Brasil

Por que toda foto com Endrick parece icônica?

Não é só no Brasil: já virou comentário até no exterior que toda foto na qual ele está parece ser histórica

A despeito de pagar mais de R$ 45 milhões ao campeão, entre prêmios e verbas de TV e marketing, o Campeonato Paulista, que o Palmeiras decide com o Santos, a partir das 18h deste domingo (7), deixou de ter um sentido em si para o Palmeiras atual.

Para ser campeão sem pênaltis, o Palmeiras precisa vencer por dois ou mais gol de diferença. O Peixe joga pelo empate.

Em meio a tantas recentes conquistas de Campeonato Brasileiro e Copa Libertadores, o Estadual parece precisar sempre de algo a mais, um apelido ou motivação, para ter mais peso para os torcedores.

O de 2020 era a revanche contra o Corinthians, por conta de 2018, e acabou se tornando o “Paulista do pênalti Patrick de Paula”. O de 2022 virou o da “Virada com goleada sobre o São Paulo” e “O primeiro do Abel”. O de 2023, tornou-se “O do bicampeonato”. E o deste ano, se vier, será eternizado como “O último do Endrick”.

De malas prontas para Madri, onde começará sua trajetória no Real, em julho, Endrick tem no Paulistão sua última chance de levantar um troféu como jogador do Palmeiras. Pode até ser que, um dia, ele retorne ao clube onde joga desde o sub-11. Mas nada indica que isso acontecerá em um futuro breve.

Desse modo, essa será também a última oportunidade para fotojornalistas brasileiros, popularmente chamados de fotógrafos, gastarem o dedo em busca de fotos do camisa 9 como campeão. Imagens que têm tudo para parecerem históricas, como são quase todas que capturam Endrick.

Mas por que tantas fotos de Endrick tem essa aura de momento histórico?

O mais diferenciado desde o Ronaldo

Nelson Coelho é um dos fotojornalistas esportivos mais reconhecidos do Brasil. Com mais de 30 anos de profissão, três Copas do Mundo no currículo (1994, 1998 e 2010), e passagens por Placar, Época, Diário Popular e Diário de S. Paulo, cansou de fotografar craques. E crava:

“Desde o Ronaldo (Fenômeno), ele é o jogador mais diferenciado que vi jogar”, afirmou ele, em entrevista à Trivela.

Hoje, Coelho trabalha para a editora Panini, focado em retratos para álbuns de figurinha. Mesmo assim, busca credenciamento para diversos jogos do Palmeiras, com o objetivo único de fotografar Endrick.

Endrick comemora gol contra o Novorizontino (Nelson Coelho)

“Eu fiz duas Copinhas, sem precisar, só para fazer fotos dele”, contou Nelson. “Eu fico o tempo inteiro em cima dele. Quando existe um jogador como ele, muito diferente, desde o tempo do Careca, mesmo quando o lance não está ao lado dele, eu fico em cima. Porque é dele que pode sair algo diferente, uma imagem marcante”, explica Coelho.

“Uma coisa que gosto no Endrick é que ele comemora de verdade, do jeito que está sentindo mesmo. Ele até faz dancinha, e disso não gosto. Mas, normalmente, ele comemora o gol de verdade, raiz”, diz.

Para ele, o que faz as imagens de Endrick terem esse aspecto histórico é o próprio Endrick e como ele age e joga.

“Muitos fazem como eu. E, quando você tem cada momento de um jogador observado, a chance de grandes fotos aumenta”, diz. “O Endrick é que provoca isso. E não é só jogando. Essa comemoração com o tapete com o símbolo do Palmeiras, por exemplo. Eu não sei se alguém o instruiu para isso. O negócio está ali sempre, mas foi ele quem foi lá pegar”, exemplifica Nelson Coelho.

O experiente fotógrafo tem um objetivo especial no que diz respeito a Endrick:

“No profissional, ele ainda não fez um gol de bicicleta. Na época da base, ele vivia tentando bicicletas. Só faltava sair no domingo (hoje)”, disse.

Os jogadores Raphael Veiga e Endrick (D), da SE Palmeiras, durante treinamento, na Academia de Futebol. (Foto: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon)

Ele tem algo extra, diferente

Cesar Greco trabalha como fotógrafo oficial do Palmeiras desde 2005. Desse modo, ele certamente é quem mais registrou fotos de Endrick como profissional, dado que está em todos os jogos e é o único com acesso para fotos no centro de treinamentos do clube.

“Isso é do jogador. Porque ele, além de fazer coisas diferentes no campo, de se envolver em momentos especiais, nos jogos e nos treinos, é também um cara de brincar com as pessoas, de chamar a atenção para ele. É da personalidade dele também”, diz Greco.

“Endrick é daquele tipo de jogador que as agências às vezes mandam um fotógrafo para ficar só em cima dele. Então, imagine isso somado ao que ele faz em campo. Vão sair imagens marcantes”, diz ele.

O jogador Endrick, da SE Palmeiras, comemora a conquista do Campeonato Paulista, Série A1, contra a equipe do EC Água Santa, após partida válida pela final, volta, na arena Allianz Parque. (Foto: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon)

“É uma junção de fatores. Todo carisma dele, como ele age, mais o talento, fazem com que a atenção se volte para ele”, diz. “E ele tem o jeito dele de comemorar, natural, que também fazem boas fotos”, diz.

Nelson Coelho e Cesar Greco estarão a postos neste domingo no Allianz Parque para mais uma fornada de fotos épicas. Ao menos, é isso que os dois profissionais, e todos os palmeirenses, esperam.

“Se o Palmeiras ganhar, eu vou ficar atrás dele, o tempo todo. Até fotografo um ou outro jogador, mas eu vou ficar o tempo todo em cima dele, com a taça”, diz Nelson Coelho.

O jogador Endrick, da SE Palmeiras, comemora seu gol contra a equipe do São Paulo FC, durante partida válida pela déciia rodada, do Campeonato Brasileiro, Série A, no Estádio do Morumbi. (Foto: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon)
Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata Lima

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.
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