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Palmeiras precisava demitir Felipão. Mostrou que é grande

13 de setembro, 17h30: O Palmeiras acabou de demitir Felipão. Fez certo. Por quê? Abaixo segue a versão original desse post, publicada às 16h28 com o título “Palmeiras precisa demitir Felipão. Para mostrar que é grande”

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O Palmeiras precisa demitir Felipão para tentar reencontrar-se com seu passado de glórias. Isso pode parecer incoerente quando se lembra que, após cinco anos, o time ganhou um título importante. Sob o comando de Felipão. Certo, mas é preciso, por mais que doa, entender que o título foi um ponto fora da curva. O normal, sob Felipão, foi perder a Sul-americana em casa para o Goiás. Foi ser eliminado pelo Guarani no Paulistão.

E foi, sem dúvida, apresentar um mau futebol há muito tempo. Valdívia é descompromissado? Pedro Carmona veio e já foi? Fernandão, Gerlei e Rivaldo eram horríveis? Quem trouxe, quem aceitou, quem escalou?

Hoje em dia há uma corrente politicamente correta que defende a tese da permanência de treinadores para que o trabalho apareça. É a única profissão em que se pode errar sem pagar. Ora, Scolari está lá há muito tempo e o time não reage. Mostra fragilidade tática, técnica e emocional. Física, também e principalmente. Não se aguenta em campo até o final do segundo tempo.

Mesmo o palmeirense mais fanático, se visse os números de Felipão, sem saber que dele se tratava, recomendaria a demissão. Mas, como é o Scolari…

Esse é o outro grande problema do Palmeiras. Como o clube, futebolisticamente falando, vem em franca decadência há muito tempo, os torcedores se apegam a longínquos momentos de glória. E o nome que aparece é o de Felipão. Ele não é tratado como um treinador, é visto como alguém que não erra, como um salvador, como um padrinho. Como alguém MAIOR que o Palmeiras.

Por isso, é fundamental demiti-lo. Scolari não é maior que o Palmeiras. Outro técnico pode chegar e mudar o rumo do time. Ou, não. A queda pode vir com o substituto também. Mas, trocar o treinador agora é algo a se fazer. É uma carta a se jogar. Mesmo que desesperada. Ficar com ele e esperar o time cair para depois dizer,se fosse outro seria a mesma coisa, vamos fazer um time barato de quem honra a camisa, ganhar a série B e reagir blablabla é muito conformismo. É admitir que, para o Palmeiras, nunca haverá alguém como Scolari. Pelo seu passado e não pelo seu presente.

Foto de Anderson Santos

Anderson Santos

Membro do Na Bancada, professor da Unidade Educacional Santana do Ipanema da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), doutorando em Comunicação na Universidade de Brasília (UnB) e autor do livro “Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol” (Appris, 2019).

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