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O Profeta diz adeus: Hernanes se despede do São Paulo como jogador, mas como lenda é eterno

Hernanes termina a sua quarta passagem pelo clube sem ter conseguido render o esperado, mas se eternizou na história do clube

As histórias sempre têm um fim, mesmo quando o final não é feliz. Hernanes se despediu neste sábado do São Paulo, depois de uma passagem que não correspondeu às expectativas. Diante da falta de minutos em campo, o jogador decidiu pedir a rescisão do contrato. Quer continuar jogando aos 36 anos e sabe que não terá espaço no clube que o consagrou. O melhor para as duas partes, então, foi dizer adeus. O jogador profissional deixa o clube. A lenda, essa é eterna.

Partiu dela a iniciativa de rescindir o contrato. No trecho final da sua carreira, ele sabe que não está entre as opções de Hernán Crespo, decidiu que era hora de ir embora. A terceira passagem, que começou em 2019, passou longe de ser o jogador que surgiu e mesmo daquele que voltou da China, em 2017, e ajudou a tirar o time de uma situação difícil. O retorno não foi como o esperado e o melhor mesmo era encerrar o vínculo.

A sua carta de despedida aos torcedores é emocionante. “Vocês transformaram a minha vida”, disse o Profeta, agradecendo ao torcedor e ao clube. “Eu acredito no amor e sei que o meu amor por vocês é eterno”.

Marcado na história do clube

A história de Hernanes no São Paulo é imensa. Formado nas categorias de base do clube, o jogador chegou ao clube aos 16 anos. Teve seus primeiros jogos como profissional em 2004, antes de ser emprestado ao Santo André em 2006. A passagem pelo clube foi produtiva e serviu para dar a ele espaço para ser aproveitado no time principal, já com o técnico Muricy Ramalho.

Foi um dos protagonistas do de dois dos três títulos brasileiros pelo São Paulo, em 2007 e 2008. Tornou-se um dos principais jogadores do futebol brasileiro no período, chegou à seleção brasileira em março de 2008. Foi também convocado para defender o Brasil na Olimpíada de Pequim, em 2008, quando o time ficou com a medalha de bronze.

Despediu-se do São Paulo pela primeira vez em 2010, após a campanha do time na Libertadores que parou na semifinal. Foi para a Lazio por € 13,5 milhões. Na capital romana, se tornou ídolo. Ainda passaria por Internazionale e Juventus antes de ser negociado com a China, em fevereiro de 2017. Foi jogar no Hebei FC, mas ficou poucos meses: em julho, foi emprestado ao São Paulo.

O clube vivia um péssimo momento. Teve um papel importante na retomada do time, que chegou a ser ameaçado de rebaixamento. Foram 19 jogos, nove gols e três assistências. Só que o empréstimo foi encerrado mais cedo por uma cláusula que permitia ao clube chinês chamá-lo de volta. E foi chamado, em janeiro de 2018. Ficaria mais um ano na China para então voltar, em 2019, para a sua quarta passagem.

Desta vez, o Profeta não conseguiu ser o jogador que se esperava. Seja em 2019, 2020 ou nesta temporada 2021, que está na metade, o jogador acabou pouco a pouco perdendo espaço, até se tornar um reserva quase sem ser utilizado. O fim dessa passagem foi adiado algumas vezes, mas tornou-se inadiável. Clube e jogador estavam insatisfeitos. O salário de Hernanes era alto para um jogador que era quarta ou quinta opção para jogar. Hernanes queria jogar mais, enquanto ainda podia. O fim foi o melhor caminho.

A história e idolatria que Hernanes conquistou no São Paulo são eternos. O jogador está entre os ídolos do clube do Morumbi e será sempre lembrado pelos torcedores. O final foi triste, mas nem toda grande história termina feliz. Os bons momentos ficarão e o jogador pode continuar a sua carreira onde ele sinta que tem condições de jogar e seguir atuando profissionalmente. Era hora de acontecer.

Resta saber qual será o próximo destino do Profeta. Hernanes é um grande personagem e sempre muito determinado. Isso é algo que ficou desta terceira passagem: ainda que tecnicamente tenha rendido muito menos do que se esperava, nunca faltou empenho.

Os torcedores que têm o seu nome na camisa continuarão a poder vesti-la com orgulho de quem sabe que ele valorizou a oportunidade e fez parte de uma série de grandes momentos do clube. História e idolatria de milhões de pessoas é algo que ninguém pode comprar, com dinheiro algum. Hernanes deixa o Morumbi e pode ter a certeza que conseguiu isso. Encerra a sua passagem pelo São Paulo com 300 jogos, 56 gols, três títulos conquistados e uma certeza: que tem o amor dos são-paulinos para sempre.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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