Brasil

“Um dia, a gente vai retornar para onde nos acolheram”, diz pai de Endrick, emocionado

O pai do craque do Palmeiras imagina um retorno ao clube que projetou seu filho mundialmente

Em sua última decisão como jogador do Palmeiras, que valeu ao Palmeiras o tri do Campeonato Paulista, Endrick viveu um pós-jogo digno do tamanho do futebol que vem jogando.

Endrick só conseguiu deixar o gramado por volta das 22h. Mais de duas horas depois do apito final do campeonato conquistado, em muito, graças a ele. O camisa 9 foi, de longe, o jogador mais assediado no campo do Allianz Parque após o jogo.

Onde o atacante ia, uma multidão o perseguia. A ponto de os seus familiares não conseguirem ficar perto dele. Gabriely, 21, namorada do jogador, por exemplo, ficou muito tempo apenas olhando de longe, enquanto Endrick era cercado.

“Vamos abrir”

Já o irmão Noah, 4, fazia questão de ficar sempre por perto. Ficou no colo do atacante durante a entrada ao vivo dele na Cazé TV. Depois, ia aonde Endrick fosse. Quando o jogador se viu cercado, em cima do pódio, foi Noah quem gritou: “Vamos abrir, vamos abrir”, para que o irmão pudesse escapar.

“Gente, eu não sei quanto peso essa estrutura aguenta. Estou falando sério”, gritava um funcionário da Federação Paulista de Futebol, assustado com a quantidade de gente em cima do pódio, marcando o jogador do Palmeiras.

Já os pais de Endrick eram celebridades com luz própria. Douglas posou para mais fotos do que alguns dos jogadores campeões. A mãe, Cintia, dava abraços indiscriminados e ia às lágrimas em algumas conversas.

“É um sentimento de gratidão. Eu nem falo de dever cumprido porque acredito, que daqui a alguns anos, (quer dizer,) a gente acredita que vai retornar para a casa onde nos acolheram, onde acreditaram no meu filho”, disse Douglas, à Trivela e alguns outros jornalistas.

“Eu estou muito feliz pelo título. Meu filho queria muito sair com o título. Eu tenho que agradecer muito a Deus e ao Endrick. A dedicação dele, o foco, os pés no chão, a humildade. Sempre falei isso para ele. Espero que ele continue. E que não só o torcedor palmeirense, mas todo torcedor que gosta de futebol, torça por ele”, disse.

Douglas começou a se emocionar quando indagado sobre o que passava na sua cabeça diante da última conquista do filho pelo Palmeiras antes da mudança para a Espanha

“Isso pega bem na ferida. Eu sei as necessidades, tudo que passei, para a gente chegar até aqui. Tentei, por várias vezes, ser jogador de futebol, mas não consegui. Cheguei a vir de Brasília para São Paulo, e não consegui. Mas Deus me presenteou. Eu acho que o abraço que ele me deu lá no (Estádio Santiago) Bernabéu já diz tudo”, continuou.

Douglas então fez uma pausa, antes de prosseguir.

“É até difícil de falar. Você acaba voltando lá atrás. Tenho que agradecer ao meu filho por tudo que ele vem fazendo. Como sempre falo que, ele sempre continue a ser esse garoto que ele é, que nunca mude a essência. Se talvez eu fosse jogador de futebol, eu não estaria preparado para tanto sucesso, então, Deus me preparou para eu poder educar meu filho”, finalizou.

Endrick tem cerca de dois meses de Palmeiras, até se transferir definitivamente para o Real Madrid, em julho, quando completará 18 anos e estará legalmente apto a trabalhar na Espanha.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata Lima

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.
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