Brasil

O palmeirense não precisou de ingresso para comemorar a abertura do seu novo estádio

O Allianz Parque tem capacidade para 39 mil pessoas, reduzida de 43 mil depois de uma inspeção da Polícia Militar, e o Palmeiras tem aproximadamente 13 milhões de torcedores. A matemática dita que seria impossível colocar todo mundo que queria presenciar a inauguração do novo Palestra Itália nas arquibancadas, mas quem não conseguiu ingresso deu um jeito de participar da festa. Foi à Pompeia com o espírito certo e encontrou na rua Turiassú um clima que não devia em nada para o que acontecia dentro do estádio.

LEIA MAIS: O Palestra Itália, da fazenda de porcos à arena moderna

A principal organizada do clube animava os seus colegas de torcida com todos os gritos possíveis sobre o Palmeiras no cruzamento da Turiassú com a Caraibas. Ao lado da sede, a Mancha Alviverde colocou um telão para os “excluídos” acompanharem a partida. Fogos de artifício eram ouvidos periodicamente, e sinalizadores levavam o verde e o branco para as ruas de São Paulo. O bastante para fazer pessoas sem nenhuma pretensão de entrar no estádio saírem de casa.

Foi esse o caso de Cesar Candido, promotor de vendas de 23 anos. Seu expediente começaria às 20h, na Avenida Paulista, mas por volta das 21h ele ainda estava na Caraibas. “Vou ter que virar a noite trabalhando, mas vim para prestigiar, tirar uma foto, participar desse momento histórico”, disse. “Sabia que não ia conseguir comprar por causa do serviço, mas os meus olhos encheram de lágrimas quando desci na (estação do metrô) Barra Funda”.

Gisele Santiago, 27 anos, estagiária de análise bancária, também não tinha ingresso. Não conseguiu comprar por causa do preço, que variou de R$ 80 a R$ 500. “Os ingressos mais baratos dava para comprar, mas quando abriu para sócios comuns estava muito caro”, afirmou. O Palmeiras organizou um sistema que dava preferência para quem havia usado o sócio-torcedor Avanti para ir em mais partidas nos últimos meses. No entanto, quem aderisse de última hora em um plano mais caro ganharia prioridade. “Como não consegui comprar porque estava muito caro, eu vim para sentir o clima. Vou ver no telão e tentar ouvir o barulho lá de dentro”, completou.

O preço não foi um problema para o bancário Flávio Marques, de 40 anos. Deficiente, teria direito a entrar no estádio de graça, se quisesse. E, acredite, ele não quis. “Eu não conseguiria chegar lá por causa desse tanto de gente”, explicou o palmeirense que, mesmo sem precisar, paga o plano de R$ 20 do Avanti para contribuir com o clube. Ao seu lado, o amigo Renato Baldo, analista de sistemas de 40 anos, sócio-torcedor quatro estrelas do Palmeiras. “Meus amigos estão aqui, lá dentro eu ficaria isolado”, contou o motivo de não ter comprado ingresso, mesmo sendo um dos primeiros da fila.

MAIS PALMEIRAS: Por que o Palmeiras precisa rever sua relação com a Itália

Outros apaixonados não estavam tão resignados e buscavam uma entrada na clandestinidade. Cambistas chegavam a cobrar até R$ 700 por um bilhete desesperado para a estreia do Allianz Parque, mas Rodrigo Zevzikovas, jornalista de 32 anos, deu “sorte”. Achou por R$ 500, porém não quis premiar a desonestidade com tanto dinheiro. Tentaria encontrar um mais barato até os 30 minutos do primeiro tempo e depois aceitaria assistir à partida no telão da Mancha. “Toda essa tecnologia e ainda vazam ingressos para cambistas?”, perguntou.

Todos eles provavelmente terão uma chance de conhecer o Allianz Parque de perto, mas, mesmo que Rodrigo e seus colegas não consigam ingresso de última hora na mão dos cambistas, conseguiram ao menos retomar a tradição de passear pelas ruas da Pompeia, com a camisa verde no peito e a lata de cerveja na mão, encontrar com os amigos e torcer pelo Palmeiras naquela região tão familiar a quem era frequentador assíduo do Palestra Itália. O sentimento muitas vezes vale mais que um ingresso.

Mostrar mais

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo