Palmeiras de Giay e Moreno estabelece tendência no mercado sul-americano
Clube alviverde se coloca como uma via alternativa ao Oriente Médio e Rússia
Endrick (16), Estêvão (17), Luis Guilherme (18), Kendry Paez (16), Valentín Barco (19). Todos sul-americanos contratados por clubes da Europa. Todos, com menos de 20 anos quando chegaram a acordos para se transferirem (os números em parênteses).
Virou regra tácita, em especial nas duas últimas temporadas: passou de 19 anos, os europeus já não se interessam mais. Ou, se contratam, pagam muito menos, como se a simples mudança no RG os piorasse como atletas.
É claro que há exceções. O Nottingham Forest levou Danilo, ex-Palmeiras, com 21. Murillo, zagueiro ex-Corinthians, já tinha 22. E Gustavo Scarpa, mesmo que não tenha dado certo, foi a maior exceção de todas, com 28.
Mas o Forest, mesmo na Premier League, se trata de um clube médio. Sudacas acima dos 19 em clubes de ponta, só se vierem de outras agremiações europeias.
E aí, aparecem mercados alternativos. Na Europa mais ocidental, Portugal é um dos poucos que absorvem jogadores da América do Sul mais “velhos”. Mais para o leste do mapa-múndi, é o futebol russo que oferece espaços. Depois, a oportunidade só surge nas equipes do Oriente Médio.
Aos poucos, porém, o Palmeiras vai mudando um pouco o leque de opções.
A rota brasileira
Em especial em 2024, o Alviverde vêm mostrando aos coirmãos filiados à Conmebol que existe uma outra via. Agustín Giay, 20, chegou do San Lorenzo na noite de segunda-feira (25) para assinar com o Verdão. Na Argentina, sua contratação vem sendo tratado como espantosa.
Foi o mesmo com Aníbal Moreno, trazido em janeiro do Racing. Amado pelos palmeirenses, e retribuindo tal sentimento no campo, o volante já tinha 24 anos quando assinou com o Verdão. Na Argentina, era visto como um dos maiores meio-campistas da liga local.
O também argentino Flaco López completou 21 quando desembarcou na Academia de Futebol, em 2022. E o uruguaio Piquerez fez 22 no mesmo ano.
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Pensamento inverso
Enquanto os europeus pensam em levar atletas cada vez mais jovens, o pensamento de Abel Ferreira é oposto. Em diversas coletivas, o técnico mencionou apreço por receber jogadores prontos.
Se é para preparar atletas, raciocina o técnico, é melhor encampar tal processo com os formados no clube. Se é para contratar, que cheguem prontos para vestir a camisa.
E, desse modo, vai se formando uma curiosa receita não apenas no Palmeiras, mas em todos os clubes do Brasil. Jogadores fenomenais sobem cada vez mais cedo para os profissionais, pois inevitavelmente, sairão aos 18. Mas jogadores de outros clubes filiados da Conmebol chegam já prontos e mais velhos.
Acaba sendo uma alternativa interessante para manter equipes de alto nível sem abrir mão dos ganhos exorbitantes em euro com as negociações.



