Brasil

Palmeiras volta ao Allianz com pontas soltas: O que ainda está em disputa com a WTorre?

Time e torcida tem total preferência pelo estádio, mas o clube e a construtora seguem em desacordo

Depois de dois meses, o Palmeiras volta ao Allianz Parque na quinta-feira (28) para enfrentar o Novorizontino (onde assistir), pelas semifinais do Campeonato Paulista.

Clube e torcida celebram muito a volta ao estádio. Mas ainda sobram problemas e rusgas na relação entre o Palmeiras e a WTorre, superficiária com direito de exploração comercial do estádio por mais 20 anos.

Como começou a briga?

As desavenças entre Palmeiras e WTorre começaram desde antes da inauguração do Allianz Parque. A WTorre acreditava que tinha direito à comercialização de todos os assentos do estádio no esquema “Passaporte Allianz Parque”. O clube acreditava que eram apenas 10 mil.

Por conta disso, as partes partiram para um processo de arbitragem na Fundação Getúlio Vargas. A arbitragem temo mesmo peso de uma decisão judicial. O que muda é o fato de serem discussões, e não somente julgamentos. O objetivo é chegar a um acordo. Mas, quando não se chegar a isso, a FGV determina o que tem de ser feito.

A arbitragem deu razão ao Palmeiras na questão relativa aos assentos. Mas outras questões, como prerrogativa no agendamento de datas e alguns repasses estipulados em contrato, fazem parte do processo de arbitragem, ainda em curso.

Valor da dívida

O Palmeiras tem a receber da Real Arenas/ WTorre R$ 121 milhões. Com multas e encargos, o valor chega próximo a R$ 170 milhões.

No que consiste

O montante se refere aos repasses que a construtora tem de fazer mensalmente ao Palmeiras. Pelo contrato, o Palmeiras tem direito a percentuais das receitas que a Real Arenas arrecada no Allianz Parque. Os repasses não são feitos desde 2015.

  • Aluguel do Allianz para eventos, além da exploração de áreas como lojas, lanchonetes e estacionamento:

Até 5 anos da abertura: 20%
De 5 anos até 10 anos da abertura (atual): 25%
De 10 anos até 15 anos da abertura: 30%
De 15 anos até 20 anos da abertura: 35%
De 20 anos até 25 anos da abertura: 40%
De 25 anos até 30 anos da abertura: 45%

  • Locação de cadeiras, camarotes e naming rights:

Até 5 anos da abertura: 5%
De 5 anos até 10 anos da abertura (atual): 10%
De 10 anos até 15 anos da abertura: 15%
De 15 anos até 20 anos da abertura: 20%
De 20 anos até 25 anos da abertura: 25%
De 25 anos até 30 anos da abertura: 30%

A empresa, há tempos, também não paga ao Palmeiras as indenizações por jogos que o time tem de fazer foora de sua casa. Por força de contrato, cada vez que o Palmeiras jogar em outro estádio, a WTorre tem de pagar ao clube 50% da renda bruta arrecadada fora de casa, como uma espécie de multa.

O que o Palmeiras deve à WTorre

O Palmeiras deve R$ 38 milhões à construtora. O montante se refere custos de operação do Allianz Parque, como água, luz, ingressos, aluguel de camarotes para jogos.

Em que pé está a arbitragem

No início da semana, por determinação judicial, a WTorre teve de apresentar garantias de que tem o dinheiro para quitar a dívida com o Palmeiras, caso seja executada.

Embora o valor da dívida seja R$ 121 milhões, a empresa demonstrou ter como arcar com R$ 177 milhões.

Após esperar por anos a chegada a um acordo, o Palmeiras decidiu levar a questão à Justiça Comum, por apropriação indébita.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata Lima

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.
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