Os 20 anos sem os Mamonas Assassinas e a nostalgia que também se liga ao futebol dos anos 90

Você até pode não ter idade para se lembrar tanto da banda em si. Ainda assim, se viveu a juventude nos anos 1990, provavelmente vai ter alguma lembrança relacionada aos Mamonas Assassinas. O grupo marcou uma geração com seu humor irreverente e as letras desbocadas, que se casavam com o contexto daquele período. Mas a eclosão dos músicos nas paradas foi tão repentina quanto a sua carreira, abreviada por um acidente aéreo. Em 2 de março de 1996, a morte dos Mamonas causava comoção nacional. E, por mais que se discuta o potencial que a banda teria para se manter no topo se a tragédia acontecesse, seu sucesso é inegável.
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De certa maneira, a nostalgia sobre os Mamonas Assassinas se cruza com o futebol. Afinal, os integrantes do grupo representavam os quatro principais clubes da cidade de São Paulo: Dinho era corintiano, Bento Hinoto torcia para o Palmeiras, Júlio Rasec simpatizava com a Portuguesa e os irmãos Samuel e Sérgio Reoli apoiavam o São Paulo. E a torcida dos músicos pode ser relacionada a uma década inesquecível para os paulistanos.

Entre 1990 e 1999, foram três Libertadores, sete Brasileiros e duas Copas do Brasil conquistadas pelo “trio de ferro”. O Corinthians quebrou o seu jejum nacional, formou uma promissora geração que levou dois títulos em 1995 e teve o seu esquadrão no final da década. O Palmeiras vivia as benesses da era Parmalat, com o bicampeonato brasileiro, o desempenho arrasador no Paulista de 1996 e a conquista da Libertadores. Comandado por Telê Santana, o São Paulo surgiu como o melhor time do mundo por dois anos consecutivos e ainda viveu os triunfos regionais no fim da década. E mesmo a Lusa teve os grandes momentos, vice-campeã brasileira e responsável por ótimas revelações. Anos de glórias e rivalidade ferrenha, com clássicos que permanecem ainda hoje gravados na memória.
A rivalidade, aliás, serviu de brincadeira em uma das músicas do Mamonas. Na introdução de Uma Arlinda Mulher, Dinho citava na versão ao vivo: “Essa desgraçada, que com certeza é palmeirense, que briga com você quando quer assistir a um jogo de futebol e ela quer ver novela reprisada”. O corintiano, aliás, era fanático por futebol. Tinha amizade com jogadores do Corinthians, entre eles o zagueiro André Santos e o volante Zé Elias, ambos de Guarulhos. Segundo a revista Placar de abril de 1996, o cantor era um habilidoso meia direita e passou em uma peneira na Portuguesa quando tinha nove anos, mas não ficou por causa das dificuldades entre conciliar a escola e os treinos. Além disso, constantemente aparecia com a camisa alvinegra.
Além disso, há outros dois episódios marcantes envolvendo a banda com outros clubes de fora de São Paulo. Certa vez, os Mamonas desembarcaram no aeroporto do Rio de Janeiro junto com a delegação do Atlético Mineiro. E resolveram brincar com os jogadores, perseguindo os atleticanos como se fossem aficionados. Só que os seguranças não entenderam a zoeira, batendo em Júlio Rasec e Sérgio Reoli. Já Iranildo, um dos destaques no Botafogo campeão brasileiro de 1995, era grande fã da banda. Gostava muito da música Pelados em Santos. E, de tanto cantá-la, ganhou uma Brasília amarela da diretoria do clube, às vésperas da decisão do campeonato nacional contra o Santos. Sem habilitação na época, o “Chuchu” deu no mesmo dia seu novo carro para o massagista Paulão, que pegava três conduções para ir ao treino.

Abaixo, reproduzimos uma raridade que já havíamos resgatado na Trivela há uns meses: a paródia de uma narração de futebol feita pelos Mamonas Assassinas. Uma maneira de relembrar a sagacidade do grupo em suas piadas:



