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O que o Palmeiras pode esperar com a contratação de Alejandro Guerra

O interesse se estendeu por semanas, até que o Palmeiras confirmasse negócio nesta terça-feira: Alejandro Guerra reforçará o elenco alviverde para a Libertadores 2017. O venezuelano foi anunciado com pompas pelo atual campeão brasileiro. Eleito o melhor jogador na campanha do título do Atlético Nacional, em 2016, de fato o meio-campista jogou muita bola. E vem como um acréscimo importante não apenas pela qualidade técnica, mas também pela tarimba que adiciona ao elenco de Eduardo Baptista.

Guerra é um jogador de múltiplas funções. Tem capacidade para atuar em diferentes posições no meio de campo. Não é um atleta de grande velocidade, mas é incisivo o bastante para entrar aberto pelos lados, ajudando a recompor. Além disso, a capacidade nos passes e a visão de jogo permitem que se encaixe também como segundo volante ou meia central. Desta última maneira, aliás, costumava ser usado com maior frequência por Reinaldo Rueda no Atlético Nacional. Não oferece tanta segurança na proteção, mas é combativo. E, quando o time está com a bola, sua excelência se sobressai, seja pela maneira como organiza a construção ou pela inteligência para ocupar espaços, se apresentando à frente. A dinâmica dos colombianos girava ao seu redor.

Nos últimos meses, porém, as aparições de Guerra pelos Verdolagas vinham sendo menos frequentes. Rueda não exigia tanto do veterano de 31 anos, pouquíssimo utilizado no Campeonato Colombiano. Ele foi mais importante nas competições internacionais. Na Libertadores, jogou o fino principalmente até as quartas de final. Sua atuação no épico jogo de volta contra o Rosario Central foi impecável. Já no segundo semestre, tanto na Copa Sul-Americana quanto na reta final da Libertadores, se tornou homem de segundo tempo. Entrava para encorpar o meio de campo e criar problemas quando os adversários sentiam mais o físico. O mesmo aconteceu contra o Kashima Antlers no Mundial. Despediu-se dos colombianos com gol, titular e presente em campo por 78 minutos na decisão do terceiro lugar, contra o América do México.

A experiência internacional de Guerra, aliás, certamente teve peso em sua contratação pelo Palmeiras. O meio-campista já era figurinha carimbada nas competições continentais quando ainda atuava na Venezuela, sobretudo no Caracas. Foi levado ao Atlético Nacional como um negócio de oportunidade, apesar da idade, e rendeu bem. Além disso, também possui sua rodagem com a seleção. Representou a Vinotinto em três edições da Copa América, incluindo as duas últimas, com 60 partidas internacionais no currículo.

O Palmeiras precisa estar ciente que não contrata um jogador para ser o dono da posição. A idade pesa em Guerra e, não à toa, Rueda se acostumou a administrar a utilização do venezuelano. Em compensação, o reforço traz grande qualidade técnica para a rotação alviverde. Pode compor um meio-campo voluntarioso ao lado de Moisés e Tchê Tchê, sem que se exponha tanto. Não é o armador clássico, mas alguém com capacidade para orquestrar as ações ofensivas do time graças a sua visão e aos seus passes, inteligente e dinâmico. Por aquilo que jogou no Atlético Nacional, sobretudo no primeiro semestre, acrescenta bastante no elenco palestrino. E, considerando o aspecto físico, a pré-temporada terá papel importante para que ‘El Lobo’ recupere a sua melhor forma.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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