O adeus ao ponteiro Lula, o craque de gênio forte que empilhou taças sobretudo por Flu e Inter
Lula foi considerado um dos melhores pontas esquerdas do futebol brasileiro na virada dos anos 1960 para os 1970 e faturou quatro títulos nacionais como titular, além de sete estaduais

Lula sabia explorar a ponta esquerda de um campo de futebol como poucos. O pernambucano unia as principais virtudes para um jogador da posição: partia para cima dos adversários, era muito veloz, cruzava com precisão da linha de fundo e também cortava em diagonal para chutes indefensáveis. Com tantos predicados, o atacante se consagrou como um dos melhores de sua posição na virada dos anos 1960 para os 1970. Passou pela Seleção, enquanto se eternizou como herói de importantes títulos por Fluminense e Internacional, além de ter sido campeão também por Palmeiras e Sport. Dono de personalidade forte, não costumava levar desaforo para casa, embora a briga com um torcedor tenha exatamente abreviado sua carreira após ser baleado. Técnico também de longa trajetória, Lula faleceu na última semana, aos 75 anos, vítima de uma parada cardíaca. Deixou uma história fantástica nos gramados, que precisa ser mais lembrada.
Luis Ribeiro Pinto Neto nasceu em 16 de novembro de 1946, na cidade pernambucana de Arcoverde. Lula tinha apenas quatro anos quando se mudou com a família para Natal e por lá iniciou sua relação com o futebol. O garoto tinha 11 irmãos, sendo sete homens. Assim, as primeiras partidas do futuro craque aconteceram no próprio quintal de casa, incentivadas pelo pai, que era um apaixonado pelo esporte.
A intimidade de Lula com a bola se tornou maior através do futebol de salão. Foi por lá que desenvolveu sua habilidade, a explosão para driblar e também a capacidade de definição. Como avaliaria, anos depois, após um confronto com Carlos Alberto Torres, já consagrado como tricampeão do mundo: “Sabe por que ganhei o duelo com o Carlinhos? Porque tinha muita noção de velocidade e de drible em espaços curtos, coisas que aprendi no futebol de salão”.
Lula começou a despontar no time do Colégio São Luis, onde estudava, e tinha um gosto especial pelas quadras. Tanto é que seu desejo era se tornar o melhor no futebol de salão, demorando a migrar para o campo. Passou pelas quadras do ABC, chegou a atuar pela seleção potiguar de salão e, num campeonato nacional entre equipes estaduais, foi considerado o melhor jogador da região Norte-Nordeste na modalidade. Porém, meio a contragosto, logo o jovem passaria a calçar chuteiras.
A mudança de Lula para o futebol de campo teve interferência direta de seu pai, funcionário da rede ferroviária em Natal e dirigente do Ferroviário, time profissional ligado à companhia. Seria o pai quem forçaria o garoto a assinar com o novo clube, mesmo sem ganhar nada. E a adaptação aos gramados foi imediata. Lula assinou seu primeiro contrato com 16 anos e, aos 17, virou um dos destaques do Campeonato Potiguar. Primeiro, ganhou o Torneio Início com o Ferroviário. Depois, se sagraria artilheiro do estadual de 1964, em campanha na qual seu time ficou com a terceira colocação. As fronteiras começavam a se ampliar à promessa.

Lula recebeu propostas do Ferroviário de Fortaleza e também do Náutico, que levaria um de seus irmãos. O atacante recusou porque preferia se mudar a uma equipe do Sudeste. E a oportunidade veio através de um dirigente potiguar com trânsito no Rio de Janeiro. Foi ele quem fez a ponte para o atacante receber uma oportunidade no Fluminense, em 1965. Lula passaria por testes com os aspirantes e precisou de apenas quatro jogos para assinar o seu primeiro contrato com os tricolores, aos 18 anos.
Embora atuasse como ponta-de-lança em Natal, Lula acabou usado como ponta esquerda no Fluminense. A decisão era de Tim, ídolo histórico dos tricolores e importante treinador do período. O garoto ficou acanhado na hora de dizer que sua posição era outra e, no fim das contas, pegou gosto por jogar mais aberto em campo. Seria o próprio Tim quem ensinaria as especificidades da função ao pernambucano. Mas, antes de vingar no elenco principal, Lula precisou passar por um processo de fortalecimento físico. Chegou muito mirrado e, entre dietas e exercícios, desenvolveu sua força para enfrentar os beques adversários.
Nesse momento, a personalidade forte de Lula também dava as caras no Rio de Janeiro. O atacante logo ganhou o apelido de Bofete. A origem da alcunha veio de um dia quando, passeando com a namorada, Lula ouviu piadas de três rapazes no Largo do Machado. O jovem deixou a moça em casa e, horas depois, voltou ao local. Deu uma surra nos três e, por conta das bofetadas acertadas, recebeu o apelido dos companheiros de Tricolor.
Um momento de afirmação para Lula aconteceu em 1966. O garoto de 19 anos seria importante na conquista da Taça Guanabara. Na época, costumava se revezar com Gílson Nunes na ponta esquerda, mas se firmou naquela campanha vitoriosa. Na decisão, contra o Flamengo, Lula recebeu uma missão especial do técnico Tim: partir para cima de Murilo, lateral rubro-negro pré-convocado à Copa do Mundo meses antes, que costumava ser uma arma ofensiva. O garoto cumpriu a missão e incomodou bastante o marcador. Participou de dois dos três gols na vitória do Flu por 3 a 1.
O problema de Lula, de novo, seria o gênio intempestivo. O ponta esquerda seguia ganhando espaço no Fluminense, mas arrumou briga com um dirigente em 1967. Lula arranjou uma peneira para um menino potiguar, sob a promessa de que o clube pagaria a viagem de volta se o novato não fosse aprovado. A cartolagem não cumpriu o combinado e, diante da situação, Lula partiu para cima de um diretor do clube. Em agosto daquele ano, o atacante acabou emprestado ao Palmeiras, numa troca que levou Suingue e Rinaldo ao Flu. Seria um acréscimo à boa temporada dos alviverdes.
Lula disputou a reta final do Campeonato Paulista com o Palmeiras e anotou dois gols, mas o Santos ficaria com o troféu em 1967. Já em dezembro, ele participaria da conquista da Taça Brasil com os palmeirenses. Lula disputou as cinco partidas da campanha, de início como substituto de Cardosinho, mas logo ganhando espaço na linha de frente do técnico Mário Travaglini. Teria destaque especial no primeiro duelo da decisão contra o Náutico, quando anotou um dos gols na vitória alviverde por 3 a 1. Pela primeira vez, teve a chance de botar a mão em um troféu nacional. Ao final de 1967, deixaria os palestrinos com 17 partidas disputadas no total.
O Palmeiras até buscou a permanência de Lula, mas não chegou a um acordo com o Fluminense. O ponta voltou com um problema no joelho, o que demandou uma cirurgia nos meniscos. O ano de 1968 não seria muito frutífero aos tricolores, de maneira geral, com uma campanha modesta no Campeonato Carioca que rendeu apenas a sexta colocação. Lula viveu um bom ano, individualmente, embora as contusões atrapalhassem. A volta por cima aconteceu em 1969, quando Telê Santana foi pinçado como treinador da equipe principal. Seria também um ano de sucesso para Lula no ataque, com contrato renovado.
Depois de cinco anos, o Fluminense conquistou o Campeonato Carioca em 1969. Lula seria um dos dois únicos jogadores que disputaram todas as 18 partidas da campanha, embora tenha sido reserva de Gilson Nunes em um dos compromissos. O atacante ainda contribuiu com seis gols, vice-artilheiro da equipe, só atrás de Flávio Minuano. Ali começava a chegar ao ápice de seu entendimento com Marco Antônio, dono da lateral esquerda. Também fazia uma parceria frutífera com Samarone, que costumava lançar muitas bolas para as disparadas do ponta esquerda.
Na decisão contra o Flamengo, o Fluminense garantiu o troféu graças à vitória por 3 a 2. Lula recebeu nota 9 do Jornal dos Sports por sua boa atuação no duelo com Murilo na lateral do campo. Como de costume, partiu para cima e atazanou o defensor rubro-negro. Participou inclusive do primeiro gol no Maracanã, com uma batida cruzada que atravessou a área e sobrou para Wilton marcar. O ponta esquerda seria eleito ainda o segundo melhor de sua posição na competição, atrás apenas de Paulo Cézar Caju. Aos 22 anos, superava algumas desconfianças e escrevia seu nome na história do Fluminense.
Já em 1970, outro capítulo dourado de Lula no Fluminense aconteceu com a conquista do Torneio Roberto Gomes Pedrosa. O Tricolor pela primeira vez faturou um título nacional, com o ponta esquerda sendo um dos destaques da equipe dirigida por Paulo Amaral. Lula de novo disputou todas as 19 partidas do Flu na campanha, e sempre como titular, depois que Gilson Nunes acabou vendido para o Vasco. Os tricolores contavam com uma equipe muito perigosa pelas pontas, com Cafuringa também na direita. Lula seria vice-artilheiro do time mais uma vez, com cinco gols.

Um belíssimo cartão de visitas do Fluminense naquele Robertão aconteceu na segunda rodada, quando encarou o poderoso Cruzeiro, um dos favoritos ao título. Lula teria grande atuação naquele duelo no Maracanã, com os dois gols que renderam a virada tricolor. No jogo seguinte, ainda deixou sua marca contra o Grêmio. De qualquer maneira, foi no quadrangular final que a contribuição do pernambucano ficou mais expressa. Deixou evidente seu talento como um dos melhores pontas esquerdas do Brasil.
Lula não se saiu tão bem na primeira partida, uma vitória por 1 a 0 sobre o Palmeiras, criticado por desperdiçar alguns contra-ataques. Bem melhor foi no segundo compromisso, o triunfo por 1 a 0 sobre o Cruzeiro, que aproximou o Fluminense da Taça de Prata. A assistência para o gol de Mickey viria de um cruzamento do ponta esquerda. “Além do centro para o gol, criou excelentes jogadas de ataque e perdeu duas grandes oportunidades de gol”, afirmava o Jornal dos Sports. Na rodada final, com a vantagem do empate, o 1 a 1 diante do Atlético Mineiro bastou para o Flu ser campeão.
O moral de Lula era tão grande naquele momento que, mesmo com uma concorrência imensa, ele passaria a ser cotado para a seleção brasileira. O bom futebol apresentado no Robertão era justificativa suficiente. “Quem me ensinou a jogar como ponta-esquerda foi o Tim. Ele mandou que eu jogasse bem avançado. O Zagallo pede que eu volte um pouco mais para ajudar o meio-campo, mas não impede que eu avance”, diria ao Jornal do Brasil. A esperada chance com a amarelinha, porém, não veio de imediato. Ainda que o encontro com Zagallo, no próprio Fluminense, rendesse mais uma taça.
Lula conquistou o Campeonato Carioca pela segunda vez em 1971. E aquela não seria uma conquista qualquer, já que Lula terminou exatamente como o grande herói. O nível de desempenho do ponta era ótimo, tanto que ele encerrou aquela disputa com oito gols em 18 aparições pela equipe. Mas foi sua estrela na reta final que realmente fez a diferença. O Botafogo montou um timaço e era visto como favorito. Abriu uma vantagem de quatro pontos na dianteira, mas o Flu conseguiu buscar. Os tricolores emendaram quatro vitórias nas últimas quatro rodadas.
Para começar, o Fluminense precisava vencer o America para manter suas esperanças vivas. Conseguiu o triunfo por 3 a 1, com gol de Lula para abrir o placar. Na rodada seguinte, o Tricolor se firmou como principal perseguidor do Botafogo, ao derrotar o Vasco por 2 a 0. Lula deu o passe para o segundo gol. Já na penúltima rodada, enquanto o Bota derrapava com o empate diante do America, o Flu se firmava como único concorrente ao superar o Flamengo por 2 a 0. Lula inaugurou o marcador num pênalti que ele mesmo sofreu, embora tenha saído contundido. Tornava-se dúvida para a rodada final, o confronto direto com os botafoguenses. Um ponto atrás, os tricolores precisavam da vitória.
Lula se recuperou a tempo de disputar a decisão contra o Botafogo. Mais do que isso, anotou o gol do título na vitória por 1 a 0. Num momento em que a torcida botafoguense já soltava o grito de campeão, o tento surgiu aos 43 da segunda etapa e permitiu o descarrego tricolor. Aquele é um lance reclamado por muitos alvinegros ainda hoje: num cruzamento de Oliveira, o atacante Flávio Minuano e o goleiro Ubirajara se chocaram. A falta sobre o arqueiro foi muito reclamada, mas o árbitro não anotou e a sobra ficou limpa para Lula emendar às redes. Seu nome virou sinônimo de um dos títulos mais saborosos do Flu.
“Lula leva o Fluminense ao título e ao delírio”, dizia a manchete do Jornal dos Sports. “O gol de um jogador no auge da forma técnica e que, ontem, mesmo contra a fechada defesa do Botafogo, lutou até o fim pela brecha que decidisse o jogo. Depois de um sensacional chute no travessão, no primeiro tempo, Lula fez a festa tricolor”. Do outro lado, ficavam as reclamações botafoguenses pela forma como terminaram prejudicados pela arbitragem. O clube chegou a entrar na justiça desportiva pela revogação do jogo, sem sucesso.
Ao Jornal dos Sports, Lula não escondia sua euforia: “Estou ainda meio atônito. Confesso que não esperava. O Botafogo tinha tanta vantagem, jogava bem, dentro de um esquema defensivo sólido. Faltavam poucos minutos para terminar o jogo que nem acreditei. Só me lembrei que aquele gol era o do campeonato quando vi a torcida gritando. Não vou esquecer esse gol jamais. Talvez pelas circunstâncias. Eu não esperava mais, fiquei muito emocionado. Normalmente sou um jogador frio em campo, mas este jogo mexeu com meus nervos”.
A relação de Lula com Zagallo, apesar do título, não era um mar de rosas. O treinador, conhecedor da ponta esquerda, preferia um jogador que atuasse mais recuado – como ele mesmo fazia. Chegou a testar Zé Roberto, que não chegou a emendar uma boa sequência para ameaçar a posição de Lula. Em tempos nos quais conciliava a direção do Fluminense com a Seleção, o treinador mesmo assim acabaria levando o ponta esquerda para uma série de amistosos do Brasil em julho de 1971, um mês depois da conquista do Carioca. Lula fez sua estreia contra a Argentina, na Copa Roca. Saiu bem do banco e ajudou no empate por 2 a 2, que deu o título para os brasileiros.
De volta ao Fluminense, Lula não escondeu a insatisfação pela falta de mais chances com Zagallo. “Zagallo tentou mudar meu jogo logo que chegou ao Fluminense. Não conseguiu, nem conseguirá. Ele sabe disso. Sou um ponta-esquerda ofensivo, que domina a bola e parte para cima do marcador, que vai para o gol. Seleção é bom. Mas, entre modificar meu jogo ou sair da Seleção, eu prefiro a segunda hipótese. Não sou orgulhoso e nem tenho grandes sonhos. Jogo futebol para ganhar a vida”, falaria à Placar, em agosto de 1971.

Valorizado, também queria um contrato melhor e até buscou forçar sua saída do Fluminense: “Não tenho queixas do Fluminense, mas vivo do futebol. Jogador que não muda de clube fica naquela de contar tostões. Os 15% da transferência e um novo contrato têm mudado a vida de muitos jogadores. Acho que chegou a hora de sair. Fiz um mau negócio ao renovar. Mas o Marco Antônio tinha renovado pouco antes, quase nas mesmas bases. Foi o que me estragou”.
Apesar dos atritos, Lula continuou no Fluminense como um jogador de relevo. Tecnicamente, o momento do atacante seguia excepcional e permanecia cotado como um dos melhores de sua posição no país. Não conquistou títulos com o clube em 1972, mas Zagallo, já fora do Flu desde o ano anterior, voltou a convocar o ponta para a Seleção. Ele não saiu do banco, mas participou da conquista da Taça Independência, chamada de Minicopa. O currículo recheadíssimo do pernambucano ganhava mais um troféu relevante, ainda que fosse como coadjuvante.
O último título de Lula no Campeonato Carioca veio em 1973. Dirigido por Duque, o Fluminense se via bastante modificado em relação às conquistas anteriores. Ainda assim, tinha uma dupla poderosa na esquerda com Marco Antônio e Lula. O pernambucano não vivia mais uma fase tão brilhante e fez um campeonato regular. Porém, conseguiu brilhar com nova grande atuação no jogo decisivo. A vitória por 4 a 2 sobre o Flamengo teve participação do ponta em dois tentos, que renderam elogios à forma como mais uma vez conferia agressividade para o Flu ser campeão.
A história de Lula com o Fluminense se encerrou nove anos depois de sua chegada, em março de 1974. O ponta esquerda seguia presente na seleção carioca, embora não tenha sido chamado por Zagallo para a Copa de 1974. O problema não era a forma, mas a relação conturbada que mantinha no Tricolor, diante de seu gênio intempestivo. O jogador criticou publicamente o esquema do técnico Duque e a necessidade de marcar. O Flu chegou a multá-lo e, naquele momento, abria-se uma porta para a saída do craque. Sua insatisfação com o salário também era motivo para que buscasse novos ares. Depois de 375 jogos e 100 gols com a camisa tricolor, sua passagem se encerrava naquele momento.
Lula assinou com o Internacional por 1 milhão de cruzeiros. O atacante também era pretendido pelo Corinthians, mas os colorados entraram forte na disputa e levaram o ponta esquerda ao aumentarem sua oferta. Outro atrativo para convencer o atacante foi dar um apartamento em Porto Alegre. O dinheiro permitiu que o Fluminense contratasse em definitivo o ídolo Gil. De qualquer maneira, não se nega que os colorados se deram melhor no negócio. Levaram uma figura histórica, que fortalecia a boa equipe de Rubens Minelli e dava mais casca para voos altos.

A estreia de Lula pelo Internacional não poderia ser mais marcante. O ponta esquerda fez boa atuação na vitória sobre o Grêmio por 2 a 1, pelo Campeonato Brasileiro. E o novo reforço não demorou a se adaptar como um dos principais jogadores colorados. Viveria ótima sequência com os gaúchos na competição nacional. O primeiro gol saiu diante da Desportiva, em abril. Já em maio, chegou a balançar as redes do Botafogo três vezes num triunfo do Inter por 3 a 2. Também faria valer a Lei do Ex em junho, quando o time de Rubens Minelli empatou com o Fluminense por 1 a 1.
Como tinha acontecido nos dois anos anteriores, o Internacional chegou entre os quatro melhores do Campeonato Brasileiro de 1974. Não brigou pelo título, mas adiou o troféu do Vasco na última rodada do quadrangular final, forçando um jogo-extra dos cruzmaltinos contra o Cruzeiro. No empate por 2 a 2 no Maracanã, Lula anotou um golaço de primeira, encobrindo o goleiro Andrada. Foi a cereja do bolo em uma excelente campanha do ponta esquerda. Lula terminou o Brasileirão como artilheiro do Inter, autor de oito gols. De quebra, recebeu a Bola de Prata da revista Placar, como o melhor de sua posição.
O segundo semestre de 1974 guardou o primeiro título de Lula com o Internacional. Os colorados dominavam o Campeonato Gaúcho e ergueram o sexto troféu consecutivo naquele ano. O ponta esquerda se via em excelente forma e já era tratado como ídolo pela torcida no Beira-Rio, com muitos dribles e assistências. O time dependia tanto das ações do craque que, publicamente, o técnico Rubens Minelli admitiu que pediu para seus atletas jogarem menos com Lula para aumentar a variação de jogadas. Ainda assim, a influência na taça seria plena, com um cruzamento de Lula para Escurinho aparar e Valdomiro marcar o gol do título diante do Grêmio, numa vitória por 1 a 0.
Em agosto de 1975, Lula levantou o quinto estadual de sua carreira, com o hepta gaúcho do Internacional. O ponta esquerda teve um pouco mais de dificuldades naquela campanha, por conta de problemas físicos, mas foi para o sacrifício na reta final e ajudou a conquista. Também não estava na melhor forma física, mas seria instrumental no inédito título faturado pelo Inter no Brasileirão.
Lula foi melhor no início da campanha pelo Brasileiro, concentrada nos quatro últimos meses de 1975. Chegou a arrebentar contra o Vitória e deixou sua marca no empate por 1 a 1 no Gre-Nal. A regularidade não se manteve, com o ponta esquerda saindo da liderança da Bola de Prata, até por conta dos entraves físicos. Ainda assim, ele deslanchou exatamente no momento decisivo, para impulsionar o Inter na conquista que o clube tanto almejava naquela metade dos anos 1970.

Cabe salientar que Lula tinha ótimo apoio pelo lado esquerdo. Vacaria não era um lateral tão agressivo quanto Marco Antônio, mas auxiliava bastante o ponta. Conseguia dar passes redondos para que o pernambucano atacasse em velocidade. Além disso, Carpegiani oferecia força pelo meio. O maestro garantia lançamentos açucarados e também ocupava o lado do campo, para que Lula centralizasse e buscasse mais as finalizações. O craque ganhava grande liberdade, algo importante no esquema de Rubens Minelli.
A relação entre o ponta e o técnico, aliás, teve seus altos e baixos – até pelo temperamento do jogador, que chegou a reclamar na imprensa de momentos em que acabava obrigado a voltar para marcar. Minelli chegaria inclusive a ameaçar sua saída já na reta final do Brasileiro de 1975, descontente com as queixas de Lula e também de Carpegiani sobre suas exigências defensivas. O comandante, todavia, cunharia uma frase célebre: “Não importa que Lula me incomode durante a semana, desde que também incomode os beques adversários no final de semana”.
O atacante, apesar de tudo, apontava que os dois se davam bem e o treinador era bastante aberto para ouvir suas opiniões. “Já tive problemas. Às vezes, por minha culpa, Às vezes, acho, por incompreensão dele. Mas no geral a relação é boa, muito boa. O Minelli é um grande amigo. As brigas no Inter são como as de família. Daqui a pouco já está tudo bem, um fazendo agrado no outro, pedidos de desculpa e tal”, afirmou Lula, à Placar.
Minelli ficou e Lula seria essencial na reta final do Brasileirão. O ponta marcou um gol importantíssimo na antepenúltima rodada da terceira fase, na vitória por 1 a 0 sobre o Náutico em Pernambuco. Desta maneira, um empate com o Flamengo no Beira-Rio abriu caminho para a classificação à semifinal, garantida depois que os rubro-negros perderam para o Santa Cruz no último compromisso e o Inter bateu a Portuguesa. Na semifinal, o ponta esquerda teria um reencontro particular com o Fluminense no Maracanã.
O Fluminense era favorito na semifinal do Brasileirão. Vivia o ápice da chamada Máquina Tricolor, com Rivellino e Paulo Cézar Caju, além de nomes mais antigos como Félix e Marco Antônio. O Internacional cresceu no momento certo e, diante de 97 mil pagantes, saiu com a vitória por 2 a 0 no Maracanã. O primeiro gol foi de Lula, aos 33 minutos, concluindo no canto depois de tabelar com Falcão. O Jornal dos Sports assim avaliaria a sua atuação: “Continua sendo o melhor ponteiro do futebol brasileiro. Veloz, inteligente, dribla fácil e vai sempre à linha de fundo. Marcou um belo gol e foi um dos destaques da partida”.
Por fim, o Internacional encarou o Cruzeiro na decisão. Lula era dúvida por uma contusão no joelho e não treinou durante a semana. Porém, Minelli não abriria mão de um de seus melhores jogadores, que foi para o sacrifício. O ponta esquerda não teria participação direta no histórico gol de Figueroa, que determinou o triunfo por 1 a 0, mas cresceu de produção no segundo tempo e perdeu oportunidades que poderiam ter ampliado o placar. Botava a faixa de campeão nacional pela terceira vez. “Primeiro foi em 1967, pelo Palmeiras, e também em 1970, pelo Fluminense. Agora, em 1975, num campeonato muito mais difícil, tive a sorte de ser um dos campeões. Minha alegria não poderia ser maior”, diria.
Em dezembro de 1975, Lula cogitou deixar o Internacional. Dizia-se aberto a qualquer proposta, e não por problemas no clube, mas pelas dificuldades de adaptação de sua família em Porto Alegre. A esposa do atacante costumava ficar doente com frequência por causa do clima da cidade e isso o levou a buscar um novo destino. Porém, depois da conquista do Brasileirão, o Inter não venderia um dos seus destaques. O sucesso era tamanho que, quatro anos depois, o ponta esquerda voltou a figurar nas convocações da seleção brasileira, chamado por Oswaldo Brandão.
Lula disputou uma série de amistosos no primeiro semestre de 1976. Chegou a marcar gols contra a Argentina na Taça do Atlântico, em dois jogos diferentes, e seria uma figura importante na conquista do Brasil. Já em maio, também fez parte do título no Torneio Bicentenário, disputado nos Estados Unidos. Naquela competição, acabou mais lembrado pela expulsão diante da Itália, quando trocou empurrões com Francesco Graziani e acertou um safanão no rosto de Mauro Bellugi.
O ano de 1976 seria o principal de Lula pelo Internacional. A equipe caiu na fase de grupos da Libertadores, superada pelo Cruzeiro, mas o ponteiro deixou sua marca na lendária vitória celeste por 5 a 4, considerada uma das maiores partidas da competição em todos os tempos. Foi o primeiro gol do Inter na história da Libertadores. Depois, faturou o octacampeonato gaúcho com os colorados. Em mais uma decisão contra o Grêmio, deixaria sua marca na vitória por 2 a 0, anotando uma pintura para abrir o marcador e ainda servindo Dadá Maravilha no segundo. E o esquadrão de Rubens Minelli emendaria o bicampeonato brasileiro logo depois.
Lula estava impossível no Brasileirão de 1976. Em sua segunda aparição no torneio, balançou as redes duas vezes na vitória por 3 a 1 sobre o Grêmio. Seguiu marcando com uma frequência enorme, num momento em que mostrava sua confiança e também o faro de gol incomum para um ponta esquerda. Em meados da terceira fase, o pernambucano estava até mesmo brigando pela artilharia da competição. A fonte secou antes da reta final, mas Lula garantiu dez tentos ao Inter, contribuindo ao lado de Dadá Maravilha e Valdomiro para o desempenho avassalador do ataque colorado.

“Notou que estou procurando bastante o gol? É porque vejo que está dando pra chegar lá. Alguns falam que ando meio egoísta, que estou procurando fazer gols sem ângulo. Mas é preciso também notar que muitas vezes posso fazer o gol e passo a bola para quem vem de trás. Estou nessa de artilheiro, mas sem prejudicar o time. Entende?”, diria Lula, em entrevista à Placar. E para tanto optava por um estilo mais direto: “Driblar já era, rapaz, já era. Só atrasa o time. O Garrincha, que foi um dos maiores jogadores que já vi, não teria hoje o sucesso que teve. Com as retrancas de agora, o driblador só atrasa o time. Parou a bola, os beques tiram – ou botam para a lateral. Então, o ponta tem que procurar outro jeito”.
Lula chegou a passar uns dias com a perna engessada na reta final do Campeonato Brasileiro, mas voltou a tempo de participar da fase decisiva. Esteve presente na histórica semifinal contra o Atlético Mineiro, com o triunfo por 2 a 1 no apagar das luzes definido pelo memorável gol de Falcão. E, mesmo sem marcar nos 2 a 0 da decisão diante do Corinthians, teria sua ponta de brilho no Beira-Rio. “Outra peça de destaque do bicampeão brasileiro. É um jogador de grande eficiência tática e de real perigo para qualquer defesa. Sabe se colocar sempre em condições de concluir e ia marcando um golaço, num chute de fora da área, não fosse a excelente defesa de Tobias”, avaliaria o Jornal dos Sports. O reconhecimento pela ótima forma garantiu sua segunda Bola de Prata de Placar.
Naquele momento, Lula chegava à fase mais madura e consciente de seu futebol. Como ele definiria, em novembro de 1976, à Placar: “Quando novo, o ponta corre, corre e rende pouco. Só com a idade, com a experiência, é que vai conhecer a posição – que por sinal não é das mais fáceis, como alguns acham. A ponta tem sua ciência, entende? Não é só mandar jogar adiantado, ficar fixo na frente, como estão dizendo para os garotos. O ponta precisa transar com os companheiros e saber o momento de se mexer. Eu, por exemplo, vivo combinando jogadas com os companheiros. O ponta precisa procurar um jeito de jogar, de fugir das retrancas. E não gosto de jogar sozinho. Combino muitas jogadas com o meu lateral, o Vacaria, como já fazia com o Marco Antônio”.
Já sobre o Internacional, Lula era enfático para explicar o sucesso: “O principal do nosso time, sabe o que é? É que isso aqui é uma família, uma explicação a que muitos não dão valor. É tudo irmão”. Porém, mesmo cuidando bastante do físico, o ponta passava dos 30 anos e começou a conviver com as lesões de maneira mais frequente. A queda seria um tanto quanto repentina a partir de então, e se tornaria mais aparente com a seleção brasileira, novamente convocado por Brandão.
Lula participaria das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1978, durante os primeiros meses de 1977. O atacante parecia com a reputação intacta e começou como titular de Brandão nos primeiros amistosos, dada a preferência do comandante por usar pontas mais abertos – o técnico chegou a afirmar que, para ele, Lula era o melhor do país na posição. Todavia, o craque do Inter não funcionou conforme o esperado na Canarinho. Por vezes parecia muito isolado e não dava continuidade às jogadas. As críticas começaram a se tornar mais frequentes, embora o pernambucano em si não fosse o único problema, e sim a montagem do time pelo treinador.

Lula era visto como um parceiro incompatível a Marinho Chagas, dono da lateral esquerda na época. O defensor atacava muito pelo meio e, com isso, o colorado não repetia as jogadas em diagonal que fazia no Inter. Ele próprio admitia as dificuldades, por não participar tanto do jogo e voltar mais para a marcação: “Eu e o Marinho não nos entendemos. Fora de campo somos amigos, me dou otimamente com a família dele lá de Natal, mas no jogo o negócio muda. No Inter, o Vacaria vem pela lateral e dá o passe para que eu entre pelo meio. Aqui na Seleção, o Marinho me obriga a vir lá de trás. Não sei jogar assim. Desse jeito não dá”.
A gota d’água aconteceu num amistoso contra o Millonarios, antes do duelo contra a Colômbia nas Eliminatórias. Lula disputou apenas 30 minutos e acabou sacado por Brandão, visivelmente irritado. Perderia o lugar para Falcão, antes do duelo decisivo com os Cafeteros. O Brasil só empatou no Estádio El Campín e Brandão deixou o cargo em meio à crise, dando lugar a Cláudio Coutinho. Lula não seria mais chamado, encerrando sua passagem pela Seleção com 13 partidas e dois gols. Conseguiu acumular títulos menores, mas sem o gosto de disputar uma Copa do Mundo ou de repetir a importância nos clubes.
“Não preciso disso, ouviu? Não faço nenhuma questão de Seleção. Nenhuma! Queriam o quê? Não tenho tranquilidade para jogar. Botei o pé naquele hotel de Embu e já vieram me dizer que o Rivellino iria para a ponta esquerda, para que o Falcão entrasse. É uma velha má vontade. No fim da excursão aos Estados Unidos, tramavam a entrada do Marinho no meu lugar. Mas quem é o ponta esquerda? Sabe qual o único jogador três vezes campeão do Brasil? Sou eu”, declarou à Placar, na época.
Mesmo pelo Internacional, Lula não conseguiria mais engrenar. Os colorados perderam Rubens Minelli, que assinou com o São Paulo, e o ponta emendava lesões. Teve problemas sérios nos meniscos e pouco atuaria naquele ano, apesar de cinco aparições pela Copa Libertadores de 1977. O veterano perdeu espaço, enquanto voltou a pesar sua vontade de deixar Porto Alegre, pelas dificuldades de sua esposa com o clima. Em 14 de agosto de 1977, enfrentou o Grêmio pelo Gauchão, em sua última aparição com a camisa colorada. Foram 182 partidas e 59 gols, além de cinco troféus enfileirados.
Em setembro de 1977, Lula assinou com o Sport. A transferência parecia fazer todo o sentido, em diversos aspectos. O atacante voltava ao estado onde nasceu e passaria a morar perto dos pais em Recife. Além disso, livrava a esposa e os filhos de suas dificuldades em Porto Alegre. Na época, surgiram rumores envolvendo Corinthians e Botafogo. O Flamengo, através de Carpegiani, também tentou sua contratação. Até o New York Cosmos pintou como um possível destino. Lula preferiu mesmo a mudança para Recife e até abriu mão de sua parcela na transação, para facilitar o negócio.

O Sport montava uma equipe bastante forte naquele momento e contava com Dadá Maravilha. Lula seria aclamado pelos torcedores rubro-negros em seu desembarque no Recife. “Recepção igual só tive ao chegar em Porto Alegre, em 1975, depois que derrotamos o Fluminense no Maracanã pela semifinal do Campeonato Brasileiro. Mas ali as homenagens da torcida eram para toda a delegação, não para um só jogador, como aqui”, diria em entrevista à revista Placar, na época.
“Olha, é bom chegar como ídolo, ser festejado. Mas tem suas desvantagens. Se você rende o esperado, tudo bem. Afinal, seu futebol é aquele mesmo, por isso você é ídolo. Mas se você passa pela chamada fase de adaptação, joga mal as primeiras partidas, é fogo – a galera pode até desanimar. Bom mesmo é chegar desacreditado e explodir depois. Quando cheguei ao Internacional, o time começou a subir. Não que eu tenha sido o responsável pela ascensão, é que outros jogadores também foram contratados – aí a equipe explodiu para todo o Brasil. Seria bem interessante que acontecesse o mesmo no Sport”, complementaria.
O início com o Sport foi até promissor. Lula marcou gols em suas primeiras aparições e empolgava os pernambucanos. Chegou a fazer parte do time na reta final da conquista do Campeonato Pernambucano de 1977, mesmo que sem tanta influência assim na campanha. Porém, os problemas de lesão logo voltaram a assombrá-lo. Disputava poucas partidas e seria cobrado pela torcida. Alguns diziam que ele estava lá para “enganar o Leão”, mais interessado em cuidar dos negócios da família, após abrir uma construtora na cidade. De fato, Lula não negava que a firma era uma prioridade nesse retorno a Recife e passava boa parte da semana nos canteiros de obras.
Com parcas aparições pelo Sport em 1977, Lula reiterava sua vontade de vingar com o time, como declarou à Placar em fevereiro de 1978: “A torcida fala com alguma razão, mas espero mostrar nesta fase do Brasileiro que não vim roubar o Sport, como falam. Tenho certeza de que até março o clube recuperará o dinheiro que gastou comigo. Vou mostrar que vim para jogar futebol, e disso faço questão. Sei o caráter que tenho. Um dia voltarei de vez, quando deixar de jogar. Então, torcerei pelo Sport, seguindo a tradição de minha família”. Sua carreira seria interrompida abruptamente semanas depois.
Em março de 1978, Lula tinha ido com os irmãos comprar peixes em um bar na beira da praia em Porto de Galinhas. Um rapaz embriagado, torcedor do Sport, começou a ofender o atacante e o acusou de roubar o clube. Lula reagiu e a briga seria apartada. Quando os ânimos pareciam mais calmos, o rapaz foi até seu carro e buscou um revólver. Deu quatro disparos, atingindo Lula na barriga e na perna. Seus irmãos Roberto e Humberto também foram alvejados, mas de maneira mais leve. Jaime Costa Araújo, estudante de Direito, se entregaria à polícia como o autor do crime. Tinha também lesões na cabeça e uma costela fraturada.

Lula teve o intestino perfurado e passou por operação. Sua recuperação rápida surpreendeu os médicos e logo os riscos de morte foram descartados. A questão era se o veterano ainda conseguiria retomar sua carreira. Em decorrência do pós-operatório, o atacante permaneceu mais de um mês internado e seu período afastado dos treinamentos seria ainda mais longo. Em outubro de 1978, Lula até voltou às atividades. Contudo, em uma pelada no futebol de salão, sentiu dores e descobriu que uma das balas seguia alojada no fêmur. Passaria por uma nova operação e encerraria sua carreira em consequência disso.
“Quando aparece um jogo na televisão, desligo. Me dá uma tristeza danada ver gente com quem joguei lá no campo, e saber que meu lugar devia ser ali, e não assistindo. A princípio, sofri muito ao saber que não voltaria a jogar. Apesar da idade, esperava jogar mais uns dois ou três anos, que tinha condição atlética”, afirmou à Placar, em dezembro de 1978.
Após a aposentadoria, Lula não demorou a abraçar a carreira de técnico. Tentaria reproduzir aquilo que fez em campo, como diria ao Jornal do Brasil em 1981: “Quanto mais ofensivo, melhor. Foi só o que aprendi. Todas as equipes em que joguei ganharam títulos porque jogaram pra frente. Peguei o Botafogo da Paraíba e conseguimos milagres jogando pro ataque. E é claro que não faltaram os cuidados na defesa. A objetividade, marcação por pressão e a ajuda de pelo menos dois a quem estiver com a posse de bola, botando vantagem em cima dos adversários, são também algumas das armas que não abro mão”.
Lula treinou as categorias de base do Fluminense e passou quatro meses à frente do time principal. Grande parte de sua trajetória seria vivida mesmo no Oriente Médio, com duas décadas no comando de times dos Emirados Árabes Unidos e da Arábia Saudita. “Conseguir algo aqui no Brasil é difícil. Por isso fui para fora. Não faço parte da política daqui para conseguir emprego. […] Futebol é muita trairagem. É igual política. Você faz amizade e é apunhalado pelas costas”, disse em entrevista ao Pelé.Net, em 2007. “Eu estou aqui no Recreio [bairro na zona oeste do Rio]. Estava nos Emirados Árabes e vim agora para passar uns cinco meses aqui com minha família. Depois eu volto para lá e consigo um clube. Tenho bom mercado no mundo árabe”.
Longe do futebol nos últimos anos, Lula teria seu adeus na sexta-feira da última semana, 11 de fevereiro. A história do ponta esquerda, porém, seguirá gravada por muito tempo. Seu nome não se oxidará nas taças de tantas conquistas. E a memória do ídolo, no Fluminense ou no Internacional, sobrevive através de todos aqueles que se impressionaram com o talento de um ponta esquerda tão voraz.



