Brasil

Os dias da reação

Sim, o Palmeiras ainda é favorito ao título nacional. Entretanto, já não ostenta essa condição de modo tão destacado como parecia, principalmente após a 27ª rodada. Com somente um ponto conquistado nas três rodadas posteriores, a equipe do Parque Antártica acabou permitindo a aproximação de Flamengo e Atlético – e, por tabela, o retorno de um equilíbrio maior, que já não permite prognósticos imutáveis, a apenas oito rodadas do fim do Brasileiro.

Se o empate contra o Avaí e a derrota contra o Náutico podem ser colocados na conta daqueles tropeços que são “permitidos” (afinal, o Palmeiras manteve boa margem na primeira posição), a derrota para o Flamengo, em pleno Parque Antártica, fez com que crescesse um clima de “que seja a última bobeada, hein?” Tanto pelas reclamações de Marcos – menos acintosas do que aparentaram -, quanto pelo fato de que a equipe perdeu a liberdade que tinha para continuar desperdiçando pontos.

Mesmo assim, o alerta entre o elenco palestrino não significa, necessariamente, desespero para permanecer liderando o torneio. E nem é necessário que signifique. Afinal de contas, a equipe continua quatro pontos à frente do Atlético-MG. E tem três duelos em que é plenamente capaz de vencer. Mesmo que tenha um elenco capaz de causar eventuais surpresas, o Santo André não faz frente à equipe de Muricy. Uma vitória – e pronto, o Palmeiras abre sete pontos, ficando mais calmo.

E arrefecer os ânimos, que estão em crescente desarmonia, será vital para entrar nas duas próximas partidas, contra um Goiás traiçoeiro (o Esmeraldino venceu apenas seis vezes fora de casa, mas Atlético e Corinthians estão entre essas vezes) e o clássico contra o Corinthians. Como Diego Souza, Cleiton Xavier e Vagner Love são jogadores suficientemente atentos para evitar apatia em horas desnecessárias, e a defesa deve receber tratamento especial, não há razão para não imaginar cuidados preventivos.

Bom rendimento é a razão do crescimento

E a marcação palmeirense mostrou necessidade para cuidados contra o Flamengo. Tudo por causa de uma medida, tomada por Andrade, apontada por muitos como fundamental para que Petkovic fosse o homem do jogo no Parque Antártica. Colocando a equipe no 4-3-1-2, e fortalecendo a armação ao recuar Airton para a zaga, repondo a vaga no meio com Toró, Andrade escalou o sérvio como único homem de armação.

Edmílson, por sua vez, era o homem de marcação mais lento dos quatro meio-campistas palmeirenses. E foi jogando em cima do nativo de Taquaritinga, sabidamente, que Petkovic deitou e rolou, fazendo talvez sua melhor partida desde a volta para o Flamengo. Ajudando na marcação, armando o jogo com a competência conhecida, liderando a equipe como não havia feito na primeira passagem, o sérvio de Majdanpek comanda a reação irrefutável do clube da Gávea.

Os bons jogos que Petkovic faz pelo Flamengo são plenamente justificáveis. Afinal, nunca se duvidou de seu talento. Mas a última vez em que ele fora merecedor de tantas atenções foi em 2005, quando fez bom papel no Fluminense – incluindo belíssimo gol contra o Cruzeiro, no segundo turno. Como o camisa 43 flamenguista, havia outros casos de jogadores talentosos, mas que há muito tempo não rendiam o esperado.

Bruno, Léo Moura, Juan e Zé Roberto eram quatro destes casos – que receberam o reforço de Adriano, que sofria com olhares um tanto quanto desconfiados, após seu retorno. Todos tinham seu talento tão reconhecido quanto a irregularidade por que passavam neste ano. Pois estes cinco cresceram novamente, e são peças tão valiosas quanto Petkovic, na construção da invencibilidade que já dura nove partidas e que colocou o Flamengo a apenas um ponto da zona da Libertadores.

Paralelamente, Andrade foi organizando o esquema tático, compreendendo o local onde cada jogador rende melhor, e chegou enfim ao 4-3-1-2 (ou 4-1-3-2, dependendo do caso) da reação. Méritos ao lendário camisa 6 da década de 1980 – aliás, a coluna reforça: desde Carlinhos não se via um técnico flamenguista tão sabedor do chão onde pisa, e compreendedor da “mística” do clube.

O Atlético, por sua vez, tem apenas uma diferença do caso do clube carioca. E, nela, os méritos vão para Alexandre Kalil, que conseguiu aproveitar a oportunidade de transferências para comprar jogadores razoáveis, mas que não correspondiam há algum tempo. Aranha ainda não havia conseguido corresponder no gol? Pois o ex-pontepretano se contundiu, abrindo oportunidade para que Carini trouxesse de volta a segurança para debaixo das traves do clube do bairro belorizontino de Lourdes.

O clube precisava de um bom e experiente armador, para suprir a irregularidade de Renan Oliveira? Pois foi atrás de Ricardinho, que mostrou a que veio contra o São Paulo. Celso Roth, por sua vez, não se abateu pela ligeira queda de rendimento e não fez mudanças radicais, numa equipe que ainda podia render bem. Diego Tardelli também é outro exemplo de alguém que começou bem, caiu um pouco, mas vem se reerguendo a olhos vistos. Assim, o Galo chegou à vice-liderança. E, caso o Santo André surpreenda o Palmeiras, será duro segurar a empolgação da sempre fiel torcida contra o Vitória.

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Equipe Trivela

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