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Os 60 anos do último título carioca do America, surpreendente campeão que superou esquadrões para reviver seus dias de glória

*O conteúdo deste texto também está presente na série especial publicada no site Memória Americana, com textos ampliando a campanha e a reconstruindo mês a mês.

Há 60 anos, o Maracanã vivia um de seus dias de maior emoção quando um America jovem e sem estrelas, mas muito coeso e regular superou de virada o favorito Fluminense (que jogava pelo empate) na decisão do Campeonato Carioca. Comandados por Jorge Vieira, um treinador de apenas 26 anos, os rubros voltavam a erguer – pelo que seria a última vez – um troféu que não era seu desde 1935, terminando à frente de adversários repletos de craques históricos do futebol brasileiro. E numa ocasião então ainda mais especial na época por se tratar do primeiro campeão do novo estado da Guanabara. Uma conquista marcante.

EM BUSCA DA GLÓRIA PERDIDA

No primeiro semestre daquele ano de 1960, nada levava a crer que o America, em dezembro, estaria comemorando seu sétimo título carioca, o primeiro desde 1935. Convulsionando entre crises políticas e técnicas, o clube começou a assistir em abril a um embate que se arrastaria por cerca de dois meses entre seu presidente recém-empossado, Fábio Horta, e seu antecessor, Wolney Braune, com troca de acusações pela imprensa e sem perspectiva de entendimento entre as partes. E que culminaria na renúncia de Horta e todo o Conselho Diretor.

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Um pouco antes, o time havia cumprido campanha bastante fraca no Torneio Rio-São Paulo, que abria a temporada. A última colocação com apenas uma vitória custou o cargo ao técnico Moacir Aguiar, ex-treinador dos juvenis efetivado no comando da equipe principal em janeiro. Para o posto chegaria Jorge Vieira, nome que já havia sido sondado no começo do ano para compor a comissão técnica. E que tinha uma trajetória bastante peculiar no futebol carioca e brasileiro, antes mesmo de ser enfim contratado pelo America em 28 de abril.

Carioca, 26 anos, “quintanista” de Direito, Vieira havia sido jogador do Madureira entre 1950 e 1957, passando a técnico do time logo que pendurou as chuteiras, conquistando o Torneio Início no mesmo ano. Também já havia comandado o próprio America entre maio e julho de 1958, como tampão após a saída de Gyula Mandi – técnico do Esquadrão de Ouro húngaro da Copa de 1954 – do comando da equipe. Seguiu depois para o Fluminense, antes de dirigir o escrete cearense que havia disputado o Campeonato Brasileiro de Seleções.

Jorge Vieira era uma das mudanças importantes ocorridas no clube naquele meio de temporada. A outra era o novo presidente: Álvaro Waldyr Pereira da Motta era nome de consenso por não ser ligado a nenhuma facção política do clube – mesmo tendo exercido cargos em várias das administrações que haviam passado pelo America – e sempre ter se demonstrado uma pessoa serena e ponderada. Indicado numa reunião entre próceres do clube, seu nome foi bem recebido por todos e aclamado em convenção na sede da rua Campos Sales.

Vitorioso nas urnas, Waldyr Motta ocupava então a vice-presidência da Federação Metropolitana de Basquete, além de colaborar com o Departamento Social do clube. “Não sou cartola, não sou político, não sou de briga. Aceito a Presidência, mas com todos os americanos unidos”, declarou ao concordar com a indicação. “O America é de todos. Conto com a experiência dos mais velhos e a energia dos jovens”. A paz política aliada à sagacidade de um jovem, mas experiente treinador eram as esperanças dos rubros para reverter uma tendência de declínio.

Os anos 1950 haviam sido muito duros com o America. Em mais de uma vez o clube se viu às portas de recuperar a glória perdida, mas acabou dramaticamente frustrado, criando-se a ideia de que “nadava, nadava e morria na praia”. No campeonato de 1950, com uma equipe repleta de novatos e jogadores desconhecidos, os rubros lideraram invictos o certame até o último dia daquele ano. Mas nas três rodadas finais, em janeiro de 1951, três derrotas seguidas – uma delas para o Vasco na última partida – entregaram o título aos cruzmaltinos.

O America voltaria a ficar com o vice em 1954 e 1955. Neste último, após conquistar o terceiro turno, o clube foi da euforia à amargura na melhor-de-três decisiva com o Flamengo. Decepção que continuaria no campeonato seguinte: líderes na virada do turno, somando 11 vitórias em seus 14 primeiros jogos, os rubros venceriam apenas dois dos oito últimos, afastando-se da disputa bem antes do imaginado. E aí começou o declínio: em 1957 o time terminou apenas na sexta colocação. Em 1958 e 1959, em quinto. Era preciso uma chacoalhada.

O TIME-BASE CAMPEÃO

Pompeia, o goleiro voador (Revista do Esporte)

Quando Jorge Vieira voltou ao clube, o elenco que se sagraria campeão já estava praticamente todo em Campos Sales. A começar pelos dois goleiros que se revezariam ao longo da campanha: Ari e Pompéia. Titular nas rodadas iniciais, o primeiro seria barrado após um desentendimento com o treinador antes do jogo com o Bangu, mas recuperaria a posição na reta final. Revelado pelo Bonsucesso e vindo do Flamengo após uma passagem de altos e baixos na Gávea, acabaria se notabilizando por fechar o gol sempre que enfrentava sua ex-equipe.

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Pompéia, por sua vez, era um goleiro acrobático. Mineiro de Itajubá, quando garoto gostava de desenhar personagens dos quadrinhos. Em especial o marinheiro Popeye, o qual ele chamava de “Pompéia”. Virou seu apelido. Sua impulsão, que fazia com que voasse sob as traves, fora desenvolvida quando trabalhou em um circo. O lendário narrador Waldyr Amaral apelidou o goleiro de “Constellation”, o avião que cruzava os céus na Ponte Aérea Rio-São Paulo. Em 1956, chegou a ser convocado para a Seleção Brasileira, mas não entrou em campo.

Considerada sólida, a linha de defesa trazia dois laterais formados no clube. Pela direita Jorge, jogador de muita saúde, vigoroso na marcação, valente no apoio e dono de um chute poderoso com o pé direito. E pela esquerda Ivan, marcador corajoso e eficiente, jogador de boa técnica e muita elasticidade. Outro nome feito em casa naquele setor era o elegante zagueiro Djalma Dias, beque central de ótima técnica, sem apelar para faltas, além de forte pelo alto, graças à boa estatura. Era um dos mais promissores nomes da posição no Rio.

Inicialmente, o setor seria completado pelo quarto-zagueiro Leônidas, jogador de características semelhantes às de Djalma. Volante de origem, capixaba criado no futebol mineiro, Sebastião Leônidas veio do clube homônimo de Belo Horizonte. Mas naquela campanha de 1960, seus constantes problemas físicos – que o levariam a operar os joelhos – obrigariam o recuo de outro volante, Wilson Santos, para se firmar como titular da posição. Também vindo do América-MG, Wilson era mais combativo, embora gostasse de cadenciar o jogo.

Ari, Jorge, Djalma, Wilson Santos e Ivan (Revista do Esporte)

A dupla de meio-campo contava com o volante Amaro – mais um atleta promovido dos juvenis e de estilo clássico, elegante e de ótimos passes – e o experiente armador João Carlos. Camisa 10 do time, jogador dos mais antigos daquele elenco, carimbador de todas as jogadas ofensivas, foi revelado pelo Fluminense no fim dos anos 1940 e já tinha passado pelo America em 1953 e 1954, por empréstimo. Vendido pelos tricolores ao Botafogo em meados de 1955, acabou retornando a Campos Sales, desta vez em definitivo, a partir de junho de 1957.

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Nas pontas, dois atacantes de estilo semelhante: Calazans (direita) e Nilo (esquerda) eram ariscos, dribladores, donos de chute muito forte, ótimos batedores de falta e tinham facilidade para fechar o meio-campo. Baiano de Salvador, mas criado no Rio desde pequeno, Calazans começara no Bangu ao lado do irmão mais velho Zózimo, zagueiro bicampeão do mundo com a Seleção. E teria ele próprio passagem pelo escrete tanto no clube da Zona Oeste quanto no America. Nilo, por sua vez, era carioca da Ilha de Paquetá e despontou no Bonsucesso.

No comando do ataque jogava o garoto Antoninho, nascido em Niterói, mas também revelado pelo clube e que se destacara na série de excursões que o America fizera ao longo de 1959 pelo Norte e Nordeste brasileiros, pela América do Sul e também pela Europa e Ásia. Centroavante de jogo simples e objetivo, um finalizador ao estilo “um toque e caixa”, teria como companheiro no setor um dos dois únicos jogadores contratados para o certame de 1960: o baiano Quarentinha, vindo do Ipiranga de Salvador e homônimo do centroavante botafoguense.

Miguel de Souza Filho, o Quarentinha, era um centroavante de temperamento extrovertido e brincalhão. Além de alto para a época (1,82 metro), tinha chute forte com os dois pés, bom drible e muita movimentação. Aportou no clube no fim de maio, contratado sem custos, com o America se comprometendo a enfrentar o Ipiranga no fim do ano num amistoso com renda revertida ao clube soteropolitano. Quase na mesma época chegava outro baiano, o versátil Fontoura, trazido do Fluminense-BA e que podia atuar em todas as posições do ataque.

Calazans, Amaro, Antoninho, Quarentinha e Nilo (Revista do Esporte)

UM CAMPEONATO ESPECIAL

Com esse elenco-base o America se preparava para disputar uma edição do Campeonato Carioca que, por motivos externos ao futebol, já era considerada especial por si só, desde antes de a bola rolar. Com a transferência da capital do país para a recém-criada Brasília, em 21 de abril daquele ano, o município do Rio de Janeiro deixou de ser o Distrito Federal e se tornou o estado da Guanabara, caso singular de cidade-estado no Brasil. Portanto, o vencedor daquele certame que se iniciava também se sagraria o campeão inaugural da nova unidade federativa.

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E o favorito destacado era o Fluminense, detentor do título, e que iniciara a temporada vencendo também o Torneio Rio-São Paulo com ótima campanha, incluindo uma goleada de 7 a 2 sobre o São Paulo. E embora o ataque contasse com os dribles e a velocidade dos ponteiros Maurinho e Escurinho e sobretudo com os gols de Waldo, o ponto forte era a defesa liderada pelo goleiro Castilho e o zagueiro Pinheiro e auxiliada por um meio-campo combativo e solidário, tendo em Telê, ponta convertido em armador, o homem-chave da transição ofensiva.

O mais indicado a fazer frente ao Fluminense era o Botafogo de Paulo Amaral que, apesar de ter vendido Paulo Valentim ao Boca Juniors, repatriou Didi após frustrada passagem pelo Real Madrid e manteve Garrincha, Nilton Santos, Quarentinha, Amarildo, Zagallo e Manga. O Flamengo, por sua vez, também trouxera o técnico Fleitas Solich de volta do Real Madrid e, além de contar com Dida, Henrique, Moacir e os veteranos Jadir e Jordan, apresentava uma safra de novatos que incluía os meias Carlinhos “Violino” e Gerson, além do ponta Germano.

Em contenção de despesas por ordem de seu presidente Alá Batista, o Vasco ainda segurava a maioria de seus astros, como o veteraníssimo Barbosa (39 anos), Bellini, Roberto Pinto, Sabará e Pinga, além do ascendente atacante Delém, substituto de Almir “Pernambuquinho”, negociado com o Corinthians. Mas apostava num técnico barato e não muito conhecido do futebol do Rio: o argentino Filpo Núñez, que acumulava passagens por clubes como o Jabaquara e a Portuguesa Santista. Com isso, se apresentava como a grande incógnita do campeonato.

No bloco intermediário, o Bangu de Tim exibia, além dos experientes Ubirajara, Zózimo e Décio Esteves, sua mais nova revelação: o meia-armador Ademir da Guia. Mas já saía em desvantagem nas primeiras rodadas: ainda envolvido com a disputa das finais da International Soccer League, em Nova York (torneio que conquistaria), precisaria escalar reservas naquele início de Carioca. Dos outros seis participantes (Bonsucesso, Canto do Rio, Madureira, Olaria, Portuguesa e São Cristóvão), o time da Rua Bariri era o mais cotado a tirar pontos dos grandes.

A BOLA COMEÇA A ROLAR

O campeonato começou em 24 de julho já com o confronto entre Fluminense e Botafogo, vencido pelos tricolores por 1 a 0, gol de Paulinho. Numa rodada inaugural desmembrada entre dois domingos, America estreou no dia 31 em outro clássico, contra o Vasco. Para os rubros, havia a recente lembrança do confronto com os cruzmaltinos pelo turno do certame de 1959, quando o lateral-esquerdo Hélio sofreu ruptura dos ligamentos do joelho esquerdo numa bola dividida com Almir. Lesão que levaria o defensor a encerrar a carreira aos 32 anos.

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Talvez em parte por isso o jogo tenha começado tão ríspido, embora disputado em ritmo lento. Muito truncado e com a arbitragem permissiva de Wilson Lopes de Sousa, o “Clássico da Paz” não fez jus ao apelido. Pelo lado do America, Jorge cometeu algumas entradas duras. Mas o que deixou o jogo quente de vez foi uma falta feia de Bellini em Quarentinha, tirando o atacante de campo por uns instantes, e, logo em seguida, um pontapé do volante vascaíno Écio em Antoninho. Houve um princípio de confusão, que acabou contornado.

Mais organizado, o America (que já havia acertado a trave de Barbosa num chute de Calazans no primeiro tempo) abriu o placar no começo da etapa final, quando Quarentinha pegou uma bola mal afastada pelo lateral Russo e encheu o pé num chute forte e colocado, que entrou na gaveta. Nos vestiários, o técnico Jorge Vieira – que havia apontado o Vasco como favorito do jogo, mas prometera muita garra de seu time – tratou de exaltar: “O America não sabia a força que tinha. Agora sabe. Daí ter crescido diante do Vasco como cresceu”.

America 1×0 Vasco (Jornal dos Sports)

Depois da elogiada vitória no clássico, o time receberia o Olaria em seu estádio da rua Campos Sales. Uma partida carregada de simbologias: além de ter sido a única dos rubros em seu campo naquela campanha, acabaria sendo também a última do America em sua antiga casa na história dos Campeonatos Cariocas – ainda que não se soubesse disso naquele momento. A despedida veio com vitória apertada, mas suficiente para que a equipe iniciasse uma tradição de não perder pontos para os pequenos em sua caminhada rumo ao título.

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O Olaria tinha uma equipe bastante perigosa. Além de vencedora do Torneio Início, disputado uma semana antes do início do Carioca, a equipe bariri reunia muitos nomes que sairiam para fazer carreira em clubes importantes. O lateral-direito Murilo mais tarde se transferiria para o Flamengo (junto com o meia Nélson), onde seria titular por quase uma década. O zagueiro Haroldo defenderia o Santos. Os atacantes Jaburu e Da Silva seguiriam para Fluminense e Vasco, respectivamente. E o ponta Cané, ausente daquele jogo, iria para o Napoli. 

Para completar, era dirigida por um treinador que conhecia muito bem o America: Délio Neves, técnico do time vice-campeão em 1950 e que tivera nova passagem pelos rubros no ano anterior. Porém, graças a uma péssima atuação do goleiro olariense Antoninho, o America abriu vantagem com gols de Nilo e de seu Antoninho, o atacante. O time alvianil chegou a descontar no segundo tempo com Válter, mas o placar ficou nisso. A torcida americana, porém, não gostou da atuação e vaiou o time, que também perdeu o zagueiro Leônidas, lesionado.

Depois de outra boa vitória na terceira rodada – 3 a 1 diante do Bonsucesso do técnico Gradim na casa do adversário – chegava a vez de enfrentar o Fluminense no duelo dos líderes, em que o vencedor poderia abrir a liderança. Mas o jogo foi equilibrado, com uma equipe melhor em cada tempo. O primeiro foi mais dos tricolores, que abriram o placar com Escurinho e perderam ótima chance com Waldo, que chegou a driblar Ari, mas Djalma salvou. Na etapa final, com o America superior, o empate rubro chegou com João Carlos, chutando com raiva.

Vindo da conquista do Torneio de Nova York, o Bangu seria o próximo adversário. De novo, o jogo foi equilibrado, mas desta vez o America não deu sorte: sofreu um gol fortuito no primeiro tempo, numa bola que bateu nas costas do zagueiro alvirrubro Zózimo e entrou, e viu seu ataque parar em uma excepcional atuação de Ubirajara. Mesmo com o revés que tirava o time da liderança, Jorge Vieira mantinha-se confiante: “Continuo esperando muito do America neste campeonato”. Aquela seria a primeira derrota do time no certame. E a única.

America 0x1 Bangu – O gol fortuito de Zózimo, na única derrota da campanha (Jornal dos Sports)

A reabilitação veio diante do São Cristóvão no alçapão de Figueira de Melo: vitória por 2 a 1, num curioso jogo com três gols contra: Ivan, do America, fez para o time da casa. E os cadetes Azeitona e Osmindo marcaram para os rubros. No jogo seguinte, foi a vez de derrotar uma surpreendente Portuguesa – que vinha de bater o Bangu em Moça Bonita – por 2 a 0 numa tarde fria em São Januário. Uma semana depois veio a terceira vitória seguida: 3 a 0 no Canto do Rio no Maracanã, numa noite de sábado, com gols de Antoninho, Nilo e Ivan.

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Eram resultados que mantinham o America na perseguição ao líder Fluminense e traziam novo fôlego ao time para mais um clássico que viria pela frente, contra o Botafogo. Era um confronto do estilo veloz e solidário dos rubros contra o jogo cadenciado e baseado em individualidades dos alvinegros. Estes sairiam na frente pouco antes do intervalo em jogada de Amarildo concluída por Didi. Mas o America chegaria à virada relâmpago na etapa final, com gols de Nilo aos 21 e João Carlos aos 23, antes de Genivaldo, meio sem querer, empatar de novo aos 33.

Ainda assim os rubros poderiam ter vencido se, nos minutos finais, o árbitro Amílcar Ferreira não tivesse ignorado um pênalti do zagueiro botafoguense Zé Maria, calçando o ponteiro Nilo perto da linha de fundo, quase na linha da pequena área. Nos vestiários, os cartolas americanos ainda reclamavam outra penalidade não marcada sobre Antoninho no primeiro tempo. Apesar dos protestos, Jorge Vieira e os jogadores se disseram satisfeitos com o resultado e o poder de reação do time dentro do jogo, em especial após a lesão de Antoninho.

O último clássico do primeiro turno seria contra o Flamengo, em 25 de setembro. E seria decidido com um gol incrível de Calazans, aos 32 minutos da etapa final. Houve uma falta marcada ainda na intermediária ofensiva do America, mas os jogadores rubro-negros sequer formaram barreira, tamanha era a distância até o gol. Mas o ponta americano percebeu a chance num chute direto. E ele saiu forte, seco e rasteiro, na direção da meta. Ari Seixas, goleiro do Fla, pulou atrasado e quando chegou na reta da bola ela já estava nas redes.

Com uma nova vitória pelo placar mínimo, agora diante do Madureira, o America fecharia sua campanha no primeiro turno. Desta vez, porém, a equipe massacrou, criou inúmeras chances e merecia ter vencido por uma contagem mais dilatada. Chegou a desperdiçar um pênalti, que Nilo chutou em cima do goleiro Silas. O gol saiu dos pés de Quarentinha, que recebeu de João Carlos, livrou-se do zagueiro Salvador e bateu cruzado, quase no ângulo. Com o resultado, o time chegava à metade do certame com 18 pontos, dois a menos que o líder Fluminense.

A VIRADA DO TURNO

A campanha acima das expectativas no primeiro turno (com oito vitórias, dois empates e apenas uma derrota) merecia elogios na imprensa. Em reportagem intitulada “America esconde ambição e força na campanha da humildade”, o Jornal dos Sports destacava o comando discreto de Jorge Vieira, a união do elenco e a coesão da comissão técnica. Para o texto de Lorem Falcão, o meia João Carlos – líder e referência técnica do time – era o maior símbolo de um America que conhecia seu valor e não se intimidava por escritas ou pelo nome dos astros adversários.

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Embora o campeonato fosse disputado no sistema de pontos corridos, a tabela do returno seria “dirigida”, isto é, definida de acordo com as posições dos clubes após o fim do primeiro turno, de modo a favorecer um embate direto entre líder e vice-líder apenas na última rodada. O primeiro adversário dos rubros seria a Portuguesa, e o jogo teria local e placar repetidos em relação ao confronto anterior: vitória do America por 2 a 0 em São Januário. Os gols só saíram no segundo tempo, com João Carlos e Antoninho aproveitando cruzamentos de Nilo.

Mas nem mesmo a campanha consistente que mantinha o clube na briga pelo título evitou que turbulências extracampo passassem a ocupar as manchetes. Na quarta-feira seguinte à vitória sobre a Lusa, um jornal carioca publicou declarações atribuídas ao diretor de futebol americano Mário Pinto que sugeriam a existência de desavenças entre ele e Jorge Vieira. Segundo o jornal, o dirigente considerava o trabalho do treinador “sem importância” e que fundamental era mesmo “um bom preparo físico”, o que provocou espanto geral no clube.

O vice de futebol, Álvaro Bragança, tratou de desmentir os rumores com veemência: “O America não está em crise e o treinador Jorge Vieira goza de todo o prestígio”, afirmou à coluna “Câmera”, do jornalista Luiz Bayer, no Jornal dos Sports. “Eu não sei o porquê de tudo isso numa hora em que o quadro do America está marchando com todo o brilho no campeonato. Deve ter outros propósitos que, estou seguro, não atingirão o objetivo. O America está coeso e firmemente decidido de cumprir a sua trajetória ao certame”, rechaçou Bragança.

America 4×1 Olaria (Jornal dos Sports)

O Olaria, adversário da segunda rodada do returno, pagaria o pato pela tentativa de se criar um ambiente adverso em Campos Sales. O America dominou totalmente o jogo do dia 15 de outubro em São Januário e goleou por 4 a 1. Com o time alvianil muito recuado, até os laterais americanos atacaram. Jorge inclusive marcou um gol, o terceiro do time, batendo de fora da área no começo do segundo tempo, depois que Antoninho e João Carlos já haviam aberto vantagem na etapa inicial, aos cinco e aos 18 minutos, respectivamente.

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O America ficou com dez logo depois, quando Wilson Santos foi seriamente atingido por uma cotovelada e teve de deixar o campo. O Olaria se aproveitou disso e descontou com Jaburu. Mas a um minuto do fim, o zagueiro Haroldo marcou contra e os rubros selaram a goleada, impondo seu placar mais elástico naquela campanha. Enquanto isso, o Fluminense – que balançara as redes 13 vezes nas quatro partidas anteriores e parecia ter deslanchado no campeonato – suava para derrotar a Portuguesa por 1 a 0. Oscilações ainda fariam parte do enredo.

Na terceira rodada, o time de Jorge Vieira teria a oportunidade da revanche de sua única derrota ao enfrentar novamente o Bangu no Maracanã num sábado à noite. Firme na defesa, dinâmico no meio-campo e envolvente no ataque, o America se impôs aos alvirrubros, agora dirigidos pelo velho craque Zizinho. E saiu vencedor com um gol espetacular de Nilo, numa bomba em cobrança de falta que atravessou a barreira e morreu no ângulo de Ubirajara. O mesmo ponta-esquerda ainda acertaria a trave com uma cabeçada ainda na etapa inicial.

Apesar da vitória, a classificação não sofreu alterações: o America continuava três pontos à frente do Botafogo, terceiro colocado, e dois atrás do líder Fluminense. Mas a queda de produção dos tricolores voltava a ser notada após uma virada dramática, obtida nos minutos finais, sobre o mesmo Olaria facilmente goleado pelos rubros na rodada anterior. Na rodada seguinte, fechando o mês de outubro, os rubros contariam com a volta de Wilson Santos para enfrentar o lanterna São Cristóvão, num jogo para ser vencido de qualquer jeito.

E o resultado veio com facilidade: com gols marcados quase em sequência – um cruzamento de Antoninho que Quarentinha escorou e uma rebatida falha da defesa adversária que Nilo pegou e tocou para as redes – o America venceu por 2 a 0, num jogo em que criou muitas outras chances e chegou a acertar a trave com Jorge. A vitória foi ainda mais celebrada quando se soube que, na noite daquele sábado, o Fluminense havia parado no empate em 1 a 1 contra o Bonsucesso, o que reduzia a distância no topo da tabela para apenas um ponto.

America 2×0 São Cristóvão (Jornal dos Sports)

Os papeis, entretanto, pareciam ter se invertido assim que novembro chegou. A má fase tricolor pareceu ter acabado quando, em duas noites de sábado no Maracanã, o time voltou a deslanchar e goleou o Canto do Rio (4 a 1) e o Madureira (5 a 0), em rodadas nas quais o America teria pela frente os clássicos contra Flamengo e Vasco nas tardes de domingo. Talvez pela pressão, a equipe de Jorge Vieira cumpriu atuações bem abaixo do que vinha fazendo e parou em dois empates, com a diferença para o líder voltando a aumentar de um para três pontos.

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Contra o Flamengo, o America saiu atrás num gol de Henrique, com Pompeia falhando numa bola defensável, e ainda perdeu um pênalti com Quarentinha. Mas chegou ao empate na etapa final com Calazans chutando de bico no rebote de um escanteio. Já diante dos cruzmaltinos, um jogo travado e com poucas ocasiões claras de gol de ambas as partes só poderia terminar mesmo em 0 a 0. Mas perto do fim do jogo, houve um chutaço de Nilo que o arqueiro vascaíno Ita espalmou de maneira sensacional. Restou aos americanos a frustração.

“O America se distancia ainda mais do Fluminense, e este vai, mais e mais, assegurando o título de cuja conquista já ninguém mais tem, agora, o direito de duvidar”, dizia uma crônica da partida escrita por um certo Brutus para o Jornal dos Sports. Faltavam quatro jogos, mais o confronto direto da última rodada. Para os rubros, três pontos atrás, haveria três jogos seguidos contra pequenos antes do clássico com o Botafogo e a batalha final. Já os tricolores, ainda invictos, fariam todos os clássicos. A começar pelo Fla-Flu de 20 de novembro.

A RETA FINAL

Na véspera o America teve, pela única vez na campanha, o desfalque de Quarentinha, mas soube derrotar um retrancado Canto do Rio por 2 a 0 no Maracanã. Antoninho, que não marcava desde a goleada contra o Olaria, abriu o placar pouco antes do intervalo escorando de cabeça o preciso cruzamento de Calazans. E Nilo, com um chute forte, fez o segundo na etapa final. Mas o melhor viria no domingo: o Flamengo bateu o Fluminense por 3 a 1 de virada, pôs fim à invencibilidade tricolor no certame e fez a diferença na liderança voltar a um ponto.

Mas não pensem que as turbulências em Campos Sales haviam acabado. Antes da partida contra o Madureira, uma divergência anedótica quase abalou a equipe. Um rito vinha marcando toda a campanha: sempre na véspera dos jogos, o elenco deixava a concentração para assistir a um determinado espetáculo de teatro de revista, divertimento popular na época. Dava sorte, diziam os cartolas. Acontece que, desta vez, Amaro “quebrou a corrente” e se recusou a ir mais uma vez assistir ao mesmo espetáculo. Foi desligado do jogo e punido disciplinarmente.

Leônidas entrou como zagueiro, voltando ao time após quatro partidas de fora, com Wilson Santos passando ao posto de volante. E embora apresentasse um volume de jogo muito maior, o America sofreu para dobrar o Tricolor Suburbano. Saiu atrás no placar com um gol do ponta Osvaldo. E acabou tendo em Antoninho o herói da tarde: o atacante marcou os dois gols da virada, um em cada tempo. No dia seguinte, o empate em 1 a 1 entre Fluminense e Botafogo colocou americanos e tricolores enfim empatados em pontos no topo da tabela.

Assim, era obrigatório vencer o Bonsucesso no sábado seguinte no Maracanã para permanecer na liderança. E, a duras penas, os rubros conseguiram: marcaram duas vezes no primeiro tempo com João Carlos e Antoninho, sofreram um gol de pênalti de Artoff e tiveram que suportar uma intensa pressão dos rubroanis pelo empate, mas levaram os dois pontos. Mas houve uma baixa: Pompeia chocou-se com Jorge aos 15 minutos de jogo e, capengando, teve de sair para a entrada de Ari – que acabaria sendo o destaque com uma série de defesas cruciais. O Fluminense cumpriu sua parte, com os 2 a 0 sobre o São Cristóvão.

Restavam então, nas duas últimas rodadas, os clássicos contra Botafogo e Fluminense. Os dois únicos adversários ainda com chances matemáticas de título. Mas na terça-feira da semana do jogo com os alvinegros, o Jornal dos Sports estampava na primeira página que o elenco americano amargava dez contusões para a próxima partida. Felizmente, tudo foi contornado: não apenas os casos tidos como mais graves (Wilson Santos e João Carlos) foram recuperados como o time ainda contaria com a volta de Djalma Dias e Amaro entre os titulares.

João Carlos, o camisa 10 e grande armador do time (Revista do Esporte)

A pedido dos jogadores, a concentração foi antecipada em um dia. E no sábado houve ainda um show com artistas do rádio e da televisão na concentração da rua Gonçalves Crespo. Já pelo lado do Botafogo, havia a expectativa quanto à escalação de Nilton Santos, expulso contra o Vasco e indiciado por agressão contra o meia Waldemar, com o agravante de ser reincidente (já havia sido expulso na primeira rodada, contra o Fluminense). Mas o Alvinegro conseguiria um efeito suspensivo para o defensor, sob protestos americanos.

Assim, com a escalação que entraria para a história daquele título, o America entraria em campo para uma partida épica. Saiu atrás aos cinco minutos quando Didi lançou Garrincha em posição duvidosa, e o ponta encobriu Ari. Empatou pela primeira vez aos dez, quando, numa cobrança de falta, Amaro rolou para Nilo encher o pé esquerdo e vencer Manga. Na volta do segundo tempo, logo aos nove minutos, o America tornou a ficar em desvantagem quando o árbitro Frederico Lopes viu pênalti de Jorge em Amarildo. Didi bateu e converteu. 

Ari deu azar no lance: a bola bateu na trave, nas suas costas e morreu nas redes. Logo ele que vinha fazendo um ótimo jogo, inclusive espalmando para escanteio uma grande bola de Garrincha após o ponteiro fazer fila na defesa rubra. Mas o America voltaria a empatar aos 15: Calazans cruzou da direita e a bola passou por toda a pequena área até Nilo surgir na segunda trave para escorar de cabeça. O Botafogo, no entanto, passaria pela terceira vez à frente aos 27, num centro de Amarildo em que Ari saiu em falso e China tocou de cabeça.

Depois desse gol, imaginava-se que o America, de crista baixa, não teria forças para reagir mais uma vez. Mas a reação não só viria como seria quase imediata: quatro minutos depois, Calazans fez grande jogada pela ponta direita. Passou por Chicão e por Zé Maria. E, vendo que Manga não fechava bem o canto, chutou entre o goleiro e a trave. Era o 3 a 3. Resultado que tirava de vez o Botafogo da briga e mantinha muito vivo o America, ainda que o Fluminense, rival na decisão, somasse um ponto a mais e entrasse com a vantagem do empate.

A DECISÃO

Naquela penúltima rodada o Fluminense havia assumido mais uma vez a liderança isolada ao bater o Vasco por 1 a 0 com um gol do volante Edmílson do meio da rua, numa bola que resvalou na coxa do zagueiro Orlando Peçanha e enganou o goleiro Ita. Era um time traiçoeiro, o de Zezé Moreira: duro na defesa, veloz no contra-ataque e tendo em Waldo um artilheiro implacável. E, sobretudo, muito mais acostumado a decisões que o jovem e modesto time do America, uma equipe com média de idade inferior a 23 anos e sem jogadores de nome.

Pesava ainda contra os rubros uma escrita diante dos tricolores. Após emendar seis vitórias seguidas no clássico (incluindo goleadas de 4 a 0 e 5 a 1) nos torneios de 1954 e 1955, o America ficou nove jogos sem derrotar o rival pelo Carioca – quatro vitórias do Flu (todas por 1 a 0) e cinco empates (todos por 1 a 1). Além disso, o time entraria de luto pela morte do ex-presidente e patrono Antônio Gomes de Avellar, figura muito querida por todos, que enfartara enquanto tentava arrecadar dinheiro para engordar o bicho pelo empate com o Botafogo.

Diante de um público pagante de pouco mais de 98 mil torcedores, o America entrou em campo no Maracanã com o capitão Wilson Santos à frente e com a escalação que ficaria imortalizada nos pôsteres. Das arquibancadas, foguetes explodiam e bandeiras se agitavam na torcida rubra, ansiosa para ver o fim de um drama de 25 anos. Mas o primeiro tempo seria equilibrado, com o adversário ligeiramente melhor. E, depois que o árbitro Wilson Lopes de Souza deixou passar um toque de Pinheiro dentro da área tricolor, o Flu abriria o placar.

Telê foi lançado pelo miolo da defesa americana e arrancou sozinho. Ari saiu do gol, mas o meia tricolor conseguiu se livrar do arqueiro e tocou por cobertura. Mas no meio do caminho, Wilson Santos, como um segundo goleiro, atirou-se para salvar o gol com as mãos. Pênalti. De lá da zaga tricolor, Pinheiro se apresentou para a cobrança, com seu habitual chute forte. Ari voou no canto certo e defendeu, mas a bola voltou ao beque com tempo para ajeitar e mandar para as redes, com a pelota acertando o travessão antes de quicar dentro do gol.

Eram decorridos 26 minutos do primeiro tempo. Wilson Santos diria após o jogo que, após o gol tricolor, passou a ter ainda mais certeza de que o America venceria. Mas Antoninho ficou muito abalado ao ser substituído por Fontoura pouco antes do intervalo (a regra da época permitia uma única substituição, contanto que fosse feita no primeiro tempo). O atacante deixou o campo bastante abatido e chorou copiosamente no vestiário, sendo consolado pelos companheiros. Veio então o segundo tempo. E com ele, a reação americana.

Em um de seus deslocamentos pelas pontas, Quarentinha fez um carnaval pela esquerda: passou por Pinheiro deixando o beque tricolor estirado no gramado, ganhou na corrida de Jair Marinho e chutou com veneno. Castilho fez apenas a defesa parcial. E, como um raio, apareceu Nilo para estufar as redes e empatar logo aos cinco minutos. O America já era então o melhor em campo. Com o recuo do Fluminense, o time rubro voltou a ditar o jogo no meio-campo com Amaro e João Carlos e contar com o apoio constante dos laterais Jorge e Ivan.

Até que, perto dos 30 minutos, Pinheiro cortou um dos insistentes ataques americanos com a mão na intermediária. Nilo se apresentou para cobrar e disparou outro petardo de pé esquerdo. A bola veio rasteira, queimando a grama. Castilho mais uma vez não teve como segurar e soltou. Jorge, que naquela altura já deixara de ser um defensor para se tornar mais um atacante, veio na corrida e tocou para as redes. Era a virada conquistada na raça. Depois não houve mais jogo, nenhum lance de perigo, apenas o relógio correndo. Porque era para ser assim.

Jorge pega o rebote de Castilho e manda para as redes (Manchete)

O que se viu no gramado do Maracanã naquele dia após o apito final foi uma explosão de emoção retida. Ari deixou o campo carregado. Ivan chorava feito criança. Calazans foi levado, de faixa e tudo, para tomar oxigênio. Jorge Vieira foi levado nos ombros pelo massagista Olavo. E a torcida e os jogadores seguiram a pé do estádio até a sede na rua Campos Sales, onde a comemoração correu solta. Uma vitória e uma festa que a cidade do Rio de Janeiro inteira aplaudiu e reconheceu como merecida, por um clube histórico que se reencontrava com a glória.

No ano seguinte, mesmo perdendo Jorge Vieira (que não acertou a renovação do contrato) em janeiro, o time ainda faria excelente campanha na Taça Brasil, eliminando o Cruzeiro e o poderoso Palmeiras de Djalma Santos, Julinho Botelho e Vavá, então detentor do título. O empate em 1 a 1 no Pacaembu e a vitória por 2 a 1 no Maracanã levariam os rubros à semifinal contra o Santos, quando cairiam após três jogos. Já em 1962, o America venceria a International Soccer League em Nova York, derrotando na final os portugueses do Belenenses.

Mas aos poucos o time campeão foi se desfazendo: Calazans foi o primeiro a sair, já em 1961 para o Fluminense, para onde também iria Jorge em 1965. Djalma Dias (nome que teria maior projeção do elenco) seria vendido ao Palmeiras em 1963, junto com Nilo. Amaro seguiria para a Itália, negociado com a Juventus pelo montante que permitiria ao clube adquirir o estádio do Andaraí. Leônidas sairia para o Botafogo, clube o qual Ivan defendia há poucos meses quando teve morte trágica, afogado na praia da Barra da Tijuca em abril de 1963, aos 25 anos.

Depois de 1960, o America flertaria esporadicamente com o título carioca. Conquistou turnos em 1974 e 1982 com times históricos, mas em ambos os campeonatos sucumbiu a Flamengo e Vasco no triangular final. Apareceu de surpresa vindo de uma repescagem em 1976, mas também não foi adiante. Mostrou um ótimo e moderno futebol em 1970, mas as lesões minaram a equipe. E foi o segundo colocado em pontos em 1983, mas sequer figurou nas finais. Hoje oscila entre a segunda divisão e a fase preliminar da primeira, longe do convívio dos grandes.

America campeão (Revista do Esporte)
America campeão – capa Jornal dos Sports

Além de colaborações periódicas, quinzenalmente o jornalista Emmanuel do Valle publica na Trivela a coluna ‘Azarões Eternos’, rememorando times fora dos holofotes que protagonizaram campanhas históricas. Para visualizar o arquivo, clique aqui. Confira o trabalho de Emmanuel do Valle também no Flamengo Alternativo e no It’s A Goal.

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Emmanuel do Valle

Além de colaborações periódicas, quinzenalmente o jornalista Emmanuel do Valle publica na Trivela a coluna ‘Azarões Eternos’, rememorando times fora dos holofotes que protagonizaram campanhas históricas.

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