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Os 50 anos de Aldair, uma referência de técnica e seriedade para a zaga da Seleção

Aldair fugia dos estereótipos para um zagueiro. Não precisava ser muito alto, nem muito forte, e muito menos truculento. Afinal, poucos zagueiros de seu tempo tinham tanta técnica. O defensor preciso nos desarmes também possuía qualidades na saída de bola. E mantinha a consistência graças à calma acima do comum, mesmo diante dos melhores atacantes do mundo. Em nove anos de Seleção, Aldair atravessou os seus momentos de crítica, sobretudo no fim dos anos 1990. Ainda assim, disputou três Copas do Mundo, somando 80 partidas. Hoje, ao completar 50 anos, pode olhar para trás sabendo que foi um dos melhores de sua posição a vestir a camisa amarela.

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Revelado pelo Flamengo, Aldair fez parte de uma das gerações mais talentosas dos rubro-negros. E teve um belo exemplo para se espelhar em Mozer, seu companheiro de equipe até 1987. As boas atuações no clube logo o levaram à Seleção. E o baiano esteve entre os convocados para a Copa do Mundo de 1990. Apesar da queda precoce do time de Lazaroni, em um Mundial marcado pela força defensiva, as opções do Brasil eram excelentes. Tanto que, em meio a veteranos, Aldair permaneceu como reserva. Difícil competir com Mozer, Mauro Galvão, Ricardo Gomes e Ricardo Rocha, todos atravessando o ápice.

A queda na Itália, contudo, serviu de preparação para a redenção nos Estados Unidos. Aldair assumiu o posto de titular e foi um dos esteios da defesa. Teve seu papel de destaque na conquista do tetra. Naquele momento, o zagueiro chegava ao seu auge na equipe nacional. Mas, embora permanecesse como titular absoluto, passou por momentos de crise. Um dos jogadores acima dos 23 anos, foi apontado como um dos responsáveis pelo fracasso nas Olimpíadas de 1996. Também enfrentou as críticas durante a Copa de 1998, embora tenha superado as desconfianças, vital na campanha até a final. Por fim, o veterano ainda tentou prorrogar um pouco mais sua carreira na Seleção depois do Mundial, mas as oscilações culminaram em sua despedida em 2000. A história vitoriosa, por fim, se sobrepôs às baixas.

Mesmo já próximo do fim da carreira, Aldair ainda teria tempo para viver sua maior glória com a Roma. Um dos maiores ídolos da torcida giallorossa, o zagueiro chegou ao Estádio Olímpico em 1990, após rápida passagem pelo Benfica, e se manteve como um dos destaques do time a partir de então. Conquistou uma Copa da Itália em sua primeira temporada, para levar os romanistas ao topo da Serie A em 2000/01 – o scudetto que a torcida não via desde 1983. O brasileiro deixou a Roma dois anos depois, aos 37 anos, ainda passando uma temporada no Genoa, antes de viver o ocaso da carreira no Murata, de San Marino. Ainda assim, a gratidão dos giallorossi permaneceu. A ponto de aposentarem a camisa 6 até 2013, com a contratação de Kevin Strootman.

Diante da impressão que deixou no fim de sua passagem pela Seleção, Aldair não é unanimidade. Mesmo assim, sua grandeza como zagueiro foi construída ao longo dos anos. E, pegando o seu auge, poucos defensores transmitiram tanta confiança e qualidade com a camisa do Brasil. Em uma seleção brasileira de todos os tempos, o baiano merece ao menos brigar por um lugar no banco de reservas.

Abaixo, o vídeo feito pela Roma na introdução de Aldair ao Hall da Fama do clube:

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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