Brasil

No jogo sonolento da Seleção, Coutinho e a movimentação do time valeram alguma atenção

Para quem queria ver um bom jogo de futebol, se frustrou. Brasil e México fizeram um amistoso arrastado no Allianz Parque, com vitória da Seleção por 2 a 0. Bastou aos brasileiros abrirem dois gols de vantagem no primeiro tempo para que a equipe se acomodasse com a vantagem e forçasse pouco o quadro misto mexicano, que jogará a Copa América. Poucos foram os pontos positivos de uma atuação sem muita vontade. E, dentre os poucos que fizeram os torcedores ficarem um pouco mais acordados, Philippe Coutinho é quem merece mais destaque. Afinal, é um nome que pede passagem entre os titulares, especialmente pelo momento que vive com o Liverpool.

Na ausência de Neymar, Fred apareceu entre os titulares no meio-campo, enquanto Diego Tardelli comandou o ataque na vaga de Roberto Firmino. A mobilidade dos jogadores de frente, em especial Coutinho e Willian, ajudava o Brasil abrir espaços. Mas não que criasse tanto para isso. Retraído na marcação, a equipe esperava mais em seu campo de defesa, e rodava a bola no ataque. Ameaças, apenas em bolas paradas, enquanto o México não conseguia nem isso. Não à toa, as vaias começaram a ser ouvidas nas arquibancadas.

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A vitória acabou construída nos 20 minutos finais do primeiro tempo, em duas boas jogadas pelo lado esquerdo, entre o coletivo e o individual. Aos 27, Elias lançou Filipe Luís, que passou a Philippe Coutinho. Então, o camisa 21 apresentou o seu talento ao dar lindo drible no marcador e perceber a antecipação do goleiro Corona, chutando no canto que o veterano deixou aberto para tentar segurar o cruzamento. Um belo gol, de inteligência e talento. Já aos 36, Elias fez o lance individual, passando por Rafa Márquez e dando um enorme presente para Diego Tardelli estufar as redes, quase na pequena área. Dois ótimos lances, que pareceram o suficiente para a Seleção.

No segundo tempo, o jogo morreu. Pouca agressividade de ambos os lados, com as defesas se dando melhor. O Brasil não criava tanto para abrir brechas na resguardada defesa do México, assim como tinha pouquíssimos problemas com o ataque adversário. Nem as mudanças deram novo gás ao time, com as entradas de Firmino, Éverton Ribeiro, Casemiro e Felipe Anderson. A Seleção tocava a bola com conforto, sob os gritos de olé, ainda que nem de longe merecesse tanto pelos 45 minutos em que não criaram nada.

Se o jogo não animou quem viu na televisão, empolgou menos ainda quem esteve no estádio e desembolsou R$ 195 pelo ingresso médio – em uma arrecadação que bateu a casa dos R$ 6,7 milhões, com 34 mil pagantes. Valeu mais para, quem não conhecia, fazer uma visita ao Allianz Parque ou prestar atenção no que acontecia do lado de fora do campo. No gramado, poucos momentos valeram mesmo a atenção.

Para aquilo que se propõe, o trabalho de Dunga é impecável. Nove vitórias em nove jogos, batendo adversários do porte de França, Argentina, Colômbia e Chile. Só que o futebol de resultados, de um time muitíssimo sólido na defesa e eficiente nas poucas chances que cria, não é suficiente para uma torcida de seleção, que nem sempre quer só vitórias, ainda mais em amistosos. A esperança de um jogo mais bonito está nesta movimentação do meio-campo e na individualidade de talentos como Coutinho. O que nem foi tão necessário contra um adversário fraco como o México. Na Copa América, onde a exigência é maior, as exibições devem ser melhores. Ainda que a necessidade do pragmatismo também cresça.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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