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No duelo entre time e reforços, o Palmeiras não conseguiu vencer a organização do Corinthians

Depois de quase ser rebaixado pela terceira vez, veio o consenso: precisava mudar tudo no Palmeiras. E isso foi levado quase à literalidade com 19 contratações, praticamente um elenco inteiro. Se por um lado trouxe a empolgação de uma potencial grande equipe, por outro está claro que não existe mágica que faça jogadores que não se conhecem jogarem em harmonia de um dia para o outro. O dérbi da capital paulista, neste sábado, colocou frente a frente os reforços alviverdes contra o time do Corinthians e, no fim, por 1 a 0, venceu a organização.

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O Corinthians também inicia uma nova fase, mas com vários personagens conhecidos. A começar pelo técnico Tite que em um mês começa a retomar alguns das boas características do time campeão sul-americano e mundial que ele próprio montou. Foi da marcação na saída de bola adversária que saiu o gol de Danilo, em erro crasso de Vitor Hugo, por exemplo. Mesmo com algumas caras novas, muitos dos jogadores corintianos atuam juntos há um bom tempo. Isso faz muita diferença.

Principalmente quando essa organização retomada por Tite, dando sequência ao que ele havia feito e ao que Mano Menezes tentou manter, é colocada em contraste com atletas que se conheceram outro dia, pegaram a camisa e entraram em campo. O Palmeiras tem o talento, nos pés de Dudu, Allione e Robinho, por exemplo, mas ainda não sabe o que fazer com ele. O jogo não flui por falta de entrosamento. Eles recebem a bola e hesitam. Ainda não há o instinto, a memória muscular e jogadas preparadas. Isso só vem com o tempo.

O segundo tempo foi muito didático nesse sentido. Na primeira etapa, o clássico foi bastante equilibrado, com algumas chances para os dois lados. Vitor Hugo acertou a trave em uma cabeçada e poderia ter aberto o placar. Pouco depois, recuou uma bola muito curta para Fernando Prass, Petros roubou e rolou para Danilo, decisivo até o último dia da sua carreira, fazer o gol da vitória. Na volta do intervalo, Cássio foi expulso em um lance polêmico. O árbitro lhe deu o segundo cartão amarelo porque viu cera quando o goleiro pegou uma segunda bola para cobrar o tiro de meta. O corintiano alega que não viu a primeira, que estava na linha da pequena área e foi jogada por um gandula.

Com um a menos, o Corinthians naturalmente recuou. Fez as suas duas linhas de quatro e deixou Mendoza na frente para puxar o contra-ataque. Uma decisão contestada porque Tite preferiu o colombiano a Guerrero. Mas que se mostrou acertada quando o atacante puxou um contra-ataque desde a sua própria intermediária e só parou quando tentou encobrir Prass e foi frustrado pelo braço direito do goleiro palmeirense. Guerrero não teria pique para fazer o mesmo.

Praticamente apenas o Palmeiras ficou com a bola depois da expulsão de Cássio. Oswaldo de Oliveira recuou Robinho para fazer a articulação mais atrás, com Alan Patrick, Dudu, Rafael Marques e Leandro Pereira à frente. Foi a definição de um domínimo improdutivo. Foram mais de 30 minutos nessa situação e apenas uma chance criada: uma bola cruzada na área que caiu nos pés de Lucas. O lateral direito foi até bem na finalização, tentou tocar no cantinho de Walter, que fez a boa defesa com os pés. De resto, vimos jogadas individuais sem sentido, dribles errados e bolas alçadas para o nada.

É natural que seja assim. Não se monta um time com quase duas dezenas de jogadores que nunca atuaram juntos em três rodadas. Alguns que certamente serão titulares ainda nem estrearam, como Cleiton Xavier e Arouca, sem falar em Valdivia que ainda não está apto fisicamente. Em qualidade individual, o Palmeiras cobriu um pouco do abismo que havia se formado em relação ao seu maior rival no último mês de janeiro. Quando a questão é organização e jogo coletivo, ainda está distante. A derrota no primeiro dérbi no Allianz Parque tem que doer mesmo para o torcedor palmeirense, mas só saberemos o real potencial da equipe com o tempo, a única coisa que, aliada ao bom trabalho, consegue montar um time forte.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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