Brasil

O desafio de Belluzzo

A política palestrina corre nas veias de Luiz Gonzaga Belluzzo há mais de três décadas, mas nunca esteve tão viva em seus 66 anos de vida. Figura aglutinadora, o economista chegou à presidência do Palmeiras e em uma cena hipotética, caminhou abraçado ao oponente vencido Roberto Frizzo. Dono de personalidade afável, o novo presidente palmeirense sabe que, a partir de agora, terá uma pressão muito grande seu mandato.

Primeiro, pela simples expectativa que seu nome gera, não só entre os palmeirenses, mas dentro do próprio futebol. Experiente, reverenciado pelo sucesso como economista, Belluzzo foi tratado como o homem a dar novas cores à política do clube na eleição de 2003, mas, derrotado, se afastou por uns tempos dos holofotes. Nem por isso, foi esquecido: jornalistas e palmeirenses, Mauro Beting e Paulo Vinícius Coelho, dois dos nomes mais respeitados do país, declararam apoio público ao então candidato, iniciativa repetida até pelo corintiano Juca Kfouri. O que já dá uma mostra do respaldo público ao novo presidente.

Em segundo lugar, pelo momento do próprio Palmeiras, que deixou de ser a equipe que se contentava com posições médias na tabela desde a saída da Parmalat. As chegadas da Traffic e de Vanderlei Luxemburgo fez aumentarem as exigências do torcedor palestrino, que não ficarão felizes com um mero título paulista neste ano mais uma vez. E excluindo o período da empresa italiana de laticínios – trazida ao Parque Antártica pelo próprio Belluzzo -, faz bons tempos que o clube não levanta taças de expressão.

A figura pacífica e aglutinadora de Belluzzo também precisará agir como empreendedora. Entregar um projeto como a Arena Palestra será um desafio e tanto, sobretudo pelas complexidades envolvendo o terreno e a parceria com a WTorre. E o dirigente, no alto de seus 66 anos, admite ser esse um dos mandatos mais importantes da história do Palmeiras.

Espera-se também que o bom trânsito de Belluzzo nos bastidores e no relacionamento de empresários faça bem ao futebol de São Paulo. Muito mais carismático que o antecessor Affonso della Monica, que raramente tinha seu rosto mostrado publicamente, o novo presidente tem o desafio de juntar as forças palmeirenses, corintianas e são-paulinas, algo que já é costurado nos bastidores por Juvenal Juvêncio e Andrés Sanchez, mas que só será possível com a presença singular de Luiz Gonzaga Belluzzo.

Juntos, Corinthians, São Paulo e Palmeiras podem aproveitar seu potencial econômico e de marketing de uma forma muito mais palpável. Podem, inclusive, ampliar o poder de barganha na negociação de contratos de direitos televisivos, intenção já assumida publicamente por Belluzzo, e subir um degrau a mais em relação aos concorrentes.

A boa reputação do novo presidente palmeirense, todavia, só vale até a página 2. Quando assumir o gabinete e arregaçar as mangas, ele terá o desafio de se tornar um marco zero para o futebol paulista e até brasileiro no novo século. Ou então, como ocorre já com Roberto Dinamite, descobrirá que o esporte bretão não perdoa e não reputa currículos vitoriosos. A necessidade de vencer é cotidiana e implacável.

Brasil avança ao hexagonal final no Sub-20, mas falta criar mais

O futebol ainda esteve longe de ser empolgante para uma equipe que tem Douglas Costa, Dentinho e Renan Oliveira, mas o Brasil venceu sua segunda partida consecutiva na noite de segunda-feira e confirmou a classificação para o hexagonal final do Sul-Americano Sub-20. Aos poucos, nota-se uma evolução da equipe, que ainda oscila demais dentro das partidas.

O primeiro tempo da estréia, contra o Paraguai, ainda é o melhor recorte de bom futebol dos meninos brasileiros na Venezuela. O empate sofrido no finalzinho, porém, minou a confiança dos garotos, que sofreram um bocado para jogar com desenvoltura contra a Bolívia. Enquanto pela direita Patric estava muito solto e se mostrava visivelmente limitado na parte técnica, Éverton Ribeiro, muito tímido, não produzia nada ofensivamente. E os meias não jogavam, como tem sido de praxe.

As alterações do intervalo contra os bolivianos, contudo, melhoraram a equipe. Tales chamou a responsabilidade de cara, naquele que provavelmente foi seu melhor lance desde 2007. O gol do meia colorado trouxe paz à equipe, que passou a ter Diogo, do São Paulo, apoiando bem pelo lado esquerdo. Ainda houve um pouco de tensão, com a expulsão de Tolói, mas rapidamente o controle foi restabelecido com o vermelho dado também a um boliviano.

O jogo seguinte, contra o Chile, foi outra atuação ruim dos meias. Tales, como titular desde o início, não foi convincente como na partida anterior, enquanto Renan Oliveira ainda não chegou à Venezuela. Para fazer a equipe jogar no hexagonal e alcançar seus objetivos, Rogério Lourenço vai precisar encontrar um meia regular – ou Renan, ou Tales ou Douglas Costa – que abasteça Dentinho e Walter, que supera suas limitações técnicas com uma dose de estrela.

Os grandes nomes da equipe vêm do Internacional. Giuliano e Sandro, atuando como volantes lado a lado, têm esbanjado qualidade, personalidade e aquela dose de entrega que falta à Seleção, principalmente aos meias – o calcanhar de Aquiles para Rogério Lourenço resolver e pôr o Brasil no Mundial.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo