Brasil

O futuro é agora

Desde que fez 4 a 0 no jogo de ida da final do Campeonato Mineiro, os clássicos de Belo Horizonte têm sido pouco felizes para a torcida do Atlético. Muito pouco. Foram dez confrontos, com um empate e nove vitórias celestes, sendo duas neste ano. Esse retrospecto daria todos os motivos do mundo para os alvinegros se sentirem pessimistas em relação à decisão do estadual de 2009. Mas o clima parece estar diferente.

Do ponto de vista matemático, a diferença em favor do Galo é de poder empatar na soma de resultados. O Cruzeiro não deve ver isso como um grande desafio, pois não teve dificuldades para vencer o rival várias vezes nos últimos tempos. O importante é o efeito que essa vantagem pode ter nos atleticanos.

O Campeonato Mineiro, como praticamente todos os estaduais, não servem de parâmetro a respeito do potencial de um time da Série A nacional. De qualquer modo, a impressão que passa é a de um time encorpado, cujos jovens já dão um pouco mais de sinais de maturidade. Isso é perceptível pela redução dos tropeços bobos e pela segurança mostrada em campo, algo capaz de compensar a falta de segurança dos (fracos) goleiros.

Outro motivo para os alvinegros terem esperança é Diego Tardelli. Há umas semanas, um amigo atleticano comentou que o atacante formado no São Paulo vinha sendo um artilheiro que o clube não via desde Guilherme. Comentei que se tratava de um certo exagero e, enquanto o atual camisa 9 do Galo não fizer um caminhão de gols no Brasileirão, isso continua válido. Mas é verdade que poucos atacantes no Brasil tiveram produtividade tão grande e constante quanto o atleticano. E todos jogaram estaduais, diante de adversários de nível técnico discutível.

Com essa base, o Atlético já tem uma cara. É um time confiante e determinado como quase todos em que Emerson Leão “acerta a mão”. Chegar à decisão sabendo que teve melhor campanha que o Cruzeiro serve de reforço psicológico final. Se, para os celestes, pensar na vitória sobre o Galo não assusta, também é fato que os alvinegros já consideram viável passar sem derrota por dois clássicos. Algo que não ocorria até o final do ano passado.

Se o título vier, o ambiente no Atlético tende a mudar muito. É verdade que os cruzeirenses ainda podem fazer grande campanha na Libertadores e têm mais recursos técnicos para ficar entre os líderes em um torneio longo e desgastante como o Brasileirão. Se tudo isso ocorrer, seria uma tempestade de água no chopp alvinegro. No entanto, um título convincente, diante de um adversário que não está se esfacelando (como em 2007), talvez seja o que o Galo precisa para ter tranquilidade para se reerguer.

Alexandre Kalil é um dirigente acima da média brasileira, mas não consegue segurar suas próprias emoções. Mais que isso: poucas pessoas no futebol brasileiro cobram a si próprios como ele. Conquistar o estadual sobre o rival daria ao presidente alvinegro aquela “lavada de alma”. O mesmo deve ocorrer com torcedores e imprensa. A partir daí, é só manter o trabalho nas categorias de base – cujos resultados são cada vez mais consistentes – e manter a confiança da torcida para, em alguns anos, voltar a ser “forte e vingador”.

Papéis trocados

O São Paulo não tem atenuantes para a derrota para o Corinthians na semifinal do Paulistão. O clube de fato tratou o duelo com o rival como prioridade – a ponto de poupar jogadores na Libertadores e prometer bicho extra por classificação para a final do estadual – e não conseguiu esconder a decepção após a eliminação. No entanto, o principal sinal de como o Tricolor sentiu o baque foi a instabilidade psicológica apresentada no jogo do Morumbi.

O jogo seguia a trajetória normal até o Alvinegro marcar dois gols em três minutos. A partir daí, os são-paulinos desabaram em campo. Os jogadores se espalharam em campo sem a menor estrutura tática e não conseguiam trocar três passes sem entregá-la gratuitamente a um corintiano. Um comportamento que evidencia como o Tricolor percebeu sua própria vulnerabilidade quando enfrentou uma equipe mais sólida e confiante.

Ler esses dois parágrafos parece surreal se imaginar que se trata de um Corinthians x São Paulo. Nos últimos anos, a marca principal das últimas edições do Majestoso (alguém ainda se lembrava que esse é o apelido do clássico?) foi exatamente o contrário. Um time sólido e confiante de três cores tirando proveito das precipitações e nervosismo de um preto e branco.

Curiosamente, a outra semifinal do Paulistão também teve papéis trocados. O Palmeiras, que mostrou seu melhor futebol nesta temporada quando conseguiu imprimir um jogo de velocidade, perdeu com dois gols de contra-ataque do Santos, que havia começado o ano com um time sem confiança e um meio-campo frágil como o dos palmeirenses no último sábado. Basta lembrar como foi o confronto entre ambos na primeira fase (4 a 2 para o Alviverde) para ter ideia do quanto as coisas mudaram.

Depois de classificações contundentes e convincentes, santistas e corintianos chegam muito fortes para a final paulista. Ambos deixaram de lado seus principais problemas e descobriram como impor-se ao adversário. Na decisão, sairá vencedor quem conseguir manter seu estilo e obrigar o adversário a se descaracterizar. Mas, mais importante que isso, é perceber que Mano Menezes e Vagner Mancini montaram times que têm totais condições de fazer grandes campanhas no Brasileirão. Independentemente do resultado da final estadual.

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Equipe Trivela

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