Brasil

Nove jogos, -41 de saldo e só um gol feito: o vexame do Blumenau na segundona de SC

O Íbis será eternamente lembrado como pior time do Brasil. A fama que os pernambucanos construíram foi merecida. No entanto, muitos já herdaram o seu trono. E, atualmente, quem se acomodou no posto nada honroso é o Blumenau. Ao fim do primeiro turno da segunda divisão catarinense, oito dos dez times terminaram com saldo de gols positivo, e outro com saldo zero. Tudo graças ao Tricolor da Alameda. Os blumenauenses fecharam as nove primeiras rodadas com o vexatório saldo de -41. Sofreram nove derrotas e, pior, estão com pontuação negativa por causa da escalação de atletas irregulares. Em meio a uma montanha de problemas, acabaram desistindo do segundo turno da competição.

VEJA TAMBÉM: Sul América, o clube que foi rebaixado para lugar nenhum

O resultado mais digno do Blumenau foi o 2 a 0 para o Brusque, fora de casa. No mais, apenas derrotas por três gols ou mais. Na única vez em que os tricolores conseguiram balançar as redes, tomaram de 8 a 1 para o Hercílio Luz dentro de casa. Mas nada supera a surra que levaram do Juventus de Seara: 9 a 0 para os atuais campeões da terceirona, na sétima rodada. Depois disso, por conta de uma dívida de R$ 1,5 mil com a federação, o BEC sequer compareceu para as suas duas últimas partidas, perdendo ambas por WO. Entre os nomes mais conhecidos do elenco, estão os atacantes Negreiros (ex-Flamengo) e Diego Viana (ex-Portuguesa).

Obviamente, não é apenas a “ruindade” que explica o fracasso do Blumenau. A crise estourou dois dias antes da estreia na segundona. O técnico Muller deixou a cidade, ao mesmo tempo em que a parceira com a empresa que cederia os jogadores se rompeu. Sem o número suficiente de atletas inscritos na federação, o BEC chegou a jogar sem banco de reservas, enquanto também utilizou jogadores de forma irregular. Como se não bastasse, houve uma mudança na presidência no meio da competição. E, com delicados problemas financeiros, os tricolores foram suspensos preventivamente pelo Tribunal de Justiça Desportiva de Santa Catarina, enquanto não quitassem o seu débito com a federação.

Em nota oficial, o Blumenau explicou sua situação: “Torcedor, nos perdoe. Amamos o BEC, e nada saiu como planejado. O atual presidente Wanderlei Laureth, que assumiu depois de uma série de problemas ocorridos extracampo, deu o seu melhor, mas não conseguiu reverter a precária situação em que o clube se encontrava. Agora teremos um bom tempo pela frente para pormos as coisas em ordem. Apenas lembrem-se que o BEC já passou por muitas coisas ruins, e deu a volta por cima. Dessa vez não será diferente. O trabalho recomeçou e continuará, desta vez de forma séria e organizada. É um compromisso. Até breve…”.

A questão a partir de agora não é nem mesmo a queda para a terceira divisão, já consumada. O Blumenau deverá correr para colocar ordem na casa e evitar outra falência. O clube original desapareceu em 1998, e fechou as portas em uma fugaz tentativa de se reconstituir, em 2003. Já o atual projeto se iniciou em 2013, logo conquistando o acesso na terceirona. Entretanto, os problemas internos se acumulam. Mais uma vez, será preciso começar do zero e se reerguer, contando com o apoio de uma cidade de médio porte e uma torcida carente por bom futebol.

blum

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo