores diferenciados como Nilmar e Fernandão, se não bastasse as formas exuberantes de Alex e Guiñazu. Outro, o elenco numeroso e versátil. Mais outro, um treinador experiente e aclimatado como Abel Braga. Mais um, é a forma do Colorado nas últimas edições, com exceção do tétrico 2007. 

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Leia resumos de Ponte Preta x Guaratinguetá, Palmeiras x São Paulo e Botafogo x Fluminense no blog deste colunista:
http://dassler.blogspot.com 

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