Brasil

O garoto de ouro e o caipira falastrão estão de saída

Hoje, dia 11, Marcos faz seu último jogo. Depois, a História. Amanhã, dia 12, Lucas faz seu último jogo pelo São Paulo. Depois, a Europa, para onde Marcos nunca quis ir. Lucas vai em busca de um currículo melhor, que o coloque na luta por um lugar onde Marcos tem posição garantida.

Lucas tem de suar muito, lutar contra suas deficiências – faz poucos gols – e aprimorar suas qualidades para tentar se igualar a Marcos, o goleido do penta.

Se no campo é difícil, fora dele os dois tem muito em comum. Ambos estão na memória afetiva do torcedor. Torcedor de futebol e não apenas de São Paulo e Palmeiras. O atacante que se orgulha de dizer que pensa bem antes de falar e o goleiro que nunca segurou o maxilar inferior são queridos por todos.

Lucas por não cair quando apanha, por não tirar o pé de dividida, mesmo agora, quando já é jogador do PSG. Só para comparar, alguém se lembrar de um certo Keirrison? Lucas não é mascarado, não é superstar, não é da noite – ou pelo menos, se esconde bem – e não nega fogo.

Marcos é amado por todos por uma única defesa: o fato de recusar uma oferta da Inglaterra e aceitar jogar a Série B do Brasileior pelo seu Palmeiras. Aí, ele ganhou de seus torcedordes o direito de errar. Erros futuros não foram notados. Erros anteriores foram perdoados. É lógico que defender pênaltis de Marcelinho também ajudou muito.

Mas por que corintianos gostam de Marcos? Ora, essa é fácil. Eles tiveram o Felipe, capaz de não saltar em uma cobrança de pênalti, para prejudicar o São Paulo. Contra o Flamengo, em Campinas, em 2009. Torcedores comemoraram na hora, mas não são bobos. Ali estava a falta de carátem em forma de ser humano. Eles sabem que com Marcos nunca aconteceria isso.

Os são-paulinos também sabem que Rogério, grande ídolo da história do clube, não foi como Marcos. Ele não recusou, muito pelo contrário, uma oferta do Arsenal. Forçou a barra para uma transferência que não houve. A forma truculenta como foi tratado pela diretoria de Paulo Amaral ajudou em sua transformação em mito. Marcos não precisou disso Não foi porque não quis. 

A quietude de Lucas é transformada em humildade. O jeito falastrão de Marcos em inocência. Um, é o garoto de ouro de uma torcida ansiosa por títulos. Outro é o caipirão amigo, símbolo de um tempo de glórias.

Os dois são gente boa. Os dois são do bem. Farão falta ao futebol aqui de Pindorama.

Foto de Anderson Santos

Anderson Santos

Membro do Na Bancada, professor da Unidade Educacional Santana do Ipanema da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), doutorando em Comunicação na Universidade de Brasília (UnB) e autor do livro “Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol” (Appris, 2019).

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