Brasil

O comando de dois neurônios

Roberto Horcades tem a língua afiada. No último Fluminense e Vitória realizado em outubro no Barradão, desferiu uma série de insultos ao árbitro Leandro Vuaden que, embora tenha realmente prejudicado o Flu nesta partida, ainda foi considerado o segundo melhor do Campeonato Brasileiro e seguiu apitando normalmente. Há algumas semanas, Horcades também deu de ombros para a possibilidade de Arouca se transferir para o São Paulo. E o volante, titular do Fluminense há quatro temporadas, já foi confirmado no Morumbi.

Arouca, entretanto, não é a única baixa nas Laranjeiras. Thiago Silva, zagueiro de seleção, Júnior César, melhor lateral da Libertadores, e Washington, artilheiro do clube na temporada, partiram do Fluminense sem render um centavo sequer. E, dentro do clube, o discurso é o de que Arouca não foi eticamente correto em negociar com o São Paulo sem avisar o Flu. Isso, após a Lei Pelé completar 10 anos.

Não ser organizado e não entender o funcionamento da Lei Pelé é o que faz o Fluminense perder dinheiro. E o clube, que tem uma dívida acima de R$ 270 milhões, perdeu bastante com esses quatro jogadores. Não bastasse o valor técnico imensurável, Thiago Silva, Arouca, Washington e Júnior César, segundo o site alemão Transfermarkt, valem, totalizados, mais de 15 milhões de euros. E ao mesmo tempo em que perde todos esses nomes de graça, o Flu paga R$ 200 mil pelo empréstimo do criticado Jaílton, ex-Flamengo.

Esse não é o único episódio curioso que acontece nas Laranjeiras nos últimos tempos. Branco, por exemplo, que há poucos dias deixou cargo administrativo e remunerado, trabalhava para o Fluminense ao mesmo tempo em que tinha um processo judicial contra o próprio Flu, onde foi revelado como jogador. A renda da final da Libertadores, aliás, foi penhorada por Branco, que por isso viu sua permanência para 2009 se tornar insustentável. Facetas de um clube de administração criticável.

Se a permanência de René Simões nas Laranjeiras pode ser tratada como um fato positivo, difícil é imaginar sucesso para o competente treinador com o elenco que ele deve receber para 2009. Entre os grandes do Rio, apesar do rebaixamento do Vasco e do desmanche no Botafogo, é o Flu quem fecha o ano com a pior perspectiva. Logo após quase cair para a Série B.

RESUMOS DO CAMPEONATO BRASILEIRO – PARTE 03/03

Fluminense (14º) – 45 pontos

Se há um clube que não teve qualquer planejamento para o Campeonato Brasileiro, esse é o Fluminense. Apontado como candidato ao título em razão dos ótimos primeiros meses, o Flu apostou todas as fichas na Libertadores, e esqueceu da Série A. Atuou oito jogos com reservas, e só foi começar a vencer na 10ª rodada. No fim do turno, Renato Gaúcho deixou as Laranjeiras e o baixo astral não foi embora também com Cuca. A salvação foi a chegada de René Simões e o ambiente mais positivo que ele trouxe ao Flu, que com o empate no Morumbi contra o São Paulo e uma vitória de respeito sobre o Palmeiras acabou na Sul-Americana.

Turno: 19º, com 16 pontos
Returno: 7º, com 29 pontos
Melhor jogador: Washington
Quem também foi bem: Thiago Silva, Júnior César e Arouca
Quem foi mal: Eduardo Ratinho, Roger, Ygor, Dodô, Somália e Ciel
Mais utilizados: Fernando Henrique (32j) e Conca e Júnior César (30j)
Revelação: Tartá
Artilheiro: Washington (21 gols)
Líder em assistências: Conca (3 passes)

Técnicos: Renato Gaúcho (4v, 4e, 11d); Cuca (2v, 5e e 2d), René Simões (5v, 3e e 2d)
Negociados com o exterior: Gabriel (Panathinaikos), Cícero (Hertha Berlim) e Thiago Neves (Hamburgo)
Melhor jogo: Fluminense 3 x 0 Palmeiras
Pior jogo: Fluminense 2 x 3 Coritiba

Aproveitamento em casa: 47,3
Aproveitamento fora: 31,5
Mais vitórias consecutivas: 2 em 3 oportunidades
Mais derrotas consecutivas: 4
Mais jogos sem vencer: 9
Mais jogos sem perder: 5 em duas oportunidades
Rodadas na liderança: nenhuma
Média de público: 9º (17.259)

Time base (4-3-1-2): Fernando Henrique; Carlinhos, Thiago Silva, Luiz Alberto e Júnior César; Fabinho e Wellington Monteiro; Arouca; Conca e Éverton Santos (Maicon); Washington.

Santos (15º) – 45 pontos

Assim como com o Fluminense, Cuca foi um movimento ruim da direção santista. Após o desgaste criado entre Leão e elenco, o Santos viveu um período instável, sobretudo na parte tática e emocional. Márcio Fernandes assumiu o time na última rodada do turno e, se não foi brilhante, foi simples e eficiente. Definido no 4-3-1-2 e com Rodrigo Souto de volta após problemas com doping, jogadores como Bida, Wendel e Roberto Brum ganharam espaço, assim como Molina também voltou a render. Tudo isso e os gols de Kléber Pereira deram ao Santos um fim de campeonato digno, ainda que com o fantasma do rebaixamento até a rodada final.

Turno: 18º, com 17 pontos
Returno: 9º, com 28 pontos
Melhor jogador: Kléber Pereira
Quem também foi bem: Domingos, Rodrigo Souto e Molina
Quem foi mal: Apodi, Fabão, Michael, Fábio Santos, Tiago Luís, Wesley e Lima
Mais utilizados: Kléber Pereira (35j) e Molina e Kléber (32j)
Revelação: Maikon Leite
Artilheiro: Kléber Pereira (21 gols)
Líderes em assistências: Molina e Michael (4 passes)

Técnicos: Leão (1v e 2d), Cuca (3v, 4e e 7d) e Márcio Fernandes (7v, 8e e 6d)
Negociados com o exterior: Betão (Dínamo de Kiev), Marcinho Guerreiro (Lecce), Rodrigo Tabata (Gaziantespor), Vítor Júnior (Frontale), Alemão (Udinese), Marcelo (Wisla Cracovia) e Renatinho (Frontale)
Melhor jogo: Santos 4 x 0 Atlético-PR
Pior jogo: Santos 0 x 4 Goiás

Aproveitamento em casa: 57,8 %
Aproveitamento fora: 21%
Mais vitórias consecutivas: 2 em duas oportunidades
Mais derrotas consecutivas: 2 em três oportunidades
Mais jogos sem vencer: 10
Mais jogos sem perder: 6
Rodadas na liderança: nenhuma
Média de público: 16º (9.803)

Time base (4-3-1-2): Fábio Costa; Wendel, Domingos, Fabiano Eller e Kléber; Roberto Brum; Rodrigo Souto e Bida; Molina; Cuevas e Kléber Pereira.

Náutico (16º) – 44 pontos

Não saber aferir sua própria capacidade foi o grande problema de um Náutico que começou o campeonato bem e achou que podia ir além do que indicava seu potencial. Leandro Machado foi demitido com a equipe na sexta posição, e os alvirrubros caíram com tudo na tabela, sobretudo na passagem de Pintado. De volta após um início de duas rodadas e um trabalho no Atlético Paranaense, Roberto Fernandes devolveu a confiança do time, que contou com a recuperação de Felipe e algumas boas partidas de William para afastar, com um empate na Vila Belmiro, qualquer hipótese de cair. Dois anos na elite é ótimo para o Náutico.

Turno: 15º, com 21 pontos
Returno: 13º, com 23 pontos
Melhor jogador: Eduardo
Quem também foi bem: Ruy, Vágner, Everaldo, Derley e Felipe
Quem foi mal: Negretti, Itaqui, Piauí, Paulo Almeida, Alceu, Geraldo e Roger
Mais utilizados: Eduardo (36j) e Felipe (33j)
Revelação: Adriano
Artilheiro: Felipe (13 gols)
Líderes em assistências: Felipe e Ruy (5 passes)

Técnico: Roberto Fernandes (8v, 8e e 6d), Sangaletti (1d), Leandro Machado (3v, 2e e 3d), Levi Gomes (1d) e Pintado (1e e 5d)
Negociado com o exterior: Wellington (Hoffenheim)
Melhor jogo: Náutico 5 x 2 Cruzeiro
Pior jogo: Náutico 0 x 2 Sport

Aproveitamento em casa: 56,1%
Aproveitamento fora: 21%
Mais vitórias consecutivas: 2 em duas oportunidades
Mais derrotas consecutivas: 5
Mais jogos sem vencer: 8
Mais jogos sem perder: 5
Rodadas na liderança: 1
Média de público: 13º (14.823)

Time base (3-4-1-2): Eduardo; Adriano, Vágner e Everaldo; Ruy, Hamilton, Derley e Alessandro; William; Felipe e Gilmar.

Figueirense (17º) – 44 pontos

Com cinco treinadores diferentes dentro da competição, seria mesmo difícil para o Figueirense se manter na elite. Assim, a imagem de clube organizado ruiu, ainda que com o desempenho regular e destacado da dupla de meias Marquinho e Cleiton Xavier. Gallo estava aclimatado ao Orlando Scarpelli, mas sua saída deflagrou uma série de escolhas infelizes para o cargo. Na competição, a defesa foi o grande problema do alvinegro, que sofreu 73 gols em 38 jogos, sendo sete deles para o Grêmio e cinco diante de Flamengo, Grêmio e Sport. Assim, a vitória na última rodada foi pouco para manter o Figueira na Série A, onde estava desde 2002.

Turno: 11º, com 25 pontos
Returno: 18º, com 19 pontos
Melhor jogador: Cleiton Xavier
Quem também foi bem: Asprilla, Diogo e Marquinho
Quem foi mal: todos os outros
Mais utilizados: Wilson (38j) e Asprilla e Cleiton Xavier (33j)
Revelação: Rafael Coelho
Artilheiro: Cleiton Xavier (12 gols)
Líder em assistências: Marquinho (10 passes)

Técnicos: Gallo (1v e 1e), Macuglia (1v, 1e e 3d), PC Gusmão (5v, 5e e 8d), Mário Sérgio (1v, 4e e 4d) e Pintado (3v)
Negociado com o exterior: Felipe Santana (Borussia Dortmund)
Melhor jogo: Figueirense 3 x 0 Santos
Pior jogo: Figueirense 1 x 7 Grêmio

Aproveitamento em casa: 45,6 %
Aproveitamento fora: 31,5 %
Mais vitórias consecutivas: 3 (Náutico, Botafogo e Internacional)
Mais derrotas consecutivas: 6
Mais jogos sem vencer: 7 em duas oportunidades
Mais jogos sem perder: 5
Rodadas na liderança: nenhuma
Média de público: 17º (9.003)

Time base (4-2-2-2): Wilson; Anderson Luís, Bruno Aguiar (Bruno Perone), Asprilla e William Matheus; Diogo e Magal (Leandro Carvalho); Cleiton Xavier e Marquinho; Tadeu e Rafael Coelho (Wellington Amorim).

Vasco (18º) – 40 pontos

Depois de Palmeiras, Botafogo, Grêmio, Atlético Mineiro e Corinthians, chegou a vez de o Vasco ser rebaixado e punido por administrações desastradas, para não ir além. O clube já beliscava essa possibilidade desde 2002, mas com o processo eleitoral conturbado, escolhas infelizes como Tita, por exemplo, um elenco desbalanceado e com problemas crônicos na defesa, a permanência do Gigante da Colina se tornou impossível. A queda também tem sabor de punição para Renato Gaúcho, que esteve na beira do rebaixamento por todo o primeiro turno com o Fluminense, e apesar das boas credenciais que tem, não conseguiu livrar a barra vascaína.

Turno: 17º, com 19 pontos
Returno: 15º, com 21 pontos
Melhor jogador: Madson
Quem também foi bem: Rafael, Mateus e Alex Teixeira
Quem foi mal: todos os outros
Mais utilizados: Eduardo Luiz (33j) e Madson e Wagner Diniz (30j)
Revelação: Alex Teixeira
Artilheiro: Edmundo (13 gols)
Líderes em assistências: Wagner Diniz e Edmundo (4 passes)

Técnicos: Antônio Lopes (5v, 4e e 9d), Tita (2v, 1e e 4d) e Renato Gaúcho (4v, 2e e 7d)
Negociados com o exterior: Pablo (Zaragoza), Luizão e Villanueva (Bunyodkor)
Melhor jogo: Vasco 6 x 1 Atlético-MG
Pior jogo: Vitória 5 x 0 Vasco

Aproveitamento em casa: 43,8 %
Aproveitamento fora: 26,3
Mais vitórias consecutivas: 2 em duas oportunidades
Mais derrotas consecutivas: 6
Mais jogos sem vencer: 9
Mais jogos sem perder: 4
Rodadas na liderança: nenhuma
Média de público: 14º (13.723)

Time base (3-4-2-1): Rafael (Tiago), Eduardo Luiz, Jorge Luiz e Rodrigo Antônio (Odvan); Wagner Diniz, Jonílson, Mateus e Edu Pina (Edmundo); Madson e Alex Teixeira; Leandro Amaral.

Portuguesa (19º) – 38 pontos

Pensar que não iria conviver com o rebaixamento foi o grande erro da direção da Portuguesa. Na 13ª rodada, Vágner Benazzi foi demitido com a 15ª posição, o que não era uma catástrofe no Canindé. O time só foi se reencontrar tecnicamente na reta final, mas teve dificuldades para vencer partidas em que foi melhor ou igual, como Fluminense, São Paulo, Flamengo e o esquecível empate sem gols com o Goiás em casa. De nada bastou a reação final, pois a Lusa teve a pior campanha do returno e voltou para a Série B imediatamente. Ainda assim, jogadores como Edno, Jonas e Athirson deixam o torneio com uma boa cotação.

Turno: 14º, com 22 pontos
Returno: 20º, com 16 pontos
Melhor jogador: Edno
Quem também foi bem: Patrício, Bruno Rodrigo, Athirson e Jonas
Quem foi mal: todos os outros
Mais utilizados: Edno (36j) e Bruno Rodrigo (35j)
Revelação: Ninguém
Artilheiro: Jonas (10 gols)
Líder em assistências: Patrício (11 passes)

Técnicos: Vágner Benazzi (4v, 3e e 6d), Valdir Espinoza (2v, 1e e 6d) e Estevam Soares (3v, 7e e 6d)
Negociados com o exterior: Diogo (Olympiakos), Christian (Pachuca) e Júlio Santos (Tors)
Melhor jogo: Portuguesa 3 x 2 Náutico
Pior jogo: Portuguesa 0 x 0 Goiás

Aproveitamento em casa: 56,1 %
Aproveitamento fora: 10,5%
Mais vitórias consecutivas: 3 (Internacional, Atlético-PR e Botafogo)
Mais derrotas consecutivas: 3
Mais jogos sem vencer: 6 em duas oportunidades
Mais jogos sem perder: 5
Rodadas na liderança: nenhuma
Média de público: 19º (5.088)

Time base (3-3-2-2): André Luís; Bruno Rodrigo, Hallison e Erick; Patrício, Rai (Dias) e Athirson; Fellype Gabriel e Preto; Jonas e Edno.

Ipatinga (20º) – 35 pontos

Pode um clube terminar na lanterna e mesmo assim dizer que foi além de suas expectativas? Sim, no caso do Ipatinga. Rebaixado no Campeonato Mineiro, o clube fez um péssimo trabalho de transição da última temporada para 2008, desmanchando a equipe que fez ótima Série B e começando praticamente do zero em seu ano de estréia na primeira divisão. Assim, os 35 pontos afastaram a hipótese de uma campanha tão ruim quanto a do América de Natal em 2007, a pior dentro da fórmula por pontos corridos. Adeílson, atacante de faro de gol e qualidade técnica, ainda deixou o torneio valorizado e cobiçado por clubes grandes. Uma exceção.

Turno: 20º, com 16 pontos
Returno: 19º, com 19 pontos
Melhor jogador: Adeílson
Quem também foi bem: Rodriguinho e Ferreira
Quem foi mal: todos os outros
Mais utilizados: Augusto Recife (33j) e Leandro Salino (32j)
Revelação: Adeílson
Artilheiro: Adeílson (10 gols)
Líder em assistências: Rodriguinho (3 passes)

Técnicos: Giba (1v, 2e e 3d), Ricardo Drubscky (3v, 3e e 9d), Márcio Bittencourt (3v, 2e e 5d) e Enderson Moreira (2v, 1e e 4d)
Negociado com o exterior: Edimar (Braga)
Melhor jogo: Ipatinga 3 x 1 Vasco
Pior jogo: Atlético-PR 5 x 0 Ipatinga

Aproveitamento em casa: 52,6 %
Aproveitamento fora: 8,7
Mais vitórias consecutivas: não teve duas consecutivas
Mais derrotas consecutivas: 3 em duas oportunidades
Mais jogos sem vencer: 8
Mais jogos sem perder: 3
Rodadas na liderança: nenhuma
Média de público: 20º (3.602)

Time base (4-3-1-2): Fernando; Márcio Gabriel, Henrique, Gian e Rodriguinho; Augusto Recife; Leandro Salino e Júlio; Escobar (Luciano Mandi); Adeílson e Ferreira.

PARA LER OS RESUMOS DO PRIMEIRO TURNO
Grêmio, Cruzeiro, Palmeiras, São Paulo e Vitória
Coritiba, Flamengo, Botafogo, Sport e Internacional
Figueirense, Atlético-MG, Goiás, Portuguesa e Náutico
Atlético-PR, Vasco, Santos, Fluminense e Ipatinga

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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