Brasil

Os Toro Lokos que foram ao Morumbi levaram crianças, famílias e adolescentes gritando

Mulheres, crianças e adolescentes. A torcida do Red Bull Brasil presente ao Morumbi na noite de sábado basicamente era de famílias e jovens. Crianças de quatro, cinco anos uniformizadas com as cores do time do energético. Comparando com o resto do estádio, muito mais mulheres e crianças do que a média. Um pequeno grupo entre eles se destacava. Uniformizados com a camisa azul do Red Bull – que é a reserva, diga-se -, um grupo de jovens, alguns até adolescentes, cantando e puxando os gritos de guerra do time. São eles os “Toro Lokos”, como se autodenominam. Eles estão no Morumbi para o jogo das quartas de final do Campeonato Paulista contra o São Paulo. Um duelo difícil, que o time acabaria perdendo por 3 a 0.

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O time correspondeu em campo no primeiro tempo, com uma boa atuação. Bem organizado na defesa, aproveitou o espaço que o São Paulo deu para criar três boas chances de marcar. Na cara do gol, Edmílson perdeu a melhor delas. A torcida, majoritariamente sentada, tinha uns poucos “lokos” gritando, apoiando o time e puxando os gritos de guerra. Em meio a gritos de apoio, alguns não muito bonitos com a homofobia que tanto tentamos combater, vem um grito, digamos, curioso. “A camisa azul, o Red Bull na mão”, dizem os torcedores, que apoiam o “Toro” com vigor.

Como o Morumbi tinha pouco mais de 18 mil pessoas, por vezes os gritos dos “Toros Lokos” conseguiam ser ouvidos. Não na maior parte do tempo, claro, quando a torcida tricolor fazia valer o mando de campo com gritos e apoio. À medida que o tempo passava e os gols saíam, os torcedores iam ficando mais resignados da derrota. Reclamavam que os pequenos eram sempre prejudicados. Tirando um ou outro lance – como o cartão recebido por Fabiano Eller, injusto por um lance que sequer foi falta – a reclamação não era mais do que uma reclamação de estádio, um desabafo por uma derrota que, àquela altura, com 3 a 0 no placar, não tinha mais como ser revertida.

Os pequenos torcedores, porém, nem ligavam. Andavam para lá e para cá na arquibancada, falando, brincando, vestida com o uniforme do Red Bull. As pessoas começaram a ir embora antes de acabar o jogo. Com o jogo terminado, os dois ônibus pagos pelo clube para levar os torcedores de volta a Campinas estavam a postos. Os Toro Lokos viram mais uma vez o seu time. Desta vez, perderam.

“Contra time grande é assim, não pode perder gol. Eles não tiveram uma chance de gol no primeiro tempo. Aí no segundo foram lá e mataram o jogo”, diz um deles. Pouco abaixo na arquibancada, uma família conversa. “Bom, pelo menos o São Paulo ganhou, né Gabriel?”, diz a mãe para o filho, de no máximo cinco anos. O pai, com a camisa do Red Bull, complementa: “Saímos traístes por um lado, mas felizes por outro. Viemos para torcer para o Red Bull, mas torcemos para o São Paulo”. Na semifinal, não terá esse problema. O pequeno Gabriel poderá torcer só para o São Paulo.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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