BrasilCampeonato Brasileiro

Palmeiras foi voraz para aproveitar os erros do rival e massacrar o São Paulo

O domingo de clássico normalmente dificilmente é um dia para comemorar goleadas. Clássicos são jogos duros, disputados, muitas vezes com entradas ríspidas, nem sempre com grande futebol. Sonhar é sempre possível e às vezes se torna realidade. O torcedor do Palmeiras que foi ao Allianz Parque viveu o sonho. Era dia de Choque-Rei contra o São Paulo e as lembranças do primeiro jogo entre os dois no estádio eram excelentes. Os 3 a 0 feitos no Campeonato Paulista traziam sorrisos aos palmeirenses. Desta vez, tinha tudo para ser diferente. E foi. O Palmeiras deixou o São Paulo fazer os movimentos e, como um esgrimista, foi preciso para atacar o adversário e mais do que vencer, golear o rival. O placar de 4 a 0 não foi um exagero. Poderia ter sido até mais, com um plano de jogo que funcionou perfeitamente.

LEIA TAMBÉM: Que tal ver o Palmeiras na Libertadores 1999 com narração à la Super Nintendo?

O São Paulo começou bem a partida. Usando o seu estilo de posse de bola, o time criou algumas chances. Pato começou aberto pela esquerda e Michel Bastos pela direita e o time conseguiu bons lances. Em um deles, Pato fez um lindo lance, driblando a marcação, abrindo espaço e finalizando bonito, mas a bola foi para fora. Michel Bastos também perdeu uma boa chance trabalhando bem a jogada com Luis Fabiano, mas chutando muito longe do gol ao receber de volta. Foram bons 30 minutos do São Paulo, mas no seu estilo: muita posse de bola, passes de lado e poucas chances, especialmente dentro da área.

Jogando em casa, o Palmeiras começou a ser mais perigoso aos poucos. E em um lance bem trabalhado pelo seu meio-campo, Egídio recebeu a bola e cruzou para o meio. A bola foi rasteira e passou por Arouca, mas chegou em Leandro Pereira. O centroavante chutou, a bola desviou em Souza e entrou: 1 a 0, aos 32 minutos. O time alviverde passou então a dar as cartas. Sabendo do estilo do adversário, o Palmeiras deu campo, mas não deu espaço. E o São Paulo, como uma presa na teia de aranha, pareceu se enrolar mais cada vez que se mexia.

Logo depois do gol, o Palmeiras ainda teve uma outra grande chance. Em um escanteio, Victor Ramos subiu de cabeça sozinho, mas tocou na trave. A chance apareceria de novo para o camisa 3 do Palmeiras. Novo escanteio e, desta vez, o zagueiro subiu bem e tocou de cabeça para o gol: 2 a 0 para o Palmeiras. Em um curto espaço de tempo, o Palmeiras já parecia pronto a fazer mais gols. O São Paulo ainda tentava entender o que acontecia, como um adversário atordoado.

No final do primeiro tempo, o São Paulo tentou apertar e perdeu mais uma chance com Michel Bastos pela direita, mas o camisa 7 não estava nos seus melhores dias. Finalizando de pé direito, que não é o mais forte, ele chutou fraco e o goleiro Fernando Prass defendeu com os pés. Foi a última boa tentativa do time.

O segundo tempo teve o São Paulo tentando colocar mais ainda o Palmeiras no seu campo de defesa. Só não sabia que esta era a armadilha do Palmeiras: queria o espaço que o São Paulo oferecia e aproveitar os imensos buracos que o time tricolor tinha sem a bola. O Palmeiras, com o jogo na mão, não hesitou em cravar a espada no coração tricolor quando teve a chance. O time não esperou para ver o que o São Paulo faria, nem se teria forças para se recuperar dos 2 a 0. Logo a 13 minutos, armou um contra-ataque rápido, que terminou em um cruzamento de Egídio do lado esquerdo para a finalização de Rafael Marques, livre, pela direita: 3 a 0.

ESPECIAL DIA DOS NAMORADOS: SÃO MARCOS

O que parecia difícil, a essa altura, virou quase impossível. O Palmeiras, então, aproveitou. Leandro Pereira tinha dado lugar a Cristaldo. O atacante recebeu uma bola belíssima de Egídio, da intermediária, para tocar de cabeça, já dentro da área, e vencer Rogério Ceni. O Palmeiras impunha uma goleada ao São Paulo no Allianz Parque: 4 a 0. Eram 27 minutos e, dali em diante, o Palmeiras fez o que quis do jogo. O São Paulo, perdido, não conseguia mais ter nem motivação para reagir.

A torcida alviverde aproveitava. Gritos de olé ecoaram no estádio palestrino, com o São Paulo dando ainda mais espaços. Os 4 a 0 deram ao Palmeiras o alívio e tranquilidade de poder jogar sem acelerar. Mesmo assim, ainda teve mais chances de fazer mais gols do que ficaram perto de tomar algum. O gol são-paulino não parecia que sairia. As jogadas não funcionavam, o Palmeiras não dava espaços. O São Paulo, ao contrário, parecia um deserto na defesa. Faltava só as bolas de feno passando. Quem passava, então, eram os jogadores do Palmeiras, em grande velocidade, prontos a causar mais estragos em um time já batido.

As estatísticas mostraram o plano de jogo. O São Paulo teve 59,5% de posse de bola, enquanto o Palmeiras teve 40,5%. Em chutes, o Palmeiras foi superior e teve 12 contra 9 do adversário. Teve oito escanteios contra só dois do São Paulo. Desarmou 21 vezes, enquanto o São Paulo só fez isso cinco vezes. O Palmeiras foi fatal. O São Paulo foi, como muitas vezes já se constatou, um tubarão sem dentes. Um problema que o time mantém há algum tempo.

O São Paulo deixa o clássico com muitos problemas defensivos para resolver. Irá enfrentar o Atlético Paranaense na próxima rodada na Arena da Baixada, em Curitiba, onde o Furacão venceu todos os jogos e sequer tomou gols. Será preciso um time muito mais seguro, ainda que ofensivamente o time tenha começado o clássico bem. Os espaços dados pelo time são um problema grande para se resolver em tão pouco tempo – o jogo é na quarta-feira. O São Paulo viveu contra o Palmeiras algo que precisa ser a lição para o time de Juan Carlos Osorio se quiser sonhar alto: um time técnico e que mantém posse de bola é insuficiente se não for eficiente e se der tantos espaços na defesa.

Marcelo Oliveira, por sua vez, estreia com uma goleada para deixar os torcedores felizes. Soube explorar a principal deficiência do adversário, os espaços oferecidos. Egídio explorou muito o lado do lateral Bruno, que ficou desprotegido. Rafael Marques novamente foi grande em um clássico, mostrando que é um jogador que sabe trabalhar com a bola e sem ela, se posicionando bem. O time mostrou muita força para se defender bem, mesmo oferecendo campo a um time técnico como o São Paulo. Rápido, o time estava preparado para contra-ataques fatais. Usou e abusou e poderia ter até criado uma goleada maior. Fez 4 a 0, o que entra para a história.

Na próxima rodada, na quarta-feira, o Palmeiras receberá a Chapecoense, novamente em casa, e chega embalado e empolgado para subir ainda mais na tabela. Com 12 pontos e em 10º lugar, o time começa a mirar a parte de cima da tabela. O jogo deste domingo serviu para o torcedor palmeirense voltar a olhar para o topo. E tem todos os motivos para isso.

Mostrar mais

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo

Bloqueador detectado

A Trivela é um site independente e que precisa das receitas dos anúncios. Considere nos apoiar em https://apoia.se/trivela para ser um dos financiadores e considere desligar o seu bloqueador. Agradecemos a compreensão.