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O último ato de uma queda anunciada: Depois de tantos erros, o Inter está rebaixado

A desventura do Internacional já estava prenunciada. E, exceção feita a Danilo Fernandes, os colorados lutaram pouquíssimo para tentar mudar a sua desfortuna. Ao final da tarde, a lamentação tomou o Estádio Edson Passos: pela primeira vez em sua história, o Inter está rebaixado. Empatou por 1 a 1 com o Fluminense e ficou distante da salvação, ainda mais com a vitória do Sport. O domingo apenas confirmou a sucessão de erros que foi a campanha dos gaúchos no Brasileirão. O próximo ano será de reconstrução na Série B.

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A partida no Rio de Janeiro foi melancólica para o Internacional. Afinal, para quem precisava vencer, a equipe se apresentou de maneira apática. Poucas foram as oportunidades de gol. E os colorados só ganharam sobrevida, como tantas vezes nesse campeonato, graças a Danilo Fernandes. No final do primeiro tempo, o goleiro defendeu o pênalti cobrado por Richarlison. Não fosse o camisa 1, os gaúchos já teriam sido rebaixados rodadas antes no Brasileirão.

Mas não foi o milagre do goleiro que deu uma injeção de ânimo no Inter. O segundo tempo continuava arrastado. E piorou quando Douglas abriu o placar para o Fluminense, aos 27 minutos, em um chute desviado na zaga. A partir de então, parecia que os colorados só aguardavam o apito final para começar a chorar. Até saiu o empate, em um lance fortuito de Gustavo Ferrareis, já aos 43. Oferecia uma pontinha de esperança, caso o acontecesse a virada e o Sport tomasse o empate. Mas nem os gaúchos se esforçaram e nem os pernambucanos cederam. A derrota confirmou a queda do Internacional e o gol de Diego Souza, aos 44 do segundo tempo, só ampliou a festa na Ilha do Retiro com a vitória salvadora do Leão por 2 a 0 sobre o Figueirense.

Difícil explicar a queda do Internacional em um só erro. Foram vários, ao longo de meses, a maioria deles cometidos pela gestão. De um time que começou o campeonato no topo da tabela, criou-se a ilusão de que o elenco era forte o suficiente. Longe disso. Depois, novas falhas na hora de demitir e de decidir quem seriam os novos técnicos. Saiu Argel, saiu Falcão, saiu (tardiamente) Celso Roth. Chegou Lisca quando a lavoura já estava praticamente perdida. E a ascensão do Vitória na reta final da campanha serviu de pá de cal.

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Várias partidas custaram caro demais. A derrota em casa para o Vitória, em setembro. Os frequentes gols sofridos nos minutos finais. Os pontos perdidos contra clubes praticamente rebaixados. De qualquer maneira, cada um desses jogos é a parte de um todo fracassado. E a sobriedade de jogadores como Alex e Danilo Fernandes, na saída de campo, demonstrou bastante o pensamento que precisa vigor agora no Beira-Rio, admitindo os erros e olhando para eles na tentativa de não repeti-los.

“O torcedor não merecia isso, a instituição também não. A gente foi muito incompetente no campeonato. Ao longo do campeonato, foi isso. Desculpa é o mínimo. Agora temos que fazer com que esse torcedor tenha orgulho de ser colorado”, declarou o capitão. “Estamos com vergonha. O clube mais vitorioso do século, um clube que viveu muitas glórias. Mostrou que só a camisa não vence. É preciso querer e buscar. Nada justifica. Teremos que reerguer a história desse clube. Pedimos perdão”.

Ao Inter, resta a altivez de aceitar o que aconteceu e seguir, reerguendo-se a partir de sua grandeza. Apesar da tentativa de alguns dirigentes de acionarem a justiça desportiva, a maioria dos colorados já demonstrou sua posição contrária e a intenção de se reconstruir apenas em campo. A mobilização vivida no Beira-Rio em alguns momentos neste Brasileirão, apesar das dificuldades, reforçam o apoio que a equipe terá. Além do mais, 2017 aponta para novos rumos, com a diretoria eleita com 95% dos votos neste sábado. Hora de olhar para frente, independente do que já se conquistou no passado com outros cartolas. O próximo passo é a renovação.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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