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Onde foi parar o futebol forte e eficiente do Corinthians?

O Campeonato Brasileiro já começou, mas um dos principais candidatos ao título parece ainda não ter entrado em campo. Ao menos, não como se esperava. O Corinthians, eliminado precocemente pelo árbitro Carlos Amarilla Boca Juniors na Libertadores, entrou desde o início com todas as atenções no campeonato. Até por isso se esperava um desempenho melhor do que os atuais seis pontos em cinco jogos. Atual campeão da Libertadores e do mundo, o time não mostra a mesma qualidade de jogo de 2012, especialmente no setor ofensivo. Nem mesmo um dos grandes trunfos da equipe, o jogo coletivo, tem funcionado tão bem quanto antes. O que aconteceu com o time de Tite?

O Corinthians de 2013 experimentou um novo esquema. O 4-2-3-1 que o time jogava desde 2011 deu lugar a um 4-4-2 em linha, com Danilo como meia aberto pela esquerda e Renato Augusto pela direita, ambos fechando pelos lados para formar uma linha com Ralf e Paulinho quando o time não tinha a bola. Isso para poder ter Alexandre Pato e Guerrero à frente. E funcionou bem nos jogos que jogou assim, deu consistência e força ao time tanto defensiva quanto ofensivamente. Nada espetacular, mas parecia que o time apresentaria não só uma novidade, mas uma melhora em relação ao time supercampeão.

Só que Renato Augusto se machucou. O time voltou ao 4-2-3-1, porque dos jogadores do elenco, talvez só o ex-jogador do Bayer Leverkusen conseguisse fazer a função pelo lado direito do meio-campo. Tite apostou na segurança do esquema anterior. Romarinho, que é atacante de origem, entrou bem no time, ganhou a posição, Emerson também, Pato passou a perder gols compulsivamente e o time passou a render menos do que era esperado. Claro, nada tão rápido e tão simples quanto estas palavras, mas a qualidade que o time parecia que ia mostrar ficou só em jogo difíceis de serem levados a sério, como contra o Tijuana e o San Jose em casa, na Libertadores. Sempre deixando a sensação que estava se poupando ou faltava motivação, mas na hora certa o time voltaria a mostrar a força de antes.

No Campeonato Brasileiro, o que se viu nessas primeiras rodadas do Corinthians tem sido um futebol previsível, que não consegue fazer sua qualidade se sobrepor à dos adversários e que sofre mesmo quando joga contra times bem piores, como foi neste fim de semana, contra a Portuguesa. O time teve posse de bola (59% a 41%), chutou mais a gol (10 a 7) e mesmo assim ameaçou muito pouco o goleiro Gledson. O melhor lance foi um chute de Romarinho, no segundo tempo, que acertou o travessão. No mais, um time que ficou abaixo da média e viu a Portuguesa se defender bem, fechando os espaços e sair com um 0 a 0 que não empolgou absolutamente ninguém na arquibancada.

O ataque do time não tem rendido. Guerrero faz falta, mas não é só esse problema. Mesmo com o peruano em campo, o Corinthians tem sofrido para fazer gols. A má fase de Alexandre Pato também incomoda. Contra a Portuguesa, Pato jogou os 90 minutos e não deu um chute a gol. Nem um sequer. Um problema para o jogador que foi a referência no ataque durante a partida e que custou € 15 milhões. Em cinco jogos até aqui, foram apenas três gols. Pouco para um time que se notabilizou pela grande eficiência.

O time tem méritos e é preciso ressaltar. O empate sem gols contra a Portuguesa aconteceu em parte porque o plano de jogo da Lusa deu muito certo no setor defensivo, mas também porque o sistema defensivo alvinegro dá poucas chances ao adversário, mesmo nos contra-ataques sofridos. Nessas cinco rodadas, o Corinthians é o time que menos concede chutes ao adversário, 9,2 chutes por jogo em média. O segundo é o Atlético Mineiro, com 10,3. A força defensiva segue sendo um ponto positivo do time, mais pela compactação do que pela qualidade de seus defensores, embora seja impossível não falar na grande fase do zagueiro Gil, que desde que chegou ao Corinthians, no início do ano, tomou conta da posição na zaga.

Tite reclamou do calendário brasileiro na entrevista depois do jogo, no que tem total razão. O time jogou na quarta à noite, 22h, e entrou em campo novamente no sábado às 18h30. Menos de 72h depois. O calendário é realmente ruim e é difícil manter o mesmo titular em dois jogos em sequência assim. Só que o Corinthians tem elenco para rodar. Se para o Corinthians está difícil, imagine para os outros elencos, que não são tão fartos. E mais do que isso, o time não mostrou que o problema é o cansaço. Tem jogado sistematicamente assim. Falta futebol mesmo. Talvez falte pernas também, mas falta principalmente bola mesmo.

O Corinthians precisa ter uma postura mais agressiva na marcação e com a fluência ofensiva que tinha antes. O time se caracterizou por ter paciência para enfrentar adversários, tocando a bola, sabendo como se posicionar, acelerando o jogo quando preciso, sabendo aproveitar os defeitos dos mais diversos times: dos que se posicionam atrás da linha da bola aos que jogam pressionando e dando espaço para os contra-ataques. Agora, o time consegue ter posse de bola, mas ameaça pouco o gol adversário. O jogador que mais chuta a gol, em média, é Paulinho. E isso porque jogou só uma partida e chutou cinco vezes a gol. Guerrero é o segundo, com 2,3 chutes por jogos (7 chutes em 3 jogos). Pato jogou todas as cinco partidas do Corinthians e chutou dez vezes a gol, dois chutes a gol em média. O time chuta pouco. Um problema que o time teve em 2011, quando foi campeão brasileiro, é verdade, mas que tinha resolvido em 2012. E agora, parece ainda mais grave, porque em 2011 ao menos conseguia fazer 1 a 0. Agora, está sofrendo até para isso.

Em cinco jogos, são seis pontos. Metade dos 12 projetados por Tite para os cinco primeiros jogos no campeonato. Não dá para descartar o Corinthians, obviamente, porque há muitas rodadas a serem disputadas e o time certamente começará a somar pontos em algum momento. Acredito até que deve lutar pelas primeiras posições, mesmo com o início titubeante. Só que mais do que os pontos que o time deixou de ganhar, é preciso que a equipe mostre mais futebol, seja mais letal ao adversário. Por enquanto, o Corinthians é favorito só no papel. Em campo, ainda precisa mostrar isso.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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