Palmeiras vive paradoxo no qual até aumento de arrecadação vira gatilho de crise
Alviverde anunciou mais um acordo comercial nesta terça-feira (05), que reforça o uniforme mais valioso de sua história
O ano de 2025 mostra o Palmeiras como líder em mais de um aspecto. Esportivamente, fez a melhor campanha da primeira fase da Copa Libertadores e tem o segundo melhor aproveitamento do Campeonato Brasileiro.
Fora de campo, tem hoje o uniforme mais valioso de sua história. Com o anúncio do acordo com a marca de utensílios domésticos D’Itália Panelas, o clube chegará à arrecadação de R$ 148 milhões anuais garantidos.
Segundo o “ge”, a Alumínios Firenze, proprietária da empresa, vai pagar até R$ 6 milhões anuais — com bônus — pelo contrato que vai até 2029. O valor fixo é de R$ 4 milhões/ano.
Palmeiras chega a marca de R$ 550 milhões com reforços
Se o dinheiro que entra é alto, o que sai também é recorde. Com a chegada de Khellven por cinco milhões de Euros (R$ 32 milhões, consoante a cotação atual), o Palmeiras atinge cerca de R$ 550 milhões com nove reforços: Micael, Bruno Fuchs, Emi Martínez, Lucas Evangelista; Facundo Torres, Vitor Roque, Paulinho e Sosa — além de Khellven.
E embora sejam ótimas notícias, a verdade é que o Palmeiras e o seu torcedor, exigente como poucos no país, conseguem transformar a receita e investimento em uma pressão proporcional aos valores em questão.
Nas redes sociais, o que mais se vê são críticas ao time calcadas no valor investido. Comentários na linha “gastou meio bilhão e perde para o Corinthians” aparecem aos montes. Com a agravante de o Corinthians dever aproximadamente R$ 2 bilhões ser normalmente citado.
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Uma tonelada nas costas
No pós-jogo de domingo (3), contra o Vitória, o discurso de muitos mostrava indignação com o fato de o time reserva, do goleiro ao atacante mais avançado, não ser bom. Ao Palmeiras, para alguns, não basta um bom time: é preciso dois. Afinal, na conta do torcedor, as receitas permitem isso.
Para quem está na arquibancada, é difícil concluir o contrário quando se sabe que o Palmeiras projeta repetir, ao fim do exercício de 2025, a mesma arrecadação total do ano passado, que superou R$ 1 bilhão — sem computar os R$ 216 milhões brutos conquistados na Copa do Mundo de Clubes.
Palmeiras 🤝 D'Italia Panelas 🇮🇹
— SE Palmeiras (@Palmeiras) August 5, 2025
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Para explicar a pressão que Vitor Roque sentia no Palmeiras, o técnico Abel Ferreira disse que via o jogador como alguém que carregava 50 kg nas costas ao entrar em campo, pela expectativa que os 25 milhões de euros investidos na sua vinda exerciam sobre ele.
Pois em Abel e no time, a pressão é maior. Se os 25 milhões de Roque deram a ele um fardo de 50 kg, dá para dizer que o Palmeiras entra em campo com mais de uma tonelada, somado o valor total gasto para montar, manter e renovar este elenco.
O tempo não tem preço
O cálculo financeiro, porém, é frio. Não computa o peso da venda dos dois jogadores mais talentosos do time na temporada — Ríos e Estêvão — e a dificuldade que é substituí-los. Tampouco considera que, como um todos, o time vive uma renovação, e que tal processo leva tempo para “assentar”.
Do time que perdeu para o Fluminense na rodada final do Campeonato Brasileiro do ano passado, apenas cinco titulares devem iniciar contra o Corinthians na quarta (6): Weverton, Giay, Gómez, Aníbal e Maurício — Piquerez estava lesionado.
Micael, Evangelista, Facundo Torres, Vitor Roque e Ramón Sosa, que possivelmente completarão a equipe no jogo decisivo da Copa do Brasil, nem sequer eram jogadores do clube na ocasião.
Como tudo na vida, o futebol também se constrói com processos. E fazer um time renovado encaixar e jogar bem não está entre os mais fáceis e rápidos. Mesmo com muito dinheiro, tempo é algo que ainda não se pode comprar. Tampouco a paciência do torcedor.
E, desse modo, parte da torcida do Palmeiras segue num ciclo em que qualquer equação que fuja de “maior arrecadação + maior investimento = mais títulos” é inaceitável.
Mas outros cálculos não apenas são totalmente possíveis como prováveis, dado que há outros clubes vivendo seus ciclos de maior ou menor sucesso. E, acima de tudo, porque o futebol é um jogo, e não uma operação matemática.



