Brasil

Palmeiras sem fibra, tática e jogadores, caminha para a Segundona

Há muitas maneiras de se explicar uma vitória ou uma derrota. Desde a sopa de números 4-2-2-2-, 4-3-1-2, 4-3-2-1, 4-2-3-1, 4-3-2-1 até ilações geométricas como quadrado mágico, losango, losango invertido e por aí vai. São números e expressõe que tentam explicar o que aconteceu em campo. Mas, muitas vezes servem como redutores do conhecimento.

Sim, porque há partidas que se ganham pela simples razão de que é necessário vencer. São páginas bonitas do esporte. Quando não há opção. É vencer ou vencer. Nesses casos, o contrário de vitória não é derrota. É drama, é vergonha, é martírio.

Foi o que aconteceu com o Palmeiras. Em um momento crítico do campeonato, muito abaixo de sua grandeza, o time tem a grande chance de enfrentar um rival direto na luta contra o rebaixamento. O tal de jogo dos seis pontos. Se vencer, a diferença cai para três pontos. Se ganhar, chega a nove. Não há o que fazer. Tem de ganhar. Jogando bola, dando um show, com golaços e canetas? Sim, mas se não der, tem de ganhar na porrada, na discussão, na vontade, mostrando para o adversário quem manda no jogo.

O Palmeiras não fez nada disso. O Coritiba soube se impor taticamente desde o primeiro minuto de jogo. Fez o que quis em campo. Não estou falando de domínio técnico, mas estratégico. O empate seria muito bom para o Coxa, então joguemos a meia velocidade, façamos um jogo morno, sem grandes emoções. Houve um momento em que o lateral-esquerdo tocou para o quarto-zagueiro, que tocou para o centrl, que recuou para Vanderelei, que tocou para o lateral.

E ninguém pressionou. Os atacantes não se aproximaram, não tentaram induzir o erro do adversário. Foram 45 minutos assim, um toque toque que não interessava ao Palmeiras. Na saída de campo, Marcos Assunção disse que os dois times estavam receosos de tomar o primeiro gol, o que tornaria a virada muito difícil.

 Terrível, não? Se fosse um jogo normal, o Palmeiras atacaria muito mais, sem medo do primeiro gol? Ah, sim, existe o drama da insegurança, mas a verdade é que o jogo não era normal. A vitória era obrigatória. E ninguém jogava assim.

No segundo tempo, o Palmeiras se soltou. Correu riscos, apesar de Thiago Heleno precisar de muita atenção para cobrir Leandro, que não jogava uma partida de futebol há um ano. Como se chega a uma situação dessas? Em um jogo decisivo, escalar-se um aposentado?

O Palmeiras foi ao ataque. Colocou Maikon Leite, Daniel Carvalho – aliás porque começar com Denoni, Assunção e Henrique, três volantes? – e Vinícius, mas o Coritiba novamente usou a estratégia correta. Recuou, fechou o meio da área e trouxe Rafinha para mais perto de sua defesa, pela direita. Armou-se para o contra-ataque.

Foram cinco. Dois, a defesa do Palmeiras dominou. Um,  a  bola bateu na trave. Outro, o gol de Deivid foi mal anulado. E no último, já no finalzinho, houve o penalti grotesco que Deivid converteu. Só para lembrar: o pênalti começou em uma jogada errada de Correa, que estava PRESSIONADO por um atacante, coisa que o Palmeiras nunca fez.

Faltou tudo ao Palmeiras. Faltou jogador? Sim, mas dá para perdoar, todo mundo sabe que o elenco é ruim. Faltou tática? Sim, o treinador errou, como já errara contra o São Paulo.  Faltou fibra, raça, um dedo no nariz de Lincoln, que mandou no jogo? Sim. E isso é imperdoável.

Foto de Anderson Santos

Anderson Santos

Membro do Na Bancada, professor da Unidade Educacional Santana do Ipanema da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), doutorando em Comunicação na Universidade de Brasília (UnB) e autor do livro “Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol” (Appris, 2019).

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