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O Cruzeiro de 2013 volta no tempo e revive o marco de 2003

A vitória por 3 a 0 era incontestável. O Cruzeiro voava no Campeonato Brasileiro e batia o vice-líder, um impulso que precisava para seguir firme rumo ao título. A história que aconteceu em 2003 se repetiu dez anos depois, novamente em setembro, no Mineirão e contra um rival alvinegro. Se o triunfo sobre o Santos, na 31ª rodada, foi considerado chave para que a Raposa levantasse a taça no primeiro Brasileirão dos pontos corridos, as expectativas são as mesmas depois da importante vitória em cima do Botafogo nesta quarta.

Aquele Cruzeiro de 2003 possuía Alex como craque e vinha credenciado pelas conquistas da Copa do Brasil e do Campeonato Mineiro. E o time comandado por Vanderlei Luxemburgo não era só o camisa 10 e também contava com Maldonado, Wendel, Marcinho, Cris, Gomes, entre outros jogadores em grande fase. Naquele 20 de setembro, porém, o astro foi Aristizábal. O atacante colombiano marcou dois gols na vitória sobre o Santos, que também teve um tento de Felipe Melo.

Então atual campeão brasileiro, o Peixe era o adversário a ser batido e o principal perseguidor dos cruzeirenses. O time estrelado por Robinho chegou a ocupar a liderança duas rodadas antes, mas a derrota dolorida foi um marco. Não só pelos três pontos de vantagem abertos pela Raposa, mas pelos efeitos adversos que vieram depois.

O Cruzeiro, que já vinha de duas vitórias, emendou mais seis, na sua melhor sequência no torneio – e, até agora, também a maior dos pontos corridos, segundo números do FutDados. Já o Santos venceu apenas mais uma no mesmo período. Em cinco rodadas, os mineiros abriam 12 pontos, uma distância gigantesca para as dez partidas que restavam. Terminaram o torneio de maneira inesquecível para a torcida celeste, com 100 pontos conquistados e 102 gols marcados.

O time atual cruzeirense pode não ser ter destaques individuais tão brilhantes quanto aqueles do esquadrão de 2003. Ainda assim, não dá para negar a força do coletivo armado por Marcelo Oliveira. E, colocando a vitória sobre o Botafogo no mesmo patamar daquela contra o Santos, a situação é melhor. O aproveitamento é superior (74,2% contra 65,6%), a diferença de sete pontos na liderança é mais confortável e a própria sequência de sete vitórias é mais empolgante – restando 16 rodadas para o fim, enquanto faltavam 15 dez anos atrás.

Sempre é bom frisar que há tempo para uma reviravolta, que o Brasileirão é um torneio equilibrado e todos os outros argumentos que pregam cautela ante a um favoritismo tão evidente. Mas, neste momento, a impressão é a de que o voleio de Nilton, o pênalti perdido por Seedorf e os dois tentos de Júlio Baptista entrarão no resumo do próximo campeão brasileiro. Algo que os cruzeirenses já sentiram, há exatamente dez anos.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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