Brasil

O adeus a André Catimba, uma das maiores lendas do Vitória e imortal símbolo do Grêmio

Um dos grandes centroavantes do futebol brasileiro nos anos 1970, André Catimba faleceu aos 74 anos

Há títulos mais importantes na história do Grêmio. No entanto, é difícil apontar um gol mais transformador para o clube do que o anotado em 25 de setembro de 1977, na decisão do Campeonato Gaúcho. André Catimba mandou a bola no alto da meta colorada para encerrar os anos de jejum e zombaria, assim como para iniciar uma era vitoriosa que se desenrolaria além de sua presença no ataque. A carreira do ídolo tricolor não se contém ao gol famoso, lembrado como um dos maiores centroavantes que passaram pelo Olímpico. E também não se restringe a Porto Alegre, já que o baiano antes disso tinha se consagrado pelo Vitória. Protagonizou um período célebre dos rubro-negros e ainda hoje é exaltado como uma das maiores lendas do Leão da Barra. É a lembrança grandiosa que fica de André, no dia em que o ex-atacante se despede. Aos 74 anos, o artilheiro faleceu, vítima de complicações após uma operação na laringe.

André nasceu em 30 de outubro de 1946, na cidade de Salvador, e por lá começou a bater seus babas. O garoto era o único menino entre cinco irmãs. Se de um lado precisava fugir com a bola para não apanhar em casa, diante da insistência para que estudasse, do outro os pais o ensinavam a lutar sempre com bravura em qualquer aspecto da vida. E esse espírito aguerrido André levou para o futebol. O matador despontou um bocado tarde, aos 20 anos, depois de ser descoberto por um diretor do Ypiranga. E teve que driblar o jogo duro da família para assinar seu primeiro contrato com o tradicional clube.

“O cara que me viu jogar, um senhor chamado Paulinho, foi lá em casa pedir autorização à minha mãe, dizer que ia pagar minha escola e ainda me dar um dinheiro, pois minha família num aceitava que ninguém jogasse bola, não. Futebol aqui, naquela época, só pra moleque ou capitão de areia…”, contou André, em 2013, durante entrevista para Franciel Cruz no saudoso Impedimento. E se o futebol virou seu caminho, o centroavante também levou para o campo as habilidades praticadas durante a adolescência na capoeira e no caratê.

Depois de alguns meses no Ypiranga, André se transferiu ao Galícia, que atravessava um período bastante relevante no fim dos anos 1960. Porém, foi com a camisa do Vitória a partir de 1971 que o artilheiro realmente começou a escrever seu nome na história.

André fez parte de uma das equipes mais célebres da história do Vitória. Os rubro-negros davam show por sua qualidade ofensiva e o centroavante não titubeava diante dos goleiros adversários. Tinha sorte de contar com a companhia de Mário Sérgio e Osni, num dos maiores times já montados pelo Leão. E a conquista do Campeonato Baiano de 1972, sob as ordens do técnico Paulinho de Almeida, possui um lugar especial na sala de troféus. Na decisão contra o rival Bahia, o Vitória precisava ganhar os dois jogos da finalíssima para não deixar o título escapar. Conseguiu o triunfo duplo, com direito a um golaço de André para abrir o placar e também a um pênalti sofrido pelo centroavante na partida que selou o feito.

“Naquela época a gente jogava por amor e por garra mesmo, por vontade, porque dinheiro a gente não ganhava o tanto que se ganha hoje”, declararia André, ao Globo Esporte, sobre aquele time de 1972. “Era um grupo de jogadores que, dentro de campo, no trabalho e no treinamento, se esforçava. Naquela época, ninguém queria perder posição, a gente queria estar dentro de campo jogando. Osni era o ponta direita que cruzava para mim cabecear e fazer o gol. Mário Sérgio era o ponta esquerda que olhava para a direita e me lançava na esquerda, eu ia lá e fazia o gol. Bastava olhar um para o outro. Não tinha esse negócio de gritar, bastava olhar que a gente já sabia o que ia acontecer mais ou menos na jogada”.

Naquele momento, o Vitória também acumulava boas participações no Campeonato Brasileiro. Nas três primeiras aparições rubro-negras a partir de 1971, em duas o clube se meteu entre os dez melhores do país. André era um figura de destaque entre os baianos, deixando sua marca em outros tantos estádios. Em 1974, quando o Leão da Barra chegou a perseguir o futuro campeão Vasco por uma vaga no quadrangular final, o centroavante também apareceu entre os primeiros na lista de artilheiros. O empate com os cruzmaltinos na Fonte Nova, aliás, até hoje é reclamado pelos rubro-negros pela maneira como a arbitragem conduziu o jogo.

E não era apenas pelos gols ou pelas campanhas memoráveis que André ganhou a torcida do Vitória. O centroavante era daqueles que davam sangue pelo time. Não fugia da pancada dos zagueiros e costumava responder, mesmo sem ser tão grandalhão quanto muitos oponentes. Provocava para tirar os adversários do sério e partia para cima sempre. “Rapaz, eu nunca fui de sair dando o primeiro cacete em ninguém, não. Porém, sempre que levei, parti para o revide”, diria André, também ao Impedimento. “Os beques chegavam junto e eu nunca fui de pipocar. Num tinha este negócio de ficar pulando toda hora, cavando falta como agora, não. Aliás, quem pipocava era repreendido pelos próprios companheiros. Naquele tempo era pau puro”.

Os embates de André com Roberto Rebouças, um dos maiores símbolos do Bahia, eram memoráveis – não só pela bola, mas também pelas pancadarias. De qualquer maneira, as confusões não diminuíam o enorme faro de gol do matador, sua explosão nas arrancadas, seu oportunismo e também sua boa dose de habilidade. Assim, André chegou a ser convocado por Zagallo para um amistoso da Seleção em 1973, sua única oportunidade na equipe nacional. Já em Salvador a marca é mais profunda e ele permanece até hoje lembrado como um dos maiores atacantes que já passaram pelo Leão. Em 2011, com ampla vantagem, o centroavante foi eleito para o “time dos sonhos” do Vitória pelo jornal Correio. Com 90 gols, ocupa o posto de quarto maior artilheiro da história do clube.

A passagem de André Catimba pelo Vitória durou cinco temporadas, quando as críticas de um dirigente sobre sua “falta de compromisso” o levaram a buscar uma proposta de fora. No início de 1976, o atacante se tornou reforço no Guarani, que passava a dar sinais de sua ascensão tanto no Brasileiro quanto no Paulista. O baiano enfrentou certa resistência de começo, sobretudo após uma expulsão contra o Corinthians, em que acertou uma cotovelada no zagueiro Darci. Tratado como “bandido” pela imprensa, contudo, André respondeu com gols. Foi o artilheiro do Bugre que ganhou o primeiro turno do Paulistão ainda em 1976 e também contribuiu com 11 tentos na equipe que terminou na décima colocação do Brasileiro.

“Cheguei meio marginalizado. Meio, não, bastante. Estava mesmo por baixo. E ainda por cima aconteceram aquelas expulsões logo nos primeiros jogos pelo Guarani e a própria imprensa começou a tomar posição contra mim. Então, eu tive de lutar muito para provar que não sou moleque. Afinal, sou casado, pai de três filhos”, comentaria André, à revista Placar. No início de 1977, a contratação de Campos para o ataque e a arrastada renovação de seu vínculo custaram um pouco do espaço ao centroavante. Ainda assim, André permaneceu com moral pela boa temporada anterior e era um dos ídolos da torcida, conquistando também os campineiros por sua valentia.

Diante dos muitos gols, André recebeu propostas de Corinthians e Palmeiras no início de 1977, mas preferiu continuar no Brinco de Ouro. Em junho, no entanto, a diretoria bugrina se encheu com as expulsões e os episódios de indisciplina do matador. Aceitou uma oferta do Grêmio e o centroavante se mudou a Porto Alegre com os estaduais em andamento. Em Campinas, os torcedores do Guarani realizaram protestos contra o negócio. Já os gremistas receberam de braços abertos a nova contratação. Mal sabiam que, em apenas três meses, o baiano faria história no Olímpico.

Na época, o Grêmio era dirigido por Telê Santana. E foi durante uma conversa com o veterano zagueiro Oberdan que veio a ideia de contratar André, conforme o livro ‘A história do maior Campeonato Gaúcho de todos os tempos’, de Daniel Sperb Rubin. Segundo relato do Zero Hora na época, ao ver o vídeo antigo de um gol do atacante pelo Vitória, Oberdan comentou: “Esse aí joga muito, é um grande centroavante. Ele é uma praga para a defesa, por causa de sua insistência em marcar gols e não deixar se amedrontar por jogo duro”. Telê respondeu dizendo: “É ele quem eu gostaria de ter no meu time”. Dois meses depois daquele episódio, a diretoria cumpriu o desejo.

Durante a chegada do atacante, a Folha da Manhã dimensionava bem o peso do negócio: “André, um goleador para resolver os problemas do Grêmio”. O Grêmio já estava em plena disputa do Campeonato Gaúcho e tinha a árdua missão de impedir o nono título consecutivo de um fortíssimo Internacional. Os tricolores também contavam com seus destaques, a exemplo de Eurico, Ancheta, Oberdan, Tadeu Ricci e Iúra. André, ainda assim, era a peça que faltava aos gremistas, considerando o fim da carreira do veteraníssimo Alcindo. O baiano tornou-se o centroavante perfeito, de muita movimentação, para complementar o explosivo trio de ataque ao lado de Tarciso e Éder Aleixo nas pontas. “Preciso ser campeão aqui pelo Grêmio. Sei que o time não é campeão há oito anos, mas venho para fazer força e conseguir esse título”, diria o atleta de 30 anos, em seu desembarque.

A estreia de André aconteceu em 15 de junho de 1977, dois dias depois de sua chegada, num amistoso contra o Flamengo. O artilheiro marcou seu primeiro gol, no empate por 1 a 1. E o baiano também deixaria sua marca na estreia pelo Gauchão, contra o Esportivo, no duelo que abriu o decagonal final. Logo seu estilo brigador ficaria conhecido e rendeu o apelido que marcou sua carreira: Catimba. Durante a vitória por 2 a 1 em seu primeiro Gre-Nal, o atacante conduziu a bola repetidamente rumo à linha de fundo para prender o jogo e gastar o tempo, sem se intimidar com as pancadas dos colorados. O narrador Haroldo de Souza, na Rádio Gaúcha, começou a falar sobre “a catimba de André”. O apelido pegou tanto que virou quase um sobrenome.

Apesar dos primeiros gols, André Catimba encarou uma seca em seu início no Grêmio. Ficou oito partidas sem marcar e, nos 15 compromissos seguintes depois de sua estreia no Gauchão, só assinalou mais dois gols. O centroavante, ainda assim, ganhou o apreço da torcida por oferecer bem mais do que bolas nas redes. Ele também contribuía com assistências e abria espaço às infiltrações dos companheiros. E se havia certa cobrança pelos tentos, André logo responderia com a imortalidade entre os tricolores. Ela viria em 25 de setembro de 1977, no duelo final contra o Internacional que definiria o campeão estadual.

Dentro do Olímpico, a vitória do Grêmio por 1 a 0 seria garantida aos 42 do primeiro tempo. O lendário Tarciso tinha perdido um pênalti pouco antes, até André se transformar no herói da enorme conquista tricolor. A partir de uma enfiada de bola dada por Iúra, o centroavante se meteu nas costas da zaga e ficou de frente com o goleiro Benítez. Então, mandou um tiro certeiro que morreu no ângulo colorado. Era o gol que botava fim à supremacia do Inter no Rio Grande do Sul. Era o gol que, mais do que encerrar o jejum gremista no estadual, serviu de marco ao clube que decolaria para buscar todos os troféus possíveis a partir dos anos 1980.

E tão lembrado quanto o gol de André é a sua comemoração. Desde os tempos de Vitória, Catimba costumava dar um salto mortal para celebrar seus tentos. Num jogo daquela dimensão, o artilheiro preparou a maior acrobacia de sua vida e deu um pulo enorme. Porém, quando saiu do chão, sentiu uma grande dor na virilha. O problema já vinha o incomodando desde um treino às vésperas da final e quase o tirou do jogo. Em meio à euforia, ele até se esqueceu do risco. A distensão piorou de vez com o salto e ele sequer conseguiu completar o movimento. Estatelou-se de cara no chão e se machucou em vários pontos do corpo. Acabou substituído pelo eterno Alcindo e precisou ver de fora os companheiros consumarem o triunfo histórico por 1 a 0.

“Quando recebi a bola, toquei e decidi bater logo de primeira. A partir daí, foi um turbilhão. Fiquei louco. Num pensei em mais nada. Só queria voar”, contaria, ao Impedimento. “Queria extravasar muito. Fazer um salto mortal, mas quando cheguei na altura da trave, senti uma dor na coxa, na virilha e me lasquei todo. A mão, quando aperto no lugar, dói até hoje. Mas, valeu a pena. O Internacional era octacampeão, buscava o enea, mas você sabia que ENEA passou a significar ‘Eles Nunca Esquecerão André’? E não esqueceram mesmo, pois sempre sou homenageado lá e tenho um carinho muito especial pela torcida gremista e pelo povo gaúcho”.

Durante a festa nos vestiários, André recebeu a visita de um ilustre amigo, que conhecera num bloco de carnaval em Salvador: Gilberto Gil. Ainda nos tempos de Vitória, o centroavante havia infligido uma das maiores decepções ao músico, torcedor do Bahia, que acabara de voltar do exílio na final do estadual de 1972. Desta vez, em compensação, Gil mudou de Tricolor e pôde celebrar junto com o herói gremista. Segundo o Zero Hora, o cantor deu um abraço emocionado em André no vestiário. “Já estava na hora do Grêmio ganhar, não é mesmo? Agora, tomara que vença dez anos seguidos. Viva o Grêmio!”, gritava o astro, abraçando o Catimba.

A conquista do Campeonato Gaúcho de 1977 marca a passagem de André Catimba pelo Grêmio, mas sua história pelo Tricolor não se resume àquele tento famoso. Afinal, era apenas o quinto de seus 65 gols pelo clube. O centroavante balançou as redes nove vezes no Brasileirão de 1977, quando o Tricolor perdeu a vaga na semifinal para o futuro campeão São Paulo. Já no Brasileiro de 1978, o baiano anotou mais 14 gols, com o Grêmio ficando pelo caminho nas quartas de final, diante do Vasco.

Na época, até a fama de indisciplinado ficava para trás. Como declarou André em entrevista a Divino Fonseca, da Placar, em outubro de 1978: “Centroavante está ali para apanhar. Mais vale um covarde vivo do que um valente morto. No início da carreira, eu tentava revidar. Mas depois percebi que é perigoso: se o atacante acerta no beque, quebra mesmo. Aí, deixei pra lá, porque é duro carregar na consciência a culpa de ter inutilizado um pai de família. Tenho mais é que apanhar”. Mostrava as cicatrizes e ainda brincava sobre sua satisfação em ver os zagueiros expulsos após suas provocações: “Catimba é do jogo, é a minha arma. Os beques usam a violência, eu uso essa arma. Mas a minha é legal, a deles não é”. A malandragem era tamanha que, durante um Gre-Nal, o goleiro Benítez pediu para que parasse com a catimba pois “futebol é um jogo de cavalheiros”. André deu um sorriso maroto e, no fim das contas, o colorado saiu goleado.

Na mesma entrevista à Placar, Catimba se gabava de sua forma: “Sabe, tem uma coisa que não entendo. Vejo uns meninos aí que dormem cedo, fazem toda a física, não fumam, não bebem e terminam o jogo com um palmo de língua para fora. Eu mato a física, fumo, bebo meu vinhozinho, faço tudo o mais, né, e saio inteirinho do jogo. Não dá para entender. Por isso, fico bravo quando me chamam de velho. Mesmo na brincadeira”. E dava destaque aos seus ótimos números no Grêmio: “Não sei quem é que disse que aqui no Rio Grande é fácil marcar gols por existirem só dois grandes. Ora, o futebol gaúcho é o mais retrancado do Brasil, é onde os beques mais dão pau. Então, olhando para estas cicatrizes, você tem que dar valor para a colocação do André Catimba na tabela dos artilheiros”.

O Grêmio não consumou o bicampeonato estadual em 1978, mas o sinal de que os tempos eram outros veio com a reconquista em 1979. O centroavante de novo teria um papel decisivo, com 15 gols – incluindo um golaço de bicicleta contra o Esportivo, considerado por muitos como o mais bonito da história do Olímpico. Contudo, às vésperas de completar 32 anos, André Catimba já não vivia seu momento mais inspirado no Olímpico. A ascensão do garoto Baltazar, mais utilizado pelo técnico Orlando Fantoni, levou o baiano a procurar novos rumos ainda naquele ano. Deixaria os gremistas com 133 partidas disputadas e uma importância imensurável.

André Catimba saiu do Grêmio para atuar exatamente pelo Bahia, grande rival do Vitória. Permaneceu poucos meses e rescindiu seu contrato, se arrependendo depois da transferência. Na sequência, o centroavante teve sua única experiência no exterior, em 1980. Acertou com o Argentinos Juniors, onde teve a honra de dividir os vestiários com um jovem talento chamado Diego Armando Maradona. “Eu via aquele molequezinho com a bola fazendo a maior palhaçada. Quem era? Maradona. Eu nunca me esqueço que ele pegava a bola, saía driblando todo mundo, até o goleiro ele driblava, e depois só empurrava pra dentro do gol”, relembraria André, ao Globo Esporte. “Era um cara muito alegre, muito farrista também. Não podia ver uma saia curta, era piriguetão mesmo”.

Em seus seis meses na Argentina, todavia, André Catimba não disputou jogos oficiais. Lidou com racismo da torcida e da sociedade local como um todo. Era chamado de “macaco” e ouvia que “passava fome”. Conforme contou ao jornalista Guilherme Padin, do R7: “O racismo era forte naquela época. Mas nunca levei desaforo para casa. Respondia para eles: ‘Quem passa fome são vocês. Na minha terra tem mais comida do que aqui.’ Enfrentei o racismo como jogador e como homem, pois sofria com isso não só nas ruas, como também nos restaurantes. Por isso, voltei para o Brasil. Não sabia que seria assim”. Ainda relataria: “Quando sofria com o racismo, Maradona brigava junto, mas muitas vezes tinha que resolver depois dos jogos. Ele não queria ser expulso. Mas também não era só no futebol. O racismo estava em todos lugares”.

De volta ao Brasil, André Catimba rodou bastante nos últimos anos de sua carreira. Defendeu Pinheiros-PR, Náutico, Comercial-SP, Ypiranga, Fast Club. Pendurou as chuteiras quando tinha quase 40 anos, tentando a sorte depois como treinador. Dirigiu a base do Ypiranga e teve curtos períodos à frente do Vitória. Curtos, mas vitoriosos, para gravar um pouco mais seu nome no Leão da Barra. André dirigia a equipe que faturou o Campeonato Baiano de 1989 e ainda salvou os rubro-negros do rebaixamento no Brasileirão daquele ano. No entanto, os problemas com dirigentes fizeram com que o ex-atacante largasse a prancheta logo.

Longe do futebol, André Catimba trabalhou como taxista e atuou em outras profissões. Vivia em Salvador, podendo aproveitar a boemia sem as restrições dos tempos de jogador e ainda sendo idolatrado pelos torcedores do Vitória. As homenagens tantos anos depois de sua aposentadoria, aliás, emocionavam o goleador. Seguiu adorado entre os rubro-negros, enquanto os gremistas o veneravam como uma espécie de salvador que abriu as portas aos maiores voos do clube. E assim André desfrutava.

“Ser homenageado em sua própria terra é algo muito especial, pois nunca baixei a cabeça para ninguém, criei meus filhos com dignidade. Não ganhei dinheiro no futebol, mas ganhei amizade”, contaria ao Impedimento, ao receber um tributo no CineFoot de 2013. Ainda diria ao Globo Esporte, ao ser questionado se sua carreira tinha valido a pena: “Se fosse possível, começaria tudo outra vez. E, desta vez, daria mais risada ainda”. E se não pôde viver o futebol outra vez, André Catimba permanecerá no coração de milhões de torcedores muito além da vida.

*****

Além dos textos e entrevistas citados no artigo, outras leituras complementares são o perfil de André no ótimo Tardes de Pacaembu e também sua biografia no obrigatório Museu da Pelada.

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo