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Palpite de Rogério Ceni era corretíssimo. Ney errou muito

Fato. Assim é a linguagem do twitter, em quatro letras impondo verdades. Não gosto, não sou partidário de assertivas que não aceitam contestação, prefiro as nuances ao branco-preto. Mas, o jogo de ontem, no Morumbi, trouxe, para mim, dois fatos incontestáveis.

O primeiro é que Rogério Ceni extrapolou. Mesmo tendo mais de vinte anos de clube, mesmo sendo capitão, ele não pode passar de suas funções. É pago para jogar e não para escalar. Ao ultrapassar essa linha tênue, deixa o treinador Ney Franco em péssima situação, confrontado por um subalterno durante uma partida decisiva. Traz marola ao clube que já demonstrou amar tantas vezes. Rogério precisa entender que, se para os torcedores mais jovens ele é M1TO, para o clube ele é apenas empregado.

Deve ficar quieto? Não. Mas poderia ter falado com Ney Franco no intervalo do jogo, explicando as dificuldades que o time estava tendo durante a partida.

E aí vem o outro fato, para mim, inquestionável. Rogério Ceni estava certo e Ney Franco, errado. O goleiro pediu Cícero, que deveria ter começado a partida. Não consigo entender o que Ney Franco vê em Ademilson, um atacante baixo e de pouquíssimos gols. Dá a impressão de que é necessário agradar Juvenal Juvêncio, fã do jogador. De que é preciso ter alguém de Cotia no time, mesmo que tenha atuação nula na partida.

Com Lucas de um lado e Osvaldo do outro, é lógico se pensar que muitas bolas correrão pela área do adversário. Com Ademílson, as opçõs diminuem porque, falemos a verdade, é difícil imaginá-lo cabeceando. William José, que não é um bom jogador, poderia fazer mais. E tem um bom chute de fora da área.

Mas a melhor opção era Cícero. Ele cabeceia bem. E poderia fazer outra função, trocando passes com Lucas e Osvaldo, em um ataque mais rápido e técnico. Ney preferiu Ademílson. Como já fizera outras vezes, sem resultado.

Terminado o primeiro tempo, não mudou. E o jogo chegou aos 20 minutos com uma carga de drama que eu nunca gostaria de enfrentar, se fosse técnico. É a hora da indecisão: recuo o time para garantir o empate que me classifica ou arrisco o time no ataque para fazer o segundo gol?

Foi então que Ceni pediu Cícero. Opção corretíssima principalmente porque a bola ficaria mais tempo com o São Paulo. Preferiu William José. E depois, errou novamente. Tirou Jadson, deslocou Lucas para o meio e colocou Douglas na ponta. Cícero foi novamente escanteado.

Por fim, é preciso dizer que Lucas, quando Luís Fabiano está fora, precisa resolver o jogo. Ele é muito bom, foi vendido para a Europa, não tira o pé de divididas, mas não pode jogar só isso de ontem. Lucas precisa melhorar para chegar ao nível de um Muller, esse sim, sempre decisivo em seus tempos de titular.

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