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O Flamengo construiu o placar rapidamente e venceu o Ñublense sem problemas – mas ainda sem brilhantismo

Jorge Sampaoli teve uma estreia positiva, com o Flamengo apresentando boa movimentação sem a bola, mas sem tantos acertos com ela

O Flamengo continua sua recuperação depois das turbulentas semanas recentes, agora na Libertadores. Depois da estreia positiva no Brasileirão, a equipe cumpriu seu papel na segunda rodada do torneio continental e derrotou o frágil Ñublense por 2 a 0 no Maracanã. Não foi uma atuação de encher os olhos dos rubro-negros, com erros no desfecho dos lances, mas o time não encontrou problemas para construir o placar rapidamente e sufocar os adversários sem correr quaisquer riscos. Jorge Sampaoli já tenta deixar suas marcas no trabalho, com uma escalação modificada em sua primeira partida e também um time bastante ativo na movimentação sem a bola. Velho conhecido do treinador, Marinho se destacou com duas assistências. Ainda assim, o protagonista da noite foi Pedro, com mais dois gols para sua conta.

A primeira escalação de Jorge Sampaoli no Flamengo tinha Santos no gol, além da zaga formada por Fabrício Bruno, David Luiz e Léo Pereira. O meio-campo contava com Marinho e Ayrton Lucas bem soltos nas alas, além do meio com Vidal, Thiago Maia e Gérson. Na frente, Gabigol e Pedro voltavam a se combinar. Repetia-se um sistema que não era novidade em relação aos tempos de Vítor Pereira, mas com algumas escolhas distintas.

Contra um adversário tão frágil, o Flamengo começou com a fome de bola necessária no Maracanã. Buscava o jogo no ataque e não deixava o Ñublense respirar. Os lances de perigo não demoraram a acontecer, com a primeira chance clara aos sete minutos. Num passe de Gérson, Gabigol deu o corta luz e se antecipou para receber de Pedro, mas o goleiro Nicola Pérez saiu nos pés do atacante para abafar. Era uma postura agressiva do Fla, que gerou o gol aos 15 minutos. Marinho sofreu a falta pela direita e ele mesmo bateu em direção à área. Pedro aparentemente deu um leve desvio na bola, que ainda bateu na perna do goleiro e entrou.

Com a vantagem no placar, o Flamengo podia fazer seu jogo com ainda mais autoridade. Impressionava a maneira como os rubro-negros apertavam a saída de bola do Ñublense, que não conseguia trocar passes e mal aparecia no ataque. Com esse vigor, novas oportunidades surgiam. Pedro conseguiu uma recuperação e queimou o chute contra o goleiro Pérez, que espalmou aos 23. O Fla buscava muito o jogo pelos lados do campo, mas faltava mais de capricho no passe final, com seguidos erros. A diferença mínima, pelo abismo entre os times, era até boa para os chilenos.

As finalizações do Flamengo se tornaram mais constantes na reta final. Vidal chutou e Gérson desviou aos 36, num lance que complicou bastante para Pérez salvar. Já o segundo gol aconteceu aos 37, numa bola recuperada no meio por Thiago Maia. Marinho acionou Pedro, que deu uma linda finta dentro da área e finalizou com frieza, rasteiro. Depois disso, os rubro-negros até administraram um pouco mais a posse de bola, sem tanta pressa com a vantagem mais confortável.

O segundo tempo começou com Gerson tentando aparecer um pouco mais. O volante teve um chute travado e por muito pouco não completou um cruzamento de Marinho. Depois, seria a vez de Gabigol servir Vidal e o chileno cabecear para fora. Gabigol também teve um chute para fora antes dos cinco. Entretanto, o Flamengo se acomodou um pouco mais com o passar dos minutos. O Ñublense ficou com a bola e teve sua primeira finalização que não foi bloqueada, num tiro de Bayron Oyarzo ao lado da meta. Logo Sampaoli mexeu três vezes, aos 15 minutos: entraram Everton Ribeiro, Everton Cebolinha e Wesley, com as saídas de Vidal, Marinho e Fabrício Bruno – com a mudança no sistema.

O Flamengo levou um tempo para se achar com as mudanças, mas voltou a ameaçar. Cebolinha participava, mas não estava tão certeiro no desfecho dos lances. Fez boa jogada pela esquerda e o passe não saiu redondo, antes de buscar outra jogada individual e finalizar muito para fora. Aos 28, em novo lance originado com Cebolinha, Pedro foi travado pelo goleiro Pérez na hora da batida. Na sequência do escanteio, ainda houve uma reclamação de pênalti. Já outra troca necessária foi a saída de David Luiz, sentindo dores, para a vinda de Rodrigo Caio.

Se o Flamengo não produzia tanto quando tinha posses longas, conseguiu balançar as redes num contra-ataque. Gabigol e Pedro puxaram o avanço, com o centroavante abrindo o passe a Everton Ribeiro, que só tirou do goleiro Pérez. Então, aconteceu uma das anulações mais surreais da história do VAR. Na origem da roubada de bola, Everton Ribeiro tocou levemente a perna do adversário e o árbitro Wilmar Roldán, a menos de dois metros do lance, não marcou nada. Pois o colombiano foi chamado ao monitor e, depois de alguns minutos, resolveu marcar a infração – que tirava crédito da sua própria decisão anterior. Pedro foi substituído por Matheus França na sequência. Por fim, os acréscimos arrastados pouco acrescentaram.

O Flamengo fica com três pontos no Grupo A da Libertadores, com uma necessária recuperação. Racing e Aucas, que se enfrentam na Argentina nesta quinta-feira, também somam três pontos cada. A viagem a Avellaneda é o próximo desafio do Fla, mas antes a equipe encara Internacional e Botafogo pelo Brasileirão, além de se reencontrar com o Maringá na Copa do Brasil.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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