Brasil

O que esperar da seleção olímpica a um ano dos Jogos do Rio

Dentro de um ano, o Rio de Janeiro receberá a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de 2016. O marco inicial do maior evento poliesportivo já realizado no Brasil, mas que também terá o futebol como carro-chefe. Afinal, se a Copa do Mundo terminou em vexame, a medalha de ouro olímpica seria um jeito para a Seleção se redimir ao menos um pouco, na única grande conquista que ainda falta em seu currículo. Por isso mesmo, a atenção ao time olímpico tem sido grande nos últimos tempos. Apesar dos percalços na organização do futebol de base da CBF, marcados especialmente pela saída de Alexandre Gallo.

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A formação do time sub-23 vem sendo realizada há anos, com uma base que começou a ser talhada entre o sub-15 e o sub-17 vice-campeão mundial em 2011. Entretanto, a primeira grande quebra de sequência no trabalho veio com a saída de Ney Franco e a reformulação da estrutura interna da base da Seleção. E o início de Alexandre Gallo à frente da geração, com a adição dos jogadores nascidos em 1993, não foi nada boa. Pela segunda vez na história, a Seleção ficou de fora do Mundial Sub-20. Caiu ainda no Sul-Americano de 2013, pulando uma etapa importante do processo.

A partir de então, coube a Gallo comandar períodos de treinamentos e participações em torneios menores, com as subsequentes seleções sub-21 e sub-22. Em 2013 e 2014, os principais momentos aconteceram no bicampeonato do tradicional Torneio de Toulon. Entre os destaques do time estavam Marquinhos, Lucas Silva, Dória e Rodrigo Caio. Já neste ano, o elenco chegou a contar com um período de treinos paralelo à seleção principal, disputando amistosos contra os times olímpicos de Paraguai e México. Valeu para que outros destaques da geração fossem observados, como Felipe Anderson e Talisca.

Só que um racha interno na CBF culminou na saída de Gallo. Rogério Micale assumiu suas funções na seleção sub-20 e na sub-22, embora Dunga tenha sido confirmado no cargo para as Olimpíadas. Mas a chegada do novo técnico serviu para uma reviravolta. O time júnior, de campanha sofrível no Sul-Americano e futebol pobre, cresceu demais no Mundial Sub-20. Terminou com o vice-campeonato, apresentando um futebol ofensivo, além de boas revelações. E serviu para referendar o trabalho de Micale na condução da equipe olímpica nestes momentos decisivos de preparação.

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O Pan-Americano, apenas com jogadores que atuam no Brasil, serviu mais como teste para Micale observar alternativas – ainda que o leque seja mais amplo e bem mais qualificado. Os próximos meses serão importantes para a definição do elenco, assim como para que se trace um estilo de jogo. Micale costuma imprimir em seus trabalhos um futebol ofensivo, de marcação alta e posse de bola, como se viu no próprio Mundial Sub-20. O problema é a lacuna que se pode criar até a chegada de Dunga, alguém com ideias completamente diferentes. O ideal seria a continuidade do treinador, e Micale já apresentou competência suficiente para isso. Só que nem sempre o ideal é o que a CBF quer.

Abaixo, apresentamos as principais opções para a seleção olímpica neste momento. Tomamos por base as convocações da geração nascida a partir de 1993, assim como outros nomes que se destacaram recentemente e os jogadores do sub-20 que podem subir um degrau. Em geral, o elenco está bem servido de talentos, mas em certas posições as carências são preocupantes:

Goleiros

Jean (Bahia), Tiago (Grêmio), Jordi (Vasco), Jaccson (Internacional), Andrey (Botafogo), Georgemy (Cruzeiro), Marcos Felipe (Fluminense), David (Criciúma), Ederson (Benfica)

jean

A posição mais carente da Seleção, bastante cotada para levar um dos jogadores acima da idade. Falta rodagem aos goleiros à disposição, sem nenhum que tenha realmente se firmado em seus clubes. Jean fez um bom Mundial Sub-20, mas teve altos e baixos no Bahia, hoje na reserva. Já o Grêmio começou a dar espaço a Tiago, especialmente com Marcelo Grohe na Copa América, mas também não transmite total confiança. E os brasileiros ainda deram “azar”: Alisson, que vem fechando o gol do Inter, nasceu em outubro de 1992.

Laterais

Wendell (Bayer Leverkusen), Fabinho (Monaco), Douglas Santos (Atlético Mineiro), Jorge (Flamengo), Wallace (Carpi), Claudio Winck (Verona), Auro (São Paulo), Geferson (Internacional), João Pedro (Palmeiras), Maicon (Livorno), William (Internacional), Gilberto (Fiorentina)

fabinho

A quantidade de nomes de destaque pode não ser tão vasta. Entretanto, ao contrário do que acontece no gol, as laterais têm nomes fortes ao menos para os postos de titular e reserva, nas duas posições. Na direita, a grande opção é Fabinho, de ótima temporada no Monaco e convocado para a Copa América. Já na esquerda, Wendell segue apresentando no Bayer Leverkusen a consistência dos tempos de Grêmio. E tem concorrentes fortes no Brasil, diante do desempenho de Douglas Santos no Galo e a ascensão de Jorge no Flamengo.

Zagueiros

Marquinhos (Paris Saint-Germain), Dória (Olympique de Marseille), Marlon (Fluminense), Samir (Flamengo), Wallace (Monaco), Bressan (Flamengo), Luan (Vasco), Lucão (São Paulo), Rodrigo Ely (Milan), Gustavo Henrique (Santos), Paulo Ricardo (Santos)

France Soccer Champions League

O nome mais experimentado da geração nascida a partir de 1993 está na zaga. Marquinhos pode não ter o tamanho de um “zagueiro-zagueiro”, mas sobram qualidade técnica e rodagem ao defensor – que só não é titular do Paris Saint-Germain por conta da badalação de David Luiz. Líder nato, também é ótima opção para assumir até mesmo a braçadeira, para quem já desempenhou muito bem a função de capitão em um Mundial Sub-17. Ao seu lado, a principal alternativa é Dória, que caiu de nível nos últimos meses. Além disso, a seleção sub-20 também serve boas alternativas, com Marlon e Lucão.

Volantes

Lucas Silva (Real Madrid), Danilo (Valencia), Rodrigo Dourado (Internacional) Rodrigo Caio (São Paulo), Ramiro (Grêmio), Bruno Paulista (Bahia), Walace (Grêmio), Jajá (Flamengo), Eurico (Cruzeiro), Barreto (Criciúma), Marciel (Corinthians), Alison (Santos), Filipe Augusto (Rio Ave), Alef (Braga), Otávio (Atlético Paranaense)

Lucas Silva em sua apresentação no Real Madrid

O meio de campo do Brasil é muito bem servido. E as possibilidades para montar a dupla de volantes são múltiplas, diante dos jogadores à disposição. Lucas Silva é a referência no setor, chamado por Gallo durante os últimos meses, ainda que não tenha se firmado no Real Madrid. Também na Espanha, recém-contratado pelo Valencia, Danilo vem referendado pelo excelente Mundial Sub-20, no qual foi o capitão da Seleção. E ainda há vários jogadores que mostram serviço no Campeonato Brasileiro: Rodrigo Caio, Walace, Otávio e Rodrigo Dourado – este último, em especial, após ser um dos melhores da posição na Libertadores 2015.

Meias

Felipe Anderson (Lazio), Rafael Alcântara (Barcelona), Gerson (Fluminense), Fred (Shakhtar Donetsk), Talisca (Benfica), Marcos Guilherme (Atlético Paranaense), Lucas Piazon (Chelsea), Lucas Evangelista (Udinese), Otávio (Vitória de Guimarães), Valdívia (Internacional), Nathan (Vitesse), Gabriel Xavier (Cruzeiro), Dodô (Atlético Mineiro), Andreas Pereira (Manchester United), Gabriel Boschilia (São Paulo), Biro Biro (Ponte Preta)

Felipe Anderson comemora o seu gol pela Lazio

Dando sequência ao time, também será difícil selecionar os poucos nomes às meias. Duas alternativas que se mostram interessantes são Gerson (em ótimo momento no Fluminense) e Fred, pela versatilidade de jogarem também um pouco mais recuados. O camisa 10 tem tudo para ficar com Felipe Anderson, que cresceu de maneira impressionante na Lazio durante os últimos meses. Só que a concorrência será grande, com a ótima alternativa de Rafael Alcântara. Anderson Talisca perdeu fôlego no Benfica, mas segue como candidato às convocações, assim como Lucas Piazon, Nathan, Otávio e Andreas Pereira na Europa. Já pelo Brasil, Marcos Guilherme e Valdívia aparecem com força neste momento.

Atacantes

Gabriel (Santos), Luan (Grêmio), Carlos (Atlético Mineiro), Vinícius Araújo (Cruzeiro), Kenedy (Chelsea), Malcom (Corinthians), Luciano (Corinthians), Kelvin (Palmeiras), Vitinho (Internacional), Felipe Gedoz (Club Brugge), Érik (Goiás), Clayton (Figueirense), Alisson (Cruzeiro), Yuri Mamute (Grêmio), Joelinton (Hoffenheim), Gabriel Jesus (Palmeiras), Marcos Júnior (Fluminense), Douglas Coutinho (Atlético Paranaense), Judivan (Cruzeiro), Pedro Rocha (Grêmio), Ademilson (São Paulo), Thalles (Vasco)

Gedoz

Assim como acontece na seleção principal, não há uma grande opção para se tornar referência dentro da área. Ainda assim, os nomes de talento são vários, mais com características de jogar nos arredores da área ou nas pontas. Carlos e Érik podem jogar como falso 9, ainda que a preferência seja para virem de trás. O mesmo com Gabriel, ainda jovem para a seleção olímpica, ou com Vinícius Araújo, que tenta retomar o ritmo no Cruzeiro. Entre as alternativas de mais velocidade, Alisson e Luan despontam no futebol brasileiro, enquanto Malcom e Gabriel Jesus puderam fazer suas famas no Mundial Sub-20. E, na Europa, há para as pontas Felipe Gedoz, que o Brasil tratou de não perder para o Uruguai, de bom início no Club Brugge. A observar também Joelinton, aquele que mais se aproxima do “camisa 9 clássico”, que chega ao Hoffenheim para substituir Roberto Firmino.

Os três nomes acima da idade

Brasil_Neymar comemora

Desta vez, o Brasil não deve se dar ao luxo de deixar de lado os jogadores acima de 23 anos. O nome mais óbvio é o de Neymar, por tudo o que o craque representa. No entanto, não deverá ser simples conseguir liberar o craque, que estará em pré-temporada com o Barcelona – por conta da Euro 2016, o início dos torneios será retardado. Afinal, a queda de braço pela liberação de jogadores em um torneio fora do previsto pelo calendário sempre é enorme. E dificilmente os grandes craques costumam aparecer no torneio olímpico. Além disso, a necessidade por um goleiro é evidente, tanto pela falta de um nome tarimbado, quanto por aquilo que aconteceu em Londres: sem Rafael Cabral, Gabriel assumiu a responsabilidade e oscilou. Por fim, o terceiro convocado poderia vir ao centro do ataque (onde nem a seleção principal conta com uma unanimidade) ou ao miolo de zaga, para acompanhar Marquinhos e Dória.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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