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O Vasco soube aproveitar o clássico para passar um pouco da crise ao Flamengo

De certa maneira, o Vasco teve sorte no chaveamento da Copa do Brasil. Claro, existiam possíveis adversários mais fracos do que o Flamengo. No entanto, o clássico atenua os efeitos da grave crise que os cruz-maltinos vivem. Em um duelo de tamanha rivalidade, as diferenças na tabela se atenuam diante da tensão. E, na estreia do técnico Jorginho, os vascaínos se aproveitaram muito bem disso. Diante de um time desencontrado e nervoso dos rubro-negros, o Vasco saiu em vantagem com a vitória por 1 a 0 no Maracanã. Uma esperança, em meio à campanha vexatória no Brasileirão, que dificilmente não terminará em rebaixamento.

O primeiro tempo contou com os ânimos aflorados, sobretudo quando Wallace e Riascos se desentenderam. O Flamengo teve sua chance de sair em vantagem, mas Guerrero parou em grande defesa de Martín Silva. Porém, o Vasco conseguia ser melhor em campo. Criava mais volume de jogo, diante dos enormes espaços dados pelos rivais, um problema que parece crônico com Cristovão Borges. Só que, na melhor oportunidade, Nenê chutou para firme intervenção do goleiro César.

Já no segundo tempo, Wallace tomou para si o destaque. Negativo. Primeiro, aos 12 minutos, falhando decisivamente no gol de Jorge Henrique. O atacante vascaíno foi bastante feliz na finalização, indefensável, mas a jogada construída por Riascos contou com a colaboração do zagueiro flamenguista. Depois, pela expulsão aos 24 minutos, que freou qualquer tentativa de reação do Fla, que até tinha criado algumas oportunidades decentes pouco antes.

Como era de se esperar, sobraram vaias no final. Para Wallace, pela noite totalmente infeliz. E especialmente para Cristovão Borges, que não consegue desenvolver um bom trabalho na Gávea (o que, de forma alguma, não justifica as ofensas racistas que o baiano segue recebendo). O time não tem coesão, se expõe demais e erra demais. Além disso, o treinador demora para identificar as situações de jogo e corrigi-las. Nesta quarta, pesou contra, com a vitória do Vasco, autor de míseros oito gols em todo o primeiro turno do Brasileirão. Com méritos, o time de Jorginho dominou e venceu. Por ora, passa a crise aos rivais.

Obviamente, nada está perdido ao Flamengo. O fato de ser um clássico disputado em dois jogos no Maracanã elimina a vantagem nos gols fora de casa. Basta, portanto, vencer por um gol de diferença para levar o confronto aos pênaltis. O problema é quando o time oscila tanto, alternando boas partidas com atuações sofríveis. Bom para o Vasco, que usou isso para ganhar motivação e dar um grande empurrão ao trabalho de seu novo técnico. Para, quem sabe, sonhar com uma boa campanha na Copa do Brasil, diante de um ano que se desenha sofrível.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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