O adeus a Nelsinho Rosa Martins, ex-jogador e técnico que levantou taças em Fla, Flu e Vasco
Meio-campista marcante no Flamengo dos anos 1960, Nelsinho foi técnico de grandes conquistas do Fluminense e do Vasco

Na última terça-feira, o futebol brasileiro se despediu do ex-jogador e treinador Nelsinho Rosa Martins, campeão em três dos quatro grandes cariocas, falecido aos 85 anos. Como atleta, foi um meia dinâmico que fez dupla marcante com Carlinhos “Violino” no Flamengo de meados dos anos 1960, sendo duas vezes campeão carioca. Já como técnico, fosse dirigindo medalhões ou garotos, inscreveu seu nome na história do Fluminense, com outros dois canecos estaduais, e do Vasco, ao conduzir o clube da Colina até o título brasileiro de 1989. Também comandou seleção de base e foi auxiliar da principal. Mas foi, sobretudo, muito ligado ao Madureira, clube do bairro onde foi criado e onde sua trajetória no futebol teve início e fim.
De Nelsinho, o jogador, costumava-se dizer à época que se tratava do “formiguinha” da equipe, que “não jogava para a torcida, e sim para o time”. Era o meia incansável na marcação, dando o suporte necessário para Carlinhos desfilar seu estilo clássico na armação – algo semelhante com o que fazia, na mesma época, o volante Dudu em relação a Ademir da Guia no Palmeiras. O jogo objetivo, sem floreios, mas sem ser desleal, fez com que Nelsinho se estabelecesse por um longo período na Gávea, mesmo enfrentando forte concorrência.
“O público aplaude as grandes jogadas individuais, os lances de embaixadas, de letra, que não são meu forte. Para contrabalançar, o técnico sabe distinguir uma coisa da outra. Essa é minha sorte”, reconhecia o meia em entrevista de 1964 à Revista do Esporte. “A diferença é que jogo simples, sem enfeites. Podendo dar o passe de primeira, não vejo razões para matar a bola no peito, deixá-la, cair no chão, amaciá-la, olhar para os lados, dar uma voltinha. Enfio logo o passe de cabeça, com o que ganharei tempo e o time também”, explicava.
Não se tratava, porém, de um jogador puramente de contenção: apesar da garra e do fôlego que parecia inesgotável, o franzino Nelsinho fugia ao estilo brucutu e tinha qualidades técnicas como o ótimo lançamento e o bom chute de pé direito. Suas forças eram o dinamismo, a mobilidade, a versatilidade de quem, depois de lapidado no futebol de salão, começou a carreira nos gramados como ponta-direita antes de se fixar no meio. Características que complementavam com perfeição o estilo mais vistoso do amigo Carlinhos no Flamengo.
De Nelsinho, o treinador, as qualidades mais elogiadas eram o trato com os jogadores e a aptidão para passar seus conhecimentos táticos. Sempre calmo e educado no jeito de falar (o meia Delei, ex-Fluminense, apelidou-o de “Paulinho da Viola do futebol”), bom de papo, podia ser também bastante franco e sincero quando a ocasião exigisse. Repudiava o jogo violento (“Em vez de escalar um jogador só para bater, é preferível contratar logo um pistoleiro”, dizia) e gostava de times com toque de bola envolvente, bem compactos e coesos.
Embora inicialmente não pretendesse se tornar técnico (“Achava e acho a carreira de treinador dificílima. É uma cobrança constante. De futebol todos entendem e assim todos acham de cobrar e criticar”, opinou em entrevista de 2002), Nelsinho tinha formação acadêmica no jogo: concluíra o curso de Educação Física em 1973 e no ano seguinte, já habilitado, fora aluno do professor Ernesto Santos, renomado catedrático do esporte, em uma especialização em técnica de futebol. Em sua trajetória, soube mesclar teoria e prática.
O JOGADOR
Carioca nascido em Vaz Lobo no dia 8 de dezembro de 1937 e criado em Madureira, Nélson Rosa Martins vivenciou o jogo desde pequeno, nos terrenos baldios que viravam campos de pelada em seu bairro, batendo bola de tarde até anoitecer. O futebol era o esporte mais praticado, mas ele também jogava vôlei e basquete. Amava o esporte. Paixão que o levou a criar um clube, o Delta, com amigos do bairro, para participar dos famosos festivais desportivos que eram realizados aos domingos pelos subúrbios da cidade do Rio de Janeiro.
Observado por pessoas ligadas ao Madureira, foi levado ao Tricolor Suburbano para disputar os Jogos Infantis, criados por Mario Filho e organizados pelo Jornal dos Sports. Corria o ano de 1952, que marcaria o primeiro encontro com aquele que seria seu grande parceiro no futebol: Luiz Carlos Nunes da Silva, o Carlinhos, que, aos 15 anos de idade, ainda defendia o Botafogo naquela categoria, passando ao Flamengo apenas dois anos depois. Já Nelsinho ainda jogaria basquete e futebol de salão antes de se fixar no futebol de campo.
Dos infantis, passou aos juvenis em 1954. E três anos depois foi puxado ao elenco de profissionais pelo técnico Jorge Vieira. Era um tempo em que o Madureira costumava tirar pontos dos grandes, especialmente em seu alçapão de Conselheiro Galvão, bem como revelar jogadores para clubes maiores. Em 1958, derrotou o Vasco, futuro campeão carioca, por 3 a 1 em jogo disputado na Rua Bariri. No ano seguinte, seria a vez do Flamengo ser batido na Gávea, no dia do aniversário do clube, por 2 a 1. Sempre com Nelsinho em campo.
Ainda em 1959 o Tricolor Suburbano chegaria à final do Torneio Início, tradicional competição de jogos mais curtos, disputada toda num dia no Maracanã. Após eliminar Portuguesa e Botafogo, o Madureira perderia a decisão para o Fla na prorrogação. Já no Campeonato Carioca, o time ficaria em sétimo, colocando-se como o melhor dos pequenos e fazendo despontar nomes que atuariam em grandes clubes, como o médio Frazão (Botafogo), o meia Nair (Corinthians), o atacante Azumir (Vasco e Porto) e o ponta Osvaldo (Flamengo e Santos).

Nelsinho também já era observado desde essa época. Mas o conhecido empresário José da Gama, então presidente do Madureira, dificultava as negociações. O Corinthians bateu à porta, mas não aceitou os Cr$ 4 milhões pedidos pelo clube. A família também o segurava no Rio: “Antes de ir ao Flamengo, recebi proposta do Palmeiras e fui convidado para fazer teste no Real Madrid. Não saí porque minha família queria que eu continuasse a estudar, além de eu ser muito apegado aos meus familiares”, lembrou Nelsinho em entrevista de 2002.
Por ironia, o Tricolor Suburbano levaria o garoto de Vaz Lobo a dar a volta ao mundo em 1961, na excursão que se tornaria a mais longa de um clube brasileiro no exterior: foram 144 dias viajando por Europa, Ásia e Estados Unidos, fazendo 36 jogos – entre eles, os primeiros de uma equipe do Brasil no Japão e em Hong Kong. Aquele, porém, seria seu último ano no clube da Zona Norte: indicado por Flávio Costa, ele assinaria com o Flamengo em 23 de fevereiro de 1962 por Cr$ 1,25 milhão, valor considerado módico em vista de seu potencial.
Ao chegar à Gávea, porém, Nelsinho teria de batalhar por seu espaço enfrentando uma jovem dupla titular de meio-campo formada por Carlinhos e Gerson, ambos cotados para integrarem a seleção brasileira que disputaria dali a alguns meses a Copa do Mundo no Chile. Gerson já havia estreado pelo Brasil no ano anterior, inclusive vestindo a camisa 10 no lugar de Pelé na conquista da Taça Bernardo O’Higgins no Chile. E Carlinhos figuraria na lista de 41 jogadores pré-convocados para a Copa preparada pelo técnico Aymoré Moreira.
Gerson, porém, teria um início de temporada acidentado: uma entorse no joelho direito antes do jogo contra o Botafogo pelo Torneio Rio-São Paulo no dia 1º de março abriu espaço para a estreia de Nelsinho, que se destacou na vitória rubro-negra por 3 a 2. Menos de duas semanas depois, num treino na Gávea, a lesão do Canhotinha se agravaria com a ruptura do menisco, tirando-o de ação por vários meses e colocando fim ao seu sonho de disputar sua primeira Copa do Mundo no Chile. No Flamengo, a bola agora estaria com Nelsinho.

Logo depois do Rio-São Paulo, o Flamengo partiria para uma excursão internacional que passaria por Itália, Tchecoslováquia, Espanha, Suécia, União Soviética, Noruega, Tunísia e Gana. Os jogos serviriam para observar novos contratados e juvenis, além de formar um time para o Campeonato Carioca. Os resultados foram oscilantes, mas Nelsinho se destacaria, merecendo elogios até nas derrotas, a ponto de o diretor de futebol rubro-negro, o sueco Gunnar Goransson, considerá-lo a melhor contratação feita pelo clube nos últimos tempos.
Na excursão, Nelsinho marcaria o primeiro de seus 15 gols pelo Flamengo na vitória de 3 a 0 sobre o Stade Tunisien em Túnis no dia 17 de junho. Mas mesmo suas grandes atuações no exterior não lhe garantiriam um lugar no time titular para a grande competição da temporada, o Campeonato Carioca, como ele descobriria na volta ao Brasil: com Gerson recuperado e novamente formando o meio-campo com Carlinhos, Nelsinho só atuaria em três jogos pelo campeonato da Guanabara, incluindo o que decidiria o título em favor do Botafogo.
Se o ano de 1962 terminou de maneira frustrante, Nelsinho teria, em tese, ainda menos espaço no time em 1963, já que o clube contrataria outro meio-campista: Nelson, do Olaria, que chegou à Gávea juntamente com o lateral-direito Murilo. A sorte, porém, viria a sorrir para o ex-Madureira a partir do segundo semestre. Gerson já andava se estranhando com Flávio Costa e os dirigentes desde o ano anterior. E na metade do primeiro turno do Carioca, em setembro, acabaria afastado de vez do time e finalmente negociado com o Botafogo.
Nelsinho, que já vinha jogando com a camisa 8 desde a terceira rodada, permaneceu no time e foi se firmando ao longo daquela campanha em que o Flamengo sofreu dois tropeços no primeiro turno perdendo para America e Bangu, mas se reabilitou e passou a correr por fora, esperando a queda dos banguenses, líderes por quase todo o certame e depois do Fluminense. Assim, quando chegou a rodada decisiva, eram os rubro-negros que precisavam só do empate com os tricolores para levarem a taça, pondo fim a um jejum de oito anos.
No dia 15 de dezembro, diante de um público pagante de 177.020 torcedores, o Fla sustentou com bravura o empate em 0 a 0 que lhe garantia o título e comemorou a conquista ao apito final. Para Nelsinho, era a afirmação: atuara como titular em 19 das 24 partidas da campanha, anotando quatro gols. Curiosamente, havia sido ele o autor do último gol rubro-negro no torneio, o segundo na vitória de 2 a 1 sobre o Olaria na Rua Bariri, uma semana antes, pela penúltima rodada (o outro havia sido de Carlinhos, seu parceiro de meio-campo).

A grande fase se estenderia pelo ano seguinte, durante a excursão do Flamengo pelas Américas na pré-temporada, quando Nelsinho balançou as redes quatro vezes em quatro países diferentes pelo Flamengo: em Talca, no Chile, contra o Rangers local; em Kingston, na Jamaica, diante dos colombianos do Nacional de Medellín; em Guayaquil, no Equador, contra o Emelec; e em Piúra, no Peru, contra o Atlético Grau. Suas atuações mereceriam elogios até do ex-meia Didi, na época dirigindo o Sporting Cristal, também batido pelo Fla.
No Torneio Rio-São Paulo de 1964, a grande vitória do Fla com Nelsinho em campo veio na virada sobre o Santos de Pelé por 3 a 2, num Maracanã que teve portões abertos em um feriado de 1º de maio. No meio do ano, em outra excursão – agora passando pela África e Oriente Médio antes de chegar à Europa – ele participaria da conquista do prestigioso Troféu Naranja, após vencer por 3 a 1 o anfitrião Valencia. Já na volta ao Brasil, durante o Carioca, ele seria responsável involuntário por um lance que marcaria a história do Maracanã.
Flamengo e Vasco empatavam em 1 a 1 na noite de quinta-feira, 27 de agosto, pela nona rodada do Carioca quando, num dos primeiros lances após a volta do intervalo, Nelsinho chutou fraco e de modo despretensioso na direção do gol vascaíno. O goleiro Marcelo, no entanto, aceitou, e a bola tomou o rumo das redes, para sua agonia. Vaiado pelas duas torcidas, Marcelo não aguentou e pediu para ser substituído. Mas ao perceber o drama do arqueiro, o Maracanã inteiro – as duas torcidas juntas – passou da vaia ao aplauso solidário.
O gesto da multidão não demoveu o goleiro – que acabou substituído na derrota vascaína por 2 a 1 e logo decidiria que encerraria a carreira por conta daquele frango – mas entrou para o anedotário do estádio. Dez dias depois, no jogo seguinte do Flamengo, Nelsinho voltaria a balançar as redes numa ocasião especial: a vitória por 3 a 1 diante de seu ex-clube, o Madureira, no estádio em que ele se criara como jogador, em Conselheiro Galvão. Da intermediária, o camisa 8 acertou um chute poderoso e de pé esquerdo no ângulo do goleiro Jonas.
Aquela seria a temporada em que Nelsinho mais vezes entraria em campo (54 jogos) e balançaria as redes (seis gols) pelo Flamengo. Mas, por triste ironia, terminaria mais cedo para ele devido a um incidente ocorrido na partida contra o Ceará em Fortaleza pelas semifinais da Taça Brasil. Num choque com o meia Lucena aos 44 minutos de jogo, ele fraturou a tíbia e o perônio (hoje chamado de fíbula), ficando afastado por vários meses. Para piorar, no trajeto do hotel até o aeroporto, a ambulância que o levava foi abalroada por outro veículo.
O prazo previsto para sua recuperação era de 90 dias, mas o agravamento da fratura estendeu o período de inatividade: Nelsinho ficou quase dez meses de fora, voltando a campo só em 29 de agosto de 1965, na vitória sobre o Betis por 3 a 0 pelo Troféu Ramón de Carranza, na Espanha. E quando retornou, o Fla já era outro: o técnico Flávio Costa deixara o cargo após três anos e meio ao aceitar proposta do Porto, e o argentino Armando Renganeschi era agora o comandante. Além disso, outro concorrente de posição despontava na Gávea.

Era o meia-armador niteroiense Fefeu, revelado pelo Canto do Rio e contratado pelo Flamengo no início de 1964, mas que só ganhou espaço com a lesão de Nelsinho e a venda de Nelson para o futebol mexicano, no início da temporada seguinte. Talentoso, bom batedor de faltas e pênaltis e até convocado para a seleção brasileira em junho, Fefeu manteria disputa acirrada por um lugar ao lado de Carlinhos no meio-campo rubro-negro durante o Carioca de 1965 – ainda que ele e Nelsinho tenham chegado a atuar juntos de início.
Com uma campanha sólida e de grande regularidade, o Flamengo conquistaria o enxuto Carioca de 1965, que teve apenas oito clubes se enfrentando em turno e returno, e levaria o prestigioso título de campeão do IV Centenário de fundação da cidade do Rio de Janeiro. O caneco veio de véspera: na penúltima rodada, o time venceu o Fla-Flu por 2 a 1 e ficou precisando de um tropeço do Bangu, que veio no sábado seguinte diante dos tricolores (1 a 0). No domingo, os rubro-negros já entraram em campo de faixas contra o Botafogo.
Nelsinho atuaria em nove dos 14 jogos, contra sete de Fefeu – embora seu concorrente na posição tenha se sagrado o vice-artilheiro do time, com seis gols, só um a menos que Silva, o goleador da campanha. Mas Fefeu não duraria na Gávea: desentendeu-se seriamente com Renganeschi após ficar de fora do jogo com o Botafogo e acabou negociado com o São Paulo após a virada do ano. Nelsinho agora teria caminho livre para se colocar como titular indiscutível. Mas a temporada de 1966 não seria feliz nem para ele, nem para o clube.
Nos três certames oficiais da temporada (Torneio Rio-São Paulo, Taça Guanabara e Campeonato Carioca), Nelsinho ficaria de fora do time titular em apenas oito das 33 partidas do Flamengo. Mas o desfecho do ano viria com a controvertida decisão do estadual contra o Bangu, jogo marcante também para o meia. Aos alvirrubros, líderes do certame, bastava o empate. Mas os rubro-negros ainda estavam invictos na competição e já haviam derrotado o adversário no primeiro turno por 2 a 1. Seria uma partida quente desde o pontapé inicial.
Renganeschi havia arriscado ao escalar o ponta Carlos Alberto, um dos jogadores mais habilidosos do Fla, sem estar fisicamente bem. E ficaria sem ele antes dos cinco minutos quando uma entrada violenta do lateral banguense Ari Clemente tirou de vez o atacante de ação. Depois seria a vez de Nelsinho ser atingido por volta dos 20 minutos e sofrer uma entorse no joelho direito que lhe deixaria mancando até o fim. Antes da metade do primeiro tempo, o Fla ficava com apenas nove jogadores em condições de jogo contra os 11 do Bangu.

Rapidamente, os alvirrubros se aproveitaram da vantagem numérica para marcar com Ocimar aos 23 e Aladim aos 26 – o primeiro gol, em falha do goleiro Valdomiro, também levantava suspeitas sobre o arqueiro, sobre quem pairavam acusações de ter se vendido. E no início da etapa final, viria o terceiro gol, marcado por Paulo Borges. E lá pela metade do segundo tempo, um tapa de Ladeira no lateral rubro-negro Paulo Henrique seria a gota d’água para Almir Pernambuquinho dar início à briga generalizada que poria fim à partida.
As dores persistentes após a entorse sofrida contra o Bangu levariam Nelsinho à mesa de cirurgia no fim de janeiro de 1967, tendo de operar os ligamentos do joelho direito. A recuperação seria lenta devido à atrofia muscular após a operação, e ele só voltaria a campo em 20 de maio, durante a excursão europeia do meio do ano, ficando fora de toda a (fraca) campanha no Torneio Roberto Gomes Pedrosa. Seria uma temporada complicada, marcada por problemas físicos num Flamengo em fase de transição e colhendo péssimos resultados.
Com muitos problemas, Nelsinho atuaria apenas 19 vezes naquele ano. No primeiro semestre, o veterano Américo Murolo (ex-Guarani, Palmeiras e com passagem pelo futebol italiano) foi trazido para preencher temporariamente a lacuna no meio-campo. A partir de meados da temporada, o Fla passaria a contar no setor com nomes que se firmariam mais adiante, na transição geracional, como o paraguaio Reyes, comprado do Atlético de Madrid, e o polivalente Rodrigues Neto, que despontava na base. Mas 1967 seria um ano ruim no clube.
Com 30 anos de idade completados em 8 de dezembro daquele ano, Nelsinho cada vez mais fazia parte do passado do Flamengo. Após aquela data, só entraria em campo mais duas vezes, já na temporada 1968, quando se retiraria de vez dos gramados, passando a auxiliar o técnico Modesto Bria nos juvenis. Enquanto isso, no início daquele mesmo ano, chegaria ao clube vindo do interior paulista o jogador que se tornaria o legítimo sucessor de Nelsinho no time, por ter o mesmo estilo de jogo: Liminha, logo apelidado o “Motorzinho da Gávea”.
O TREINADOR
Nelsinho se aposentava tendo feito 198 jogos e anotado 15 gols vestindo a camisa rubro-negra. Em 118 dessas partidas, formou dupla de meia-cancha com Carlinhos – que, por sua vez, jogaria sua última partida pelo Flamengo em novembro do ano seguinte, demarcando o fim de uma era. Depois do período como auxiliar de Bria nos juvenis do Flamengo, Nelsinho daria o pontapé inicial em sua carreira de treinador com uma volta às origens, convidado para comandar as categorias de base do Madureira. Era já o início da década de 1970.
O trabalho cresceria a cada ano e renderia frutos históricos: em 1973, o clube da Zona Norte, com investimento bem mais modesto que os gigantes, terminou em terceiro no estadual de juvenis. E no ano seguinte voaria ainda mais alto: emplacando uma sequência invicta de 13 jogos, venceria o segundo turno e enfrentaria o Fluminense numa decisão em melhor de quatro pontos – que foi resolvida em apenas dois jogos: o Tricolor Suburbano levou a taça após ganhar o primeiro por 1 a 0 no Maracanã e o segundo por 2 a 0 em São Januário.
Foi uma conquista histórica: era o primeiro título do clube na categoria – que seria rebatizada como “juniores” em 1980 – e a primeira vez desde 1939 que o caneco ficava com uma equipe de fora do grupo das seis principais da cidade. Entre os destaques revelados estavam o beque Vágner “Bacharel” (que teria passagens marcantes por Palmeiras, Botafogo e Guarani), o lateral-esquerdo Jorge Luís (que também defenderia o Alvinegro carioca) e o ponta-direita Caio (que faria o gol do título da Libertadores de 1983 para o Grêmio).
Os bons resultados nos juvenis alçaram Nelsinho ao posto de treinador também do time principal, conciliando os dois trabalhos. E os profissionais também teriam bom desempenho no Carioca de 1974: na Taça Guanabara venceriam o Flamengo de Zico (2 a 1) e empatariam com o Botafogo e o Fluminense (ambos por 1 a 1), sempre no Maracanã, além de arrancarem um 2 a 2 com o Vasco campeão brasileiro em São Januário. Nos outros turnos, ainda venceria o Flu no Maracanã (1 a 0) e empataria com o Botafogo em General Severiano (2 a 2).

Mesmo sem poder jogar nenhuma vez em Conselheiro Galvão (nem contra os pequenos), o time concluiria o Carioca na sétima colocação geral e revelaria o volante Ruço, vendido ao Corinthians no início do ano seguinte. Nelsinho seguiria no cargo por mais dois anos, até seu trabalho chamar a atenção dos dirigentes da Desportiva, que o contratariam para tentar reaver os canecos perdidos em 1975 e 1976 para os rivais Rio Branco e Vitória. A missão seria cumprida: no dia 5 de outubro, a Tiva venceria o Capa-Preta por 1 a 0 e levaria a taça de 1977.
Nelsinho ainda comandaria os grenás nos Brasileiros de 1977 e 1978, que vieram em sequência. E no primeiro o time faria bom papel, chegando via repescagem à terceira fase, na qual o número de participantes era reduzido de 62 a 24. O treinador voltaria ao Madureira em 1979, mas agora para um trabalho de menos repercussão, antes de, em novembro daquele ano, ser recrutado pelo Fluminense para comandar suas categorias de base. Porém, com a equipe principal em crise de comando, ele assumiria também esse cargo como interino.
Sua primeira passagem pelas Laranjeiras como treinador seria breve, logo passando o bastão para Zagallo, contratado em dezembro daquele ano. Nelsinho seguiria como auxiliar até ser chamado pela CBF em março de 1980 para integrar, também como assistente técnico, a comissão do recém-contratado Telê Santana. “As coisas na minha vida sempre acontecem naturalmente, por isso fui surpreendido pela indicação de Telê, já que não tenho contato com ele desde que jogávamos futebol e em questões sindicais”, comentou na época.
Em reconhecimento ao seu bom trabalho em categorias de base, a ele também caberia dirigir a seleção brasileira de novos que disputaria o famoso Torneio de Toulon, na França, em meados daquele ano. E voltaria com o primeiro título do Brasil na competição. O Brasil goleou a China por 8 a 0 na estreia, a seguir empatou com a Tchecoslováquia (1 a 1), mas depois derrotou a Holanda (2 a 0) e terminou em primeiro no seu grupo, avançando à final contra a seleção anfitriã. A decisão seria vencida por 2 a 1 na prorrogação, no dia 6 de junho.
A safra de talentos incluía, entre outros nomes, o goleiro Marolla (Santos), o lateral Édson Boaro (Ponte Preta), o zagueiro Mozer (Flamengo), os volantes Dudu (Vasco) e Cristóvão (Fluminense), os meias Mário Marques (Fluminense) e Jorginho Putinatti (Palmeiras), os ponteiros Robertinho (Fluminense) e João Paulo (Santos) e o centroavante Baltazar (Grêmio). Os atletas do Flu, ele logo reencontraria ao tomar uma decisão considerada ousada na época: a de abandonar a CBF para assumir o comando tricolor num momento difícil do clube.

Zagallo deixara o Fluminense no início de agosto com destino ao Vasco, levando ao rompimento de relações entre os clubes. Em Laranjeiras, já iam longe os tempos da Máquina Tricolor do biênio 1975/76. Desde então, o clube se acostumara a campanhas discretas, medianas, quando não vexatórias, como na Taça Guanabara de 1980, disputada à parte do Estadual e por apenas seis clubes, no meio do ano, logo após o Brasileiro: o Flu terminara na rabeira, com apenas três pontos ganhos em cinco jogos, empatado com o America.
Nelsinho recebia um elenco tido como fraco e, sobretudo, inexperiente, já que era preenchido com jovens da base. Se Edinho, o único remanescente das últimas conquistas, ainda era referência técnica e de liderança, os únicos reforços obtidos não empolgavam muito: o desconhecido meia Gilberto, do Atlético Goianiense, e o atacante Cláudio Adão, em baixa após ter sido humilhado no Botafogo, para onde havia ido no início daquele ano, emprestado pelo Flamengo. De resto, havia a garotada, uns mais experientes, outros menos.
O favorito destacado ao título era o Flamengo de Cláudio Coutinho, tricampeão carioca, e que em 1980 já havia vencido o Campeonato Brasileiro e a Taça Guanabara, além de ter se reforçado para o Estadual com o zagueiro Luís Pereira, comprado do Atlético de Madrid. Seu maior desafiante, dizia-se, era o Vasco de Zagallo, que contava com os gols de Roberto Dinamite e a experiência do já veterano Paulo Cézar Caju. Mas a surpresa já começou no primeiro turno: uma derrota para o Bangu em Moça Bonita (1 a 0) alijou o Fla da disputa.
“Chega um dia, é inevitável, você tem que partir para projetos novos”, disse Nelsinho à Placar ao chegar a Laranjeiras. “Além disso acredito nos garotos. Sei que o time anda meio desacreditado, mas a recuperação não será difícil. Vou competir palmo a palmo com qualquer um”, confiava. E o Fluminense começou a todo vapor, goleando o Botafogo por 4 a 0 na revanche de Cláudio Adão, que anotou uma tripleta, e levando o título do turno nos pênaltis em uma decisão extra contra o Vasco, na qual brilhou o jovem goleiro Paulo Goulart.
Na segunda etapa, o time poupou energias para a decisão, e o Vasco acabou conquistando o turno – o Flamengo de novo ficaria de fora devido a mais uma derrota para um pequeno, o Serrano em Petrópolis (1 a 0). Na final em jogo único, disputada em 30 de novembro, um gol de falta de Edinho a 13 minutos do fim daria a vitória por 1 a 0 e o título aos tricolores, cuja torcida desceu a rampa do Maracanã cantando a plenos pulmões: “Não tem Zagallo, não tem Coutinho, o campeão é o time do Nelsinho”. O reconhecimento havia chegado.

O anticlímax, no entanto, não demoraria a chegar: se antes do Brasileiro de 1981 muitos jogadores haviam tido seus contratos renovados por valores altíssimos, em campo os resultados irregulares evidenciavam a fragilidade do elenco, e o Flu cairia nas oitavas de final diante do Vasco. A seguir, a campanha na Taça Guanabara de 1981 seria ainda mais preocupante. No início de agosto, com seu compromisso com o clube perto do fim, Nelsinho pediu o boné e aceitou proposta irrecusável do ponto de vista financeiro para trabalhar no Catar.
Naquele momento, aliás, ele esteve perto de voltar ao Flamengo, que havia acabado de demitir o técnico Dino Sani. Autorizados pela diretoria tricolor, os rubro-negros procuraram o treinador e fizeram uma proposta, que acabou recusada após alguns dias – era difícil competir com os valores desproporcionais oferecidos pelos cataris. Com o “não” de Nelsinho, o clube da Gávea decidiu efetivar seu ex-jogador Paulo César Carpegiani no cargo o qual vinha exercendo interinamente. E partiria para levantar todos os títulos naquele fim de ano.
Nelsinho passaria várias temporadas no Oriente Médio, trabalhando como treinador também nos Emirados Árabes, onde levantaria o título de 1984 com o Al-Ain. Pouco antes, no início de 1983, quando a CBF procurava um sucessor para Telê Santana à frente da seleção, seu nome aparecia em segundo na lista da entidade, logo atrás de Carlos Alberto Parreira, que acabou escolhido. Sua volta ao Brasil aconteceria em 1985, novamente em “missão-resgate” no Fluminense, embora em circunstâncias mais favoráveis do que na primeira passagem.
Eliminado precocemente no Brasileirão, o time não vinha exibindo naquele ano nem sombra do futebol competitivo e eficiente que o levara ao título nacional e ao bicampeonato estadual no ano anterior. Agravando o problema, houve ainda a curta e turbulenta passagem do argentino Omar Pastoriza pelo comando da equipe, contratado no fim de maio em substituição a Roberto Pinto e que permaneceu apenas 33 dias e um amistoso no cargo antes de sair acusando os dirigentes. No início de julho, o Tricolor recorria outra vez a Nelsinho.
De saída, não houve como salvar a fraquíssima participação do clube na Libertadores, sem vencer nenhum jogo e balançando as redes em apenas um deles. Mas a campanha no Estadual, iniciada em setembro, foi se revelando sólida, e o título da Taça Guanabara veio de maneira invicta e sem sustos, apesar das frequentes baixas de alguns nomes, Assis em especial. Na Taça Rio, assim como em 1980, o time poupou energias, embora não chegasse a ficar muito atrás dos ponteiros. E então viria o triangular decisivo contra Flamengo e Bangu.

No primeiro jogo, Fla-Flu, os tricolores saíram na frente com Washington, mas cederam o empate em 1 a 1 com gol de Leandro no último minuto. Depois o Bangu tirou os rubro-negros da disputa vencendo por 2 a 1 na segunda partida. Na decisão, em 18 de dezembro, os alvirrubros também sairiam na frente com gol de Marinho. No intervalo, em desvantagem no placar, Nelsinho pediu a seus jogadores para trocarem o improdutivo jogo de cruzamentos na área pelo de bola no chão e toques envolventes. E ele levaria a equipe à virada.
Um gol de Romerito, em jogada trabalhada, e outro de Paulinho cobrando falta dariam a vitória por 2 a 1 e o tri estadual ao Fluminense. Nelsinho ficaria para tentar o tetra em 1986, mas sairia no fim de julho daquele ano, sem conquistá-lo. Desgastado com a roda viva da carreira de técnico, ele se retiraria para cuidar da família e do posto de combustível do qual se tornara proprietário em Realengo, Zona Oeste do Rio. Até ser chamado pela CBF para retornar ao cargo de auxiliar da seleção, agora sob comando de Sebastião Lazaroni.
O novo técnico da seleção era seu admirador declarado por saber conciliar lições do campo com estudo do jogo, como elogiou à Placar em 1985: “Além de ter sido um ex-jogador extraordinário, Nelsinho teve a preocupação de aprender também na faculdade”, comentou. “Ele conhece tática como poucos e sabe exatamente que tipo de treinamento deve ser ministrado diante da realidade atual”. Mas além disso, sua habilidade no trato com os atletas seria crucial para o Vasco chamá-lo em agosto de 1989 com a missão de reabilitar seu time.
Os cruzmaltinos haviam levantado o bi estadual com Lazaroni em 1987 e 1988. Quando o técnico saiu para o futebol árabe, antes de chegar à seleção, o ex-meia Zanata assumiu o posto. Com ele, o Vasco fez campanha avassaladora na fase de classificação do Brasileiro de 1988, mas sucumbiu ao Fluminense nas quartas de final. A ressaca dessa eliminação foi sentida no Estadual de 1989, no qual, sob o comando de Sérgio Cosme, o Vasco não passou nem perto de brigar pelo título de um dos turnos, além de cair na Copa do Brasil para o Vitória.
Com os cofres cheios pelas recentes vendas de Romário e Geovani ao futebol europeu, o Vasco foi às compras e trouxe um pacote que incluía veteranos, promessas e jogadores no auge, tendo em Bebeto, tirado do rival Flamengo, a contratação de mais impacto – a ponto de aceitar ceder por empréstimo o velho ídolo Roberto Dinamite para a Portuguesa. Mas nem por isso o trabalho de Nelsinho foi facilitado. O time estreou bem, vencendo o Cruzeiro no Mineirão por 1 a 0, mas hesitou em alguns momentos ao longo do primeiro turno.
No começo do returno, a derrota por 2 a 0 no clássico com o Flamengo levaria a uma correção de rota: Nelsinho barrou alguns medalhões, apostou em nomes pouco badalados, e o time encaixou na reta final, classificando-se à final como a melhor campanha não só de seu grupo como de todo o campeonato. Esse dado valeria uma vantagem na final, pelo regulamento: aos cruzmaltinos era concedida a escolha sobre o mando do primeiro jogo contra o São Paulo. E caso este fosse fora de casa e o Vasco vencesse, já era campeão direto, sem a volta.

No Morumbi, em 16 de dezembro, Nelsinho armou o Vasco com um quarteto no meio-campo, trazendo Zé do Carmo à frente da zaga, os versáteis William e Marco Antônio Boiadeiro marcando e apoiando e o talento de Bismarck mais à frente, com Bebeto e Sorato circulando pelo ataque, sem referência de área. O time apertou os donos da casa na primeira metade da etapa inicial, antes de os tricolores tomarem o controle. Mas no começo do segundo tempo, numa escapada de Luís Carlos Winck, Sorato cabeceou para as redes: 1 a 0.
Depois foi só contar com os milagres de Acácio sob as traves e comemorar a conquista dentro do estádio do adversário. A SeleVasco enfim justificava seu apelido. Nelsinho sairia logo em seguida para se incorporar de vez à comissão técnica da seleção para a Copa de 1990. Mas voltaria dentro de dois anos, montando outro timaço: lançou o garoto Edmundo, revelação da base; recuperou o futebol de Bebeto e Bismarck, que haviam feito um 1991 apagado; e fez um excelente Brasileiro, caindo na fase semifinal para o Flamengo do amigo Carlinhos.
OS ÚLTIMOS TRABALHOS
Uma proposta da seleção da Arábia Saudita tiraria Nelsinho de São Januário logo após o Brasileiro. Naquele segundo semestre de 1992, o treinador levaria a seleção às decisões da Copa do Rei Fahd (torneio antecessor da Copa das Confederações) e da Copa da Ásia. Na primeira, em sua edição inaugural realizada em Riad, os sauditas venceram os Estados Unidos por um enfático 3 a 0 antes de serem derrotados pela Argentina por 3 a 1 na final. Já na segunda, disputada no Japão, a seleção foi vencida na decisão pelos anfitriões por 1 a 0.
Após a virada do ano, Nelsinho retornaria ao Brasil e enfim trabalharia no Flamengo, mas não no cargo de treinador e sim como coordenador técnico, em parceria com o velho amigo Carlinhos. A experiência, porém, teria vida curta: ele chegaria no início de fevereiro e sairia cerca de um mês depois, juntamente com o treinador. Em abril, seria convidado a dirigir o Palmeiras, que demitira Otacílio Gonçalves. Era o preferido da Parmalat, de dirigentes e de jogadores, mas declinou por motivo de saúde. Vanderlei Luxemburgo pegaria o lugar.
Ainda naquele ano, entre o fim de junho e meados de outubro, ele vivenciaria sua quarta e última passagem pelo Fluminense. Porém, embora tivesse chegado à decisão do Estadual pouco tempo antes, a equipe tricolor era bastante frágil e fez campanha fraca no Torneio Rio-São Paulo e muito ruim no Brasileirão. Dois anos depois, seria a vez de sua última passagem pelos profissionais do Vasco, ao comandar o time na primeira fase do Estadual e nas rodadas iniciais do octogonal, até o 0 a 0 com o America em São Januário no dia 19 de abril.

Além de representar mais uma volta às origens, seu último trabalho como técnico seria marcante: Nelsinho levaria o Madureira ao vice-campeonato da Taça Cidade Maravilhosa, competição que precedeu o Estadual em 1996, nos mesmos moldes das primeiras edições da Taça Guanabara. O Tricolor Suburbano arrancou empates com a dupla Fla-Flu, venceu Vasco, America, Bangu e Olaria e só foi batido pelo campeão Botafogo. No time, nomes rodados como o goleiro Acácio, o zagueiro Marçal, o lateral Josicler, o meia Bonamigo e o atacante Gílson.
Depois disso, Nelsinho passaria longos anos afastado do futebol, até retornar em 2002, de novo no Madureira, na função de coordenador de futebol. Ocuparia o mesmo cargo nas categorias de base do Vasco mais tarde naquela década. E em 2012, outra vez em Conselheiro Galvão, até que um AVC sofrido no ano seguinte fragilizaria sensivelmente sua saúde, forçando sua aposentadoria definitiva dos gramados aos 75 anos. Mas não o impediu, no entanto, de frequentar regularmente o clube enquanto pôde. Afinal, nunca deixou de ser sua casa.



