Brasil

O futuro do Santos

Com uma vitória por 2 a 1 sobre o uruguaio Peñarol, no Pacaembu, em São Paulo, o Santos sagrou-se pela terceira vez campeão da Libertadores da América. Agora o Peixe pensa no futuro – este composto de três itens: Neymar, Ganso e Mundial de Clubes.

Neymar, ao que tudo indica, deve permanecer no clube. Além do status de melhor jogador brasileiro da atualidade, o camisa 11 já deu declarações de que quer disputar o Mundial pelo Peixe. Entretanto, a diretoria santista já admitiu ter recebido propostas pelo jogador, de Barcelona, Real Madrid, Juventus, Chelsea e do novo-rico Anzhi, da Rússia (mesmo clube de Roberto Carlos, Jucilei e Diego Tardelli), mas cabe exclusivamente ao jogador decidir se deixa o clube ou não. Palpite do colunista: ele permanece no clube por mais um ano. Ou, caso faça um segundo semestre ainda mais extraordinário que o primeiro e seja campeão do mundo com o Peixe, pode sair em janeiro.

O caso de Ganso é mais complicado, já que parte de seus direitos pertencem à DIS, do empresário Delcir Sonda. E desde o começo do ano que jogador, empresários e diretoria do Santos estão envolvidos em uma briga de bastidores, onde até boato de uma possível ida de Ganso para o Corinthians apareceu; mas Milan e Internazionale são os clubes mais envolvidos nas especulações a cerca do camisa 10 santista. Palpite do colunista: ele permanece para a disputa do Mundial, e deixa o clube em janeiro.

Além de Neymar e Ganso, é quase certo que o Santos perca o lateral Jonathan para a Internazionale, e pode também perder o lateral/meia Danilo – outro jogador que tem parte de seus direitos com a DIS. Caso os dois saiam, Pará volta a ser a alternativa santista para o Mundial, e Muricy Ramalho certamente pediria a contratação de um nome mais forte para a posição.

No gol, Rafael está consolidado como titular absoluto. Talvez não seja ainda um goleiro completamente seguro, mas fez uma ótima Libertadores, mostrou liderança e tem tudo para ser goleiro santista por muitos anos.

A já citada lateral-direita tem, por enquanto, Danilo e Pará. O primeiro, que defenderá a seleção brasileira no Mundial sub-20, tem a seu favor a versatilidade. Pode jogar tanto na lateral quanto no meio-campo com eficiência, e ainda fez dois dos gols mais importantes da campanha do título na Libertadores: o primeiro da vitória por 2 a 1 sobre o Cerro Porteño, em Assunção, na primeira fase, e o segundo na decisão contra o Peñarol. Já Pará é esforçado, mas longe de ter a técnica do titular.

Na zaga, Durval está em grande fase. Apesar do gol contra acidental na final da Libertadores, fez partidas quase irrepreensíveis ao longo de todo o torneio. Já o capitão do time, Edu Dracena, começou muito mal a temporada, comentendo falhas infantis – basta lembrar o pênalti que cometeu contra o Cerro, na Vila Belmiro, ainda na primeira fase da Libertadores, mas com Muricy Ramalho recuperou a boa forma e formou com Durval uma dupla bastante eficiente. O reserva Bruno Rodrigo teve que jogar na primeira partida da decisão, em Montevidéu, e foi muito bem formando a dupla com Durval. Já Bruno Aguiar entrou em poucos jogos, mais quando Muricy alterava o esquema do time para uma formação com três zagueiros.

Na lateral-esquerda, Léo ainda tem técnica e talento, mas a forma física não é mais a mesma, tanto que na maioria das partidas ele foi substituído por Alex Sandro (outro que disputará o Mundial sub-20), que não é tão bom marcador, mas quebra o galho no apoio. Dado o estado físico de Léo, o clube deveria considerar a contratação de mais alguém para a posição – embora Pará também possa jogar aqui.

Embora tenha tido problemas físicos no semestre, quando o Santos precisou dele, Arouca correspondeu. Eficiente na marcação e no apoio ao ataque, fez com Ganso e Neymar a sensacional jogada do primeiro gol santista na decisão da Libertadores (embora tenha atuado mal no primeiro tempo da partida, errando muitos passes). Pelo conjunto da obra desde o ano passado, em forma é nome cotado por muitos para a seleção brasileira.

Um nome resgatado por Muricy foi Adriano. Ele conseguiu melhorar o principal defeito do volante, que era a má qualidade do passe, e manteve sua característica de marcador estilo carrapato. Na decisão, mal deixou o astro do Peñarol, Alejandro Martinuccio, tocar na bola.

Além de Arouca e Adriano, Muricy conta com Charles, que chegou ao clube contundido e aos muito poucos vai conseguindo suas chances, e Rodrigo Possebom, que não é dos preferidos do treinador e da torcida.

No meio, um cansado Elano. Como chegou ao Santos direto do Galatasaray, o meia vem sem férias há algum tempo, e em muitos jogos vem caindo de produção na segunda etapa. Entretanto, é arma importante do time nas bolas paradas e chutes de longa distância. E talvez a reserva na seleção durante a Copa América o faça descansar um pouco…

Ganso dispensa apresentações. Voltando após 45 dias afastado para a decisão contra o Peñarol, esbanjou categoria, além de tabelar com Arouca na construção da jogada do primeiro gol. Está agora na seleção para a Copa América, onde sera titular e camisa 10.

Alan Patrick, reserva importante na campanha da Libertadores, deve ser vendido ao Shakhtar Donetsk, enquanto Felipe Anderson é uma incógnita, assim como recém-contratado Roger.

No ataque, Neymar é a estrela máxima. Zé Eduardo está de partida para o Genoa, da Itália, enquanto Maikon Leite foi para o Palmeiras. Keirrison provavelmente deve deixar o clube após mais uma temporada fraca. Diogo atuou pouco e está no estaleiro, tornando-se assim uma incógnita.

Ele não pôde disputar a Libertadores porque já havia atuado no torneio pelo Grêmio, mas a maior contratação que o Santos fez até agora foi a do atacante Borges. O ex-gremista e são-paulino já anotou três gols em partidas do Brasileiro pelo Peixe, e deve formar um trio mortal com Neymar e Ganso quando estes voltarem da Copa América (e caso eles não deixem o clube nesta janela). Ainda há no elenco Rychely, vindo do Santo André, e os garotos Tiago Alves, Dimba e Moisés.

O Santos, tal qual tantos times brasileiros, parece ter um bom time titular, mas as opções de banco não são as melhores. Muricy terá trabalho durante o Brasileiro até começar o Mundial, no dia 14 de dezembro.

Campeonato brasileiro: o pior dos fins

O São Paulo não empolgava sua torcida, mas vinha invicto e com 100% de aproveitamento no Brasileiro. Daí veio o clássico contra o Corinthians, no Pacaembu. Desfalcado, o tricolor entrou com um time cheio de garotos, e numa atuação desastrosa de sua defesa na segunda etapa (na qual jogou com um a menos o tempo todo, já que Carlinhos Paraíba fora expulso aos 40 minutos do primeiro tempo), acabou sendo esmagado pelo Timão por 5 a 0, com direito até a frango de Rogério Ceni. Um daqueles resultados que poderia até causar a demissão de Paulo César Carpegiani, que por enquanto não ocorreu. O tricolor segue na liderança do torneio, com 15 pontos em seis partidas.

Do lado corintiano, que agora tem dois pontos a menos que a turma do Morumbi, o time parece consistente, e o torcedor imagina como pode ficar com Alex e, mais futuramente, Adriano.

Quem desperdiçou boa chance de encostar no líder foi o Palmeiras, que visitou o Ceará e perdeu por 2 a 0. O alviverde tem 11 pontos, na terceira posição, enquanto o Vozão é o 14o, com 7.

Com um Ronaldinho esquecendo as baladas e as críticas fazendo um belo segundo tempo, o Flamengo virou e goleou o Atlético-MG por 4 a 1, numa noite onde até Deivid desencantou, com dois gols. Já o Galo, após abrir o placar, pareceu apagar em campo.

E brigando pela maior draga do campeonato estão Atlético-PR e Avaí. O Furacão demitiu Adilson Batista após perder em casa para o Bahia por 2 a 0, enquanto os catarinenses perderam para o Fluminense por 1 a 0. Ambos dividem a lanterna do campeonato com apenas um ponto, sem vitórias. O Avaí perde no saldo de gols, embora o CAP tenha marcado apenas uma vez no torneio (com Madson, contra o Flamengo).

A partir desta semana, o campeonato começa a ter as famigeradas rodadas de quarta e domingo. Hora de saber que clubes têm elencos mais consistentes, ou quem está melhor fisicamente.

Seleção em busca do tri na Copa América

Após a conquista da Libertadores pelo Santos, Neymar, Ganso e Elano se apresentaram à seleção brasileira, que treina completa para a Copa América, torneio da qual é a atual bicampeã. A estreia é no próximo domingo, 3 de julho, contra a Venezuela, em La Plata. Mano Menezes tentará colocar em campo uma formação ofensiva com Ganso, Lucas, Neymar e Pato juntos. Será que dá liga?

Além do Brasil, os argentinos, jogando em casa, com força máxima e pressionados pelos 18 anos sem títulos da seleção principal, são os maiores favoritos. O Uruguai, com a mesma base quarta colocada na Copa do Mundo de 2010, e o Chile, vêm mais abaixo.

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Equipe Trivela

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