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Palmeiras na Copinha: veja as campanhas do time na competição de base

Atual bicampeão da Copa São Paulo, Palmeiras é o time mais vitorioso na base nos últimos anos

A famosa piada de que o Palmeiras não tinha Copinha foi encerrada com muito mérito e em dose dupla nos últimos dois anos. O atual bi-campeão da principal competição de base do país reformulou a estrutura de suas camadas jovens e é uma das principais forças para garantir mais um título do torneio em 2024. O Alviverde faturou as edições de 2022 e 2023 de forma invicta e chega focado a buscar um inédito tri-campeonato no próximo ano.

Entretanto, apesar do caminho do Palmeiras ser exemplo para os demais times, inclusive os grandes, o Verdão precisou se atualizar, focar no desenvolvimento de seus atletas e investir em uma estrutura de ponta para conseguir tais resultados. Até as campanhas vitoriosas de 2022 e 2023, o Alviverde tinha sido apenas vice-campeão da Copinha em duas oportunidades, em 1970, na 2ª edição da competição e depois em 2003, perdendo a final para o Santo André.

Vamos relembrar as principais campanhas do Palmeiras na Copa São Paulo de Futebol Júnior. Na edição de 2024, o time palmeirense está no Grupo 24, com sede em Barueri e vai enfrentar na primeira fase o Oeste, Queimadense e União ABC.

1970: vice-campeonato na 2ª edição da Copinha

O formato da Copa São Paulo de 1970 era totalmente diferente do atual. O torneio de base era disputado somente por equipes da capital paulista e naquela edição contou apenas com a participação do Corinthians, do Juventus da Mooca, do Santos e do Palmeiras. A disputa era simples, com os quatro times sorteados para definir os confrontos da semifinal em jogo único, com os vencedores garantindo vaga na decisão. O time Alviverde venceu o Juventus e por 3 x 1 e encarou o Timão na grande final.

O Timão, por sua vez, eliminou o Santos ao vencer por 3 x 2. Vale lembrar que todos os jogos da edição de 1970 da Copa São Paulo de Juniores foi disputado no Centro Educacional e Esportivo Vicente Ítalo Feola, no bairro da Vila Nova Manchester. Curiosamente, as semifinais foram disputadas no dia 24 de janeiro, em dois horários distintos e a decisão um dia depois, 25 de janeiro, data que marca o aniversário da cidade de São Paulo.

A equipe corintiana bateu o Palmeiras pelo placar de 4 x 2 e conquistou o bi-campeonato da competição, já que em 1969, ano da 1ª edição, o Alvinegro venceu o Nacional-SP por 1 x 0.

2003: Palmeiras fica mais uma vez no quase

Muito mais organizada e tradicional do que em 1970, a Copinha de 2003 teve a participação de 64 times, divididos em 16 grupos com quatro clubes em cada chave. Na época, somente os campeões de cada grupo avançavam para a 2ª fase, o que aumentava ainda mais as disputas pela liderança de cada chave e já na primeira fase proporcionava “finais” antecipadas pela classificação. Foi o caso do Santo André, campeão daquela edição, que na primeira fase caiu no Grupo P, ao lado do São Paulo, do Goiânia e do Sergipe.

Tanto o Ramalhão como o Tricolor venceram seus dois primeiros jogos, sendo assim, o vencedor do confronto no último jogo da chave estaria classificado para as oitavas de final. O Santo André mostrou muita qualidade em campo, venceu por 4 x 2 e passou para a fase seguinte. Já o Palmeiras, que caiu no Grupo A ao lado do Bahia, do Cachoeiro do Espírito Santo e do Joseense, passou em primeiro após golear o time capixaba por 4 x 2 e a equipe de São José dos Campos por 6 x 1. No confronto frente ao Tricolor Baiano, empate por 3 x 3 e classificação garantida no saldo de gols.

Nas oitavas de final, o Palmeiras passou pelo Taubaté, líder do Grupo B após empate por 1 x 1 no tempo normal e triunfo nos pênaltis por 4 x 3. Nas quartas, o adversário foi o Vitória-BA, líder do Grupo D. Dessa vez o Alviverde não precisou recorrer aos pênaltis e venceu por 3 x 2. Na semifinal, goleada acachapante por 7 x 1 diante da Inter de Limeira, que eliminou o Corinthians no Grupo K. Na final, o surpreendente Santo André seria o seu adversário.

O time do ABC Paulista vinha surpreendendo a crítica com um futebol alegre, muito consistente defensivamente e eficiente no ataque. Nas fases anteriores, o Ramalhão havia eliminado o Botafogo-RJ por 1 x 0, o Cruzeiro por 3 x 2 e o Vasco da Gama por 2 x 0, ou seja, chegou para esta final com muita moral e acreditando que poderia fazer história contra o Palmeiras.

Como esperado, a final da Copa São Paulo de Juniores de 2003 foi emblemática, com o Palmeiras abrindo 2 x 0 e quase encaminhando seu primeiro título na competição. Porém, em uma demonstração de resiliência e força de vontade, o Ramalhão foi buscar o empate e conseguiu o título na disputa de pênaltis.

Time base do Palmeiras vice-campeão da Copa São Paulo 2003: Deola, Paulo Renato (William), Daniel, Tiago e Diego Souza. Alceu, Fabio Francez (Juliano), Júlio César e Leandro (Vinícius). Vágner Love e Edmílson.

2022: 1º título palmeirense com direito a show no Allianz Parque

As campanhas seguintes do Palmeiras na Copa São Paulo de Juniores não agradava à torcida, muito menos a diretoria do clube, já que as piadas envolvendo o fato do Verdão nunca ter ganho a competição eram frequentes entre os rivais. Este cenário mudou em 2022, quando treinados por Paulo Victor Gomes, atropelaram seus adversários, conquistando o torneio de forma invicta e em grande estilo, goleando o rival Santos por 4 x 0 no Allianz Parque.

A caminhada Alviverde naquele ano começou no Grupo 28, ao lado do Real Ariquemes de Rondônia, ASSU-RN e do Água Santa. Na primeira fase, duas vitórias e um empate classificaram o Verdão na liderança da chave. Na fase 32 avos de final, goleada sobre o Mauá por 4 x 0, em seguida, mais um belo placar, dessa vez 3 x 0 sobre o Atlético Goianiense. Nas oitavas de final, vitória mais apertada, por 2 x 1 diante do Internacional. Nas quartas, nova goleada, dessa vez sobre o Oeste por 5 x 2 e na semifinal vitória suada frente ao São Paulo por 1 x 0.

Sentindo-se literalmente em casa na final diante do Santos, o Palmeiras não tomou conhecimento do Peixe. Endrick, hoje no Real Madrid, balançou as redes logo aos cinco minutos do primeiro tempo. Giovani aos 11 e Gabriel Silva 16, abriram 3 x 0 de vantagem para os palmeirenses e praticamente garantiram o título ainda no primeiro tempo. Restou tempo para mais um gol na etapa complementar, marcado novamente por Gabriel Silva, aos oito minutos, e finalmente o Palmeiras se tornava campeão da Copa São Paulo de Juniores.

Time base do Palmeiras campeão da Copa São Paulo 2022: Mateus; Garcia, Naves, Lucas Freitas e Vanderlan; Pedro Bicalho, Fabinho e Gabriel Silva; Jhonatan, Giovani e Endrick.

2023: bi-campeonato e consolidação como potência na base

Se a campanha de 2022 do Palmeiras na Copa São Paulo de Juniores já tinha sido excepcional, a de 2023 foi ainda melhor, com o time conquistando a competição de forma invicta pela 2ª vez consecutiva e vencendo todos os seus adversários, marcando nada mais nada menos do que 30 gols em nove jogos, mais de três por partida. Na primeira fase, o Verdão caiu no Grupo 3, ao lado de Juazeirense, Rio Preto e América-SP, foram três vitórias em três jogos e classificação garantida para a 2ª fase.

Na primeira eliminatória, goleada diante do Sampaio Corrêa pelo placar de 6 x 0, na fase 16 avos de final, nova goleada, dessa vez diante da Juazeirense, mesma adversária da fase de grupos, pelo placar de 4 x 0. Nas oitavas, novo placar elástico, 4 x 0 diante do Mirassol. Seguindo atropelando quem viesse pela frente, o Palmeiras venceu o Floresta por 5 x 0 nas quartas de final. A partir daí, vitórias mais apertadas diante do Goiás, por 2 x 1 na semi e pelo mesmo placar frente ao América-MG e mais um título da Copinha conquistado, transformando o Palmeiras em uma potência no desenvolvimento de novos atletas para o cenário do futebol brasileiro.

Time base do Palmeiras campeão da Copa São Paulo 2023: Aranha; Edney, Henri, Talisca e Gustavo Mancha; Léo, Pedro Lima e Vitinho; Estevão, Kevin e Ruan Ribeiro.

 

Foto de Lucas de Souza

Lucas de Souza

Existe um ditado que diz que o bom filho a casa retorna não é? Pois bem, sou Lucas de Souza, redator e repórter do Futebol na Veia, de volta ao site após quatro anos, e agora redator do Trivela, um dos maiores portais de futebol do Brasil. Sou jornalista, especializado em Marketing digital e narrador do Portal Futebol Interior e também da RP2Marketing.
Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata Lima

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023
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